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A perspectiva de Gênero, Diversidade e Inclusão no contexto de grandes obras lideradas pelo UNOPS

A igualdade de gênero e a inclusão social são fundamentais para criar condições para as pessoas viverem uma vida plena, onde as suas necessidades sejam satisfeitas, seus direitos humanos sejam protegidos e participem em igualdade de condições na sociedade. Partindo desta premissa, o Escritório das Nações Unidas para Projetos e Serviços (UNOPS) atua para que a perspectiva de gênero, diversidade e inclusão (GDI) esteja em todas as etapas de planejamento e execução de seus projetos, incluindo os de grandes obras. Desse modo, o desenvolvimento de infraestruturas sustentáveis, resilientes e inclusivas possibilita que todas as pessoas tenham a oportunidade de usufruir igualmente dos espaços, sem barreiras ou qualquer tipo de discriminação.

Para operacionalizar a perspectiva de GDI em um projeto, é necessária uma análise pormenorizada das diferentes formas com que a diversidade e a desigualdade podem afetar o acesso e o uso dos serviços ou da infraestrutura por todas as pessoas. Para isso, é preciso escutá-las, para conhecer seus interesses e necessidades, envolvê-las em processos avaliativos de implementação do projeto e oferecer uma comunicação acessível com enfoque nos direitos humanos.

A perspectiva de GDI também deve estar nas estratégias de desenvolvimento de parcerias, na ampliação de capacidades das instituições parceiras, bem como na composição da força de trabalho, com critérios inclusivos e de diversidade, criando empregos decentes e utilizando abordagens ambientais e de sustentabilidade.

Com a transversalização da perspectiva de GDI em diferentes dimensões dos projetos de infraestrutura, muitas oportunidades podem se apresentar, e o UNOPS tem atuado ativamente, em todo o mundo, para aproveitá-las. Entre 2017 e 2021, foram feitas reformas em mais de 100 quilômetros de estradas para conectar comunidades rurais em situação de vulnerabilidade com cidades na Gâmbia1. Nesse processo, houve forte ampliação da contratação de mulheres, favorecendo a geração de emprego, renda, a redução da pobreza e da insegurança alimentar e a promoção da igualdade de gênero.

Em um contexto de alta mortalidade materna no Quênia2, entre os anos de 2015 e 2017, foram reformadas dezenas de unidades de saúde, melhorando o sistema energético e de fornecimento de água, com soluções verdes e de baixo custo de manutenção, além de milhares de treinamentos técnicos, de modo a garantir melhor assistência e promoção da saúde local.

Em comunidades remotas e/ou fronteiriças da Argentina, cerca de 50 mil pessoas em situação de vulnerabilidade estão sendo beneficiadas por um programa integral de infraestrutura. A iniciativa inclui construção e/ou reforma de residências, conexão com redes de água e de esgoto e facilidade de acesso a outros equipamentos públicos. Para a execução desses trabalhos, homens e mulheres das próprias comunidades receberam treinamento, promovendo, assim, maior inclusão social, geração de renda e empregos decentes na área de construção civil e também em energia limpa.

No caso do projeto do Campus Arandu da UNILA, em Foz do Iguaçu, a perspectiva de GDI está sendo aplicada em várias dimensões. A atualização dos projetos executivos se deu a partir de escutas com especialistas da comunidade acadêmica da UNILA e abordou temas de acessibilidade, gênero e diversidade, assim como mobilidade e conciliação da vida universitária com outras dimensões (parental e laboral). Além disso, estão sendo definidas estratégias para composição de mão de obra com critérios de inclusão e diversidade, bem como ações para promover a segurança no canteiro de obra, tanto para as pessoas trabalhadoras quanto para a comunidade no entorno.

Considerando a vocação institucional para a integração dos povos latino-americanos, o acolhimento da comunidade acadêmica em sua diversidade parece ser fundamental para possibilitar a produção de conhecimento em sua diversidade de pensamento, controvérsias, trocas e partilhas cotidianas, conciliando as atividades acadêmicas com outras dimensões da vida (trabalho produtivo e reprodutivo, integração cultural e linguística). A partir da experiência internacional do UNOPS no tema, espera-se que o Campus Arandu seja mais um exemplo de boa prática em termos de infraestrutura inclusiva.

Por Equipe UNOPS


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