{"id":3558,"date":"2024-12-18T13:49:30","date_gmt":"2024-12-18T16:49:30","guid":{"rendered":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/?p=3558"},"modified":"2026-02-02T17:41:57","modified_gmt":"2026-02-02T20:41:57","slug":"desafios-do-regionalismo-latino-americano-a-unila-como-uma-potencial-comunidade-epistemica-da-integracao-contemporanea-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/2024\/12\/18\/desafios-do-regionalismo-latino-americano-a-unila-como-uma-potencial-comunidade-epistemica-da-integracao-contemporanea-da-america-latina\/","title":{"rendered":"Desafios do regionalismo latino-americano: a UNILA como uma potencial comunidade epist\u00eamica da integra\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Um Breve Hist\u00f3rico do Regionalismo Latino-Americano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica Latina possui uma longa tradi\u00e7\u00e3o no debate sobre o regionalismo, promovendo reflex\u00f5es originais no processo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos e saberes relacionados \u00e0 integra\u00e7\u00e3o latino-americana. Esse acervo plural e diverso permite analisar a relev\u00e2ncia da circula\u00e7\u00e3o de certas ideias nos processos de integra\u00e7\u00e3o regional, desenvolvidos em ciclos marcados por avan\u00e7os e retrocessos h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1948, a hist\u00f3ria da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEPAL) se confunde com o debate do regionalismo no continente, tendo em vista que sua cria\u00e7\u00e3o representou um marco no debate sobre a integra\u00e7\u00e3o regional, ao sistematizar em termos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos o rico acervo latino-americano. Embora n\u00e3o tenha surgido uma teoria genuinamente latino-americana sobre a integra\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XIX e na primeira metade do s\u00e9culo XX, h\u00e1 importantes contribui\u00e7\u00f5es em torno dos princ\u00edpios unionistas relacionados \u00e0 ideia de \u201cP\u00e1tria Grande\u201d e de \u201cNuestra Am\u00e9rica\u201d. Essas ideias, profundamente enraizadas no imagin\u00e1rio americano e imbu\u00eddas de um sentido pr\u00e1tico, tornaram-se fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a formula\u00e7\u00e3o de teorias e projetos de desenvolvimento regional. A partir da\u00ed, o pensamento cepalino impulsionou reflex\u00f5es inovadoras sobre novos modelos de integra\u00e7\u00e3o que, simultaneamente, favorecesse a industrializa\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de um mercado comum, a supera\u00e7\u00e3o do sistema centro-periferia, com foco em um processo constru\u00eddo \u201cde dentro para fora\u201d como um estrat\u00e9gia para enfrentar o subdesenvolvimento e a depend\u00eancia estrutural da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, pode-se afirmar que o protagonismo da CEPAL e de seu projeto foi determinante para a Am\u00e9rica Latina ganhar destaque, desempenhando um papel in\u00e9dito na mobiliza\u00e7\u00e3o de intelectuais, governantes e ideias voltadas ao desenvolvimento, \u00e0 integra\u00e7\u00e3o e \u00e0 autonomia dos pa\u00edses latino-americanos. De certo modo, as primeiras publica\u00e7\u00f5es da CEPAL no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950 deram in\u00edcio ao per\u00edodo moderno de teoriza\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o, tornando-se, nesse cen\u00e1rio, a principal refer\u00eancia internacional na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a realidade econ\u00f4mica e social latino-americana, sendo a \u00fanica \u201ccomunidade epist\u00eamica\u201d da regi\u00e3o a formular uma abordagem t\u00e9cnica e original, influenciando o debate regional por quase meio s\u00e9culo. A contribui\u00e7\u00e3o veio do foco nas particularidades locais e regionais, evitando a importa\u00e7\u00e3o de teorias universalistas que pouco ajudaram nas aspira\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. Sob a lideran\u00e7a do economista Ra\u00fal Prebisch e de Celso Furtado, a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica ajudou a consolidar uma vis\u00e3o cr\u00edtica do sistema centro-periferia, que fez frente \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o hemisf\u00e9rica idealizada pelos EUA. Ao articular de forma pioneira diversos grupos de especialistas (intelectuais, acad\u00eamicos, pol\u00edticos e tecnocratas) e institui\u00e7\u00f5es (governamentais, universidades e <em>think tanks<\/em>) respons\u00e1veis por formular, difundir e implementar conhecimentos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, a CEPAL alcan\u00e7ou uma capacidade \u00fanica de influenciar as pol\u00edticas p\u00fablicas e os tomadores de decis\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1980, surgiram poucas, mas influentes institui\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, como a CEPAL, que, em seu auge, atingiu o status de uma &#8220;comunidade epist\u00eamica&#8221; latino-americana. Apesar de n\u00e3o ser uma institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, a CEPAL se destacou pela capacidade de produzir e disseminar o pensamento cepalino, al\u00e9m de oferecer suporte t\u00e9cnico e intelectual aos projetos de desenvolvimento nacional, coordenando os processos de integra\u00e7\u00e3o regional que culminaram na crescente diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre e para a \u201cAm\u00e9rica Latina\u201d desde meados do s\u00e9culo XX.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1970, no entanto, a institui\u00e7\u00e3o passou por um decl\u00ednio em sua capacidade de gerar e disseminar ideias, devido a uma combina\u00e7\u00e3o de crises econ\u00f4micas e incertezas pol\u00edticas que culminaram, em 1973, no golpe de estado no Chile, descontinuando a atua\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o em meio a emerg\u00eancia de uma nova ortodoxia global. Foi a partir da\u00ed, que se passou a analisar a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de novos grupos de especialistas latino-americanos na coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas internacionais na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da redemocratiza\u00e7\u00e3o nos anos 1980, da reorganiza\u00e7\u00e3o do sistema internacional e da transi\u00e7\u00e3o para uma nova ordem unipolar, marcada pelo fim da Guerra Fria e pela consolida\u00e7\u00e3o do Consenso de Washington, os processos de integra\u00e7\u00e3o regional ganharam uma forte tra\u00e7\u00e3o comercial. Esse per\u00edodo foi caracterizado tanto pela cria\u00e7\u00e3o de novos tratados e organismos regionais quanto pela reestrutura\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes. Al\u00e9m disso, a mudan\u00e7a conjuntural trouxe uma transforma\u00e7\u00e3o de paradigma, substituindo blocos de perfil predominantemente ideol\u00f3gico por iniciativas voltadas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e comercial, tanto em n\u00edvel intra-regional quanto inter-regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, desde a cria\u00e7\u00e3o da CEPAL em 1948, \u00e9 poss\u00edvel identificar pelo menos tr\u00eas fases distintas do regionalismo latino-americano. A primeira, conhecida como regionalismo fechado, esteve fortemente influenciada pela perspectiva cepalina e vigorou at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980. Nessa fase, o foco recaiu sobre a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com base em um modelo desenvolvimentista, marcado pelo rigor no planejamento estatal, pol\u00edticas protecionistas e o est\u00edmulo \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o. Na d\u00e9cada de 1990, emergiu o regionalismo aberto, caracterizado por uma abordagem neoliberal que priorizava o estado m\u00ednimo e a primazia do mercado, promovendo o livre com\u00e9rcio como eixo central da integra\u00e7\u00e3o comercial. Posteriormente, apesar da crise do novo regionalismo na Am\u00e9rica Latina, houve uma reorienta\u00e7\u00e3o da agenda de integra\u00e7\u00e3o regional, que passou a ser vista como instrumento pol\u00edtico de resgate da autonomia e inser\u00e7\u00e3o internacional, retomando elementos do desenvolvimentismo com maior participa\u00e7\u00e3o social. Esse movimento abriu caminho para o regionalismo p\u00f3s-liberal e p\u00f3s-hegem\u00f4nico dos anos 2000, desafiando parcialmente o paradigma comercialista vigente. Em outras palavras, o &#8220;consenso progressista&#8221; estimulou novas experi\u00eancias institucionais e revitalizou a agenda de pesquisa, estimulando a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica voltada para a pol\u00edtica externa e promovendo a cria\u00e7\u00e3o de novos grupos de experts latino-americanos de perfil transnacional, capazes de articular simultaneamente espa\u00e7os nacionais e regionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da crise financeira global de 2008 e do fim do &#8220;superciclo das commodities&#8221; em 2015, que deu evid\u00eancia ao processo de reprimariza\u00e7\u00e3o e desindustrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses de maior porte da Am\u00e9rica Latina, o cen\u00e1rio pol\u00edtico passou por uma significativa reconfigura\u00e7\u00e3o, muito pela ascens\u00e3o das novas direitas anti-globalistas do hemisf\u00e9rio Norte, que resultou em uma paulatina desarticula\u00e7\u00e3o na governan\u00e7a regional. Embora alguns governos de extrema-direita tenham erroneamente associado os processos de integra\u00e7\u00e3o regional a uma agenda de esquerda, o regionalismo deve ser entendido como uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica orientada para aumentar a autonomia e a capacidade de manobra dos estados perif\u00e9ricos em um sistema internacional hier\u00e1rquico e desigual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o decl\u00ednio da \u201cmar\u00e9 rosa\u201d e a sucess\u00e3o de crises econ\u00f4micas e pol\u00edticas ao longo da segunda d\u00e9cada dos anos 2000, intensificadas pela ascens\u00e3o de governantes liberais-conservadores e de extrema direita, consolidou-se um cen\u00e1rio de incertezas que levaria a cria\u00e7\u00e3o de novos organismos ou esvaziamento de arranjos regionais pr\u00e9-existentes. Tanto organismos voltados \u00e0 integra\u00e7\u00e3o (CAN, Mercosul, ALBA e Alian\u00e7a do Pac\u00edfico) quanto aqueles destinados \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o regional (UNASUL e CELAC) passaram a ser enfraquecidos sob a justificativa de que a flexibiliza\u00e7\u00e3o das normas e estruturas institucionais poderia reduzir a burocracia, proporcionando maior agilidade na promo\u00e7\u00e3o dos interesses sul-americanos. No entanto, essa mudan\u00e7a conjuntural contribuiu para reduzir a interven\u00e7\u00e3o dos centros de produ\u00e7\u00e3o de pensamento voltados ao regionalismo, visto que muitos deles estavam concentrados nas grandes cidades da regi\u00e3o. No caso do Brasil, por exemplo, essa concentra\u00e7\u00e3o se d\u00e1 no eixo centro-sul.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comunidades Epist\u00eamicas Latino-Americanas da Integra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a evolu\u00e7\u00e3o das novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, a persist\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia latino-americana e o agravamento das assimetrias intra e inter-regionais intensificadas pela globaliza\u00e7\u00e3o, observa-se uma tend\u00eancia \u00e0 complexifica\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o das incertezas que envolvem os atores pol\u00edticos na tomada de decis\u00f5es. Esse cen\u00e1rio de imprevisibilidade, ali\u00e1s, favorece &#8220;a difus\u00e3o do poder, informa\u00e7\u00e3o e valores entre os Estados, criando um ambiente prop\u00edcio para o surgimento e atua\u00e7\u00e3o das comunidades epist\u00eamicas&#8221; (ADLER e HAAS, 1992).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, \u00e9 importante refletir sobre como e quem garante legitimidade \u00e0 circula\u00e7\u00e3o do pensamento que ir\u00e1 subsidiar os processos decis\u00f3rios da agenda da integra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Al\u00e9m de sua institucionalidade e do reconhecimento por pares, seja no \u00e2mbito pol\u00edtico ou acad\u00eamico, as comunidades epist\u00eamicas potenciais, vi\u00e1veis e prov\u00e1veis precisam reafirmar seu compromisso \u00e9tico e pol\u00edtico com a pluralidade de ideias e a diversidade de atores e interesses que comp\u00f5em os movimentos da sociedade civil nacional e latino-americana. Para que o continente avance, \u00e9 crucial promover uma participa\u00e7\u00e3o social que rompa a bolha acad\u00eamica e as restri\u00e7\u00f5es do poder estabelecido, que frequentemente isolam ou desqualificam determinadas agendas. Esse isolamento pode resultar da associa\u00e7\u00e3o equivocada entre rigor cient\u00edfico e uma perspectiva elitista, dissociada dos problemas reais da sociedade. Em outras palavras, \u00e9 indispens\u00e1vel superar a vis\u00e3o &#8220;estadoc\u00eantrica&#8221; e ir al\u00e9m da geopol\u00edtica estatal, incorporando a voz de movimentos sociais, intelectuais, institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias e outros sujeitos marginalizados. Afinal, o regionalismo n\u00e3o se constr\u00f3i apenas pela a\u00e7\u00e3o dos Estados, devendo incluir a pluralidade dos povos do continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e9 importante destacar que a no\u00e7\u00e3o de comunidade epist\u00eamica adotada neste trabalho abrange processos envolvendo atores diversos \u2014 como profissionais, acad\u00eamicos, intelectuais, lideran\u00e7as sociais e pol\u00edticos \u2014 engajados em &#8220;di\u00e1logos de saberes&#8221; com potencial para influenciar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e decis\u00f5es tanto em \u00e2mbito dom\u00e9stico quanto internacional. Al\u00e9m disso, vale ressaltar que o conceito de &#8220;comunidades epist\u00eamicas&#8221; aqui utilizado est\u00e1 associado \u00e0 abordagem construtivista das rela\u00e7\u00f5es internacionais e surgiu da emerg\u00eancia da globaliza\u00e7\u00e3o do final do s\u00e9culo XX. Esse per\u00edodo foi marcado pelo aprofundamento da interdepend\u00eancia global, ampliando as incertezas diante de crises sist\u00eamicas nas esferas econ\u00f4mica, social e ambiental. O termo ganhou destaque por seu uso na an\u00e1lise da atua\u00e7\u00e3o de grupos de especialistas organizados para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e promover o regime de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o nuclear que, por meio da coordena\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas no \u00e2mbito internacional, demonstraram capacidade de influenciar parcial ou integralmente os processos decis\u00f3rios nacionais e internacionais (HAAS, 1992; ADLER, 1992).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando os arranjos institucionais contempor\u00e2neos, \u00e9 indispens\u00e1vel investigar as comunidades epist\u00eamicas que est\u00e3o emergindo nos pa\u00edses subdesenvolvidos, sendo recomend\u00e1vel analisar a atua\u00e7\u00e3o de diferentes institui\u00e7\u00f5es no contexto latino-americano, divididas entre o perfil acad\u00eamico, governamental e n\u00e3o governamental, tais como a CEPAL, FLACSO, CLACSO, GRIDALE, ODR\/REPRI, UASB, UNILA, al\u00e9m de outras universidades (tradicionais, novas e localizadas em \u00e1reas de fronteira), programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, grupos e f\u00f3runs com enfoque regional. Essas iniciativas desempenham um papel importante na produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de conhecimento, podendo alcan\u00e7ar relativa capacidade de influenciar pol\u00edticas externas e tomadores de decis\u00e3o em pa\u00edses e blocos da regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dado o hist\u00f3rico bem-sucedido de atua\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia de agrupamentos mais bem estruturados institucional e politicamente, observa-se uma tend\u00eancia de que grupos e comunidades formalizados consigam criar condi\u00e7\u00f5es mais prop\u00edcias para incidir na produ\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de ideias na regi\u00e3o. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o objetivo \u00e9 identificar comunidades epist\u00eamicas latino-americanas que sejam vi\u00e1veis e capazes de orientar, apoiar e articular processos de integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de considerar a CEPAL como um ator pioneiro na forma\u00e7\u00e3o de comunidades epist\u00eamicas, a pesquisa vem analisando o papel da Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA) e sua capacidade de incorporar, total ou parcialmente, os quatro elementos que definem o conceito. Isto \u00e9, est\u00e1 sendo investigado como e em que momento as ideias sobre a integra\u00e7\u00e3o regional s\u00e3o compartilhadas tanto dentro quanto fora desses grupos de especialistas, considerando sua rela\u00e7\u00e3o com as \u201ccren\u00e7as\u201d, \u201cnormas\u201d, \u201cvalidade\u201d e compartilhamento de \u201cmetas\u201d no \u00e2mbito do regionalismo. Al\u00e9m disso, Adler e Haas (1992) incorporam \u00e0 an\u00e1lise das comunidades epist\u00eamicas a no\u00e7\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o estrutural de longo prazo, uma vez que a abordagem epist\u00eamica tende a promover mudan\u00e7as mais consistentes e duradouras atrav\u00e9s da coordena\u00e7\u00e3o e melhoria das pol\u00edticas em quatro etapas complementares: I) inova\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas; II) difus\u00e3o de suas diretrizes; III) cria\u00e7\u00e3o de agendas pol\u00edticas; e IV) persist\u00eancia &#8211; ou institucionaliza\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias, normas e pol\u00edticas que possam atingir o status de ortodoxia (ADLER e HAAS, 1992) na coordena\u00e7\u00e3o internacional de pol\u00edticas dom\u00e9sticas e exteriores, que para os fins de nossa pesquisa, pode e deve ser relacionado aos debates do regionalismo latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Unila: um espa\u00e7o geopol\u00edtico para a Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Rep\u00fablica Federativa do Brasil, por meio da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, rege-se nas suas rela\u00e7\u00f5es internacionais pelas diretrizes latino-americanistas ao consolidar no artigo 4\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, sua vis\u00e3o multidimensional da integra\u00e7\u00e3o, ao enfatizar que o Brasil \u201cbuscar\u00e1 a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social e cultural dos povos da Am\u00e9rica Latina, visando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma comunidade latino-americana de na\u00e7\u00f5es\u00b9 \u201d. Mas foi apenas com a cria\u00e7\u00e3o da UNILA\u00b2  em 2010, uma institui\u00e7\u00e3o federal de ensino superior financiada com recursos p\u00fablicos e composta por docentes, t\u00e9cnicos em educa\u00e7\u00e3o e estudantes brasileiros, latino-americanos e caribenhos, que foi consolidado um centro especializado de estudos sobre a integra\u00e7\u00e3o regional, situado em uma fronteira estrat\u00e9gica formada por Argentina, Brasil e Paraguai. Atualmente, a UNILA oferece 29 cursos de gradua\u00e7\u00e3o, 9 cursos de especializa\u00e7\u00e3o, 13 programas de mestrado e 2 doutorados em m\u00faltiplas \u00e1reas do saber e suas atividades s\u00e3o desenvolvidas em Foz do Igua\u00e7u.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sua lei criou uma universidade federal brasileira de car\u00e1ter p\u00fablico e gratuito, bil\u00edngue, multicultural, interdisciplinar e com uma miss\u00e3o integracionista e latino-americana, objetivando promover a coopera\u00e7\u00e3o por meio da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o superior. A UNILA foi criada com o prop\u00f3sito de ampliar a forma\u00e7\u00e3o de capital intelectual, qualificar pol\u00edticas p\u00fablicas regionais e transfronteiri\u00e7as, podendo aprimorar os processos de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas regionais e os processos de tomada de decis\u00f5es no Cone Sul. Conforme sua miss\u00e3o institucional, a universidade busca \u201cformar recursos humanos aptos a contribuir com a integra\u00e7\u00e3o latino-americana, com o desenvolvimento regional e com o interc\u00e2mbio cultural, cient\u00edfico e educacional da Am\u00e9rica Latina, especialmente no Mercosul\u00b3 \u201d e \u201cest\u00e1 comprometida com o destino das sociedades latino-americanas, cujas ra\u00edzes est\u00e3o referenciadas na heran\u00e7a da Reforma Universit\u00e1ria de C\u00f3rdoba (1918)<sup>4<\/sup>\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ao analisar o processo de consolida\u00e7\u00e3o da UNILA, e a despeito da miss\u00e3o institucional delimitar sua atua\u00e7\u00e3o junto aos pa\u00edses vizinhos, na pr\u00e1tica, a universidade mant\u00e9m potencialidades e limita\u00e7\u00f5es do sistema universit\u00e1rio brasileiro, carecendo em alguns momentos de uma vis\u00e3o genuinamente latino-americana para enfrentar o \u201ceurocentrismo\u201d e a descoloniza\u00e7\u00e3o dos processos de cria\u00e7\u00e3o de conhecimentos, al\u00e9m das contradi\u00e7\u00f5es que envolvem um projeto inovador na regi\u00e3o. Apesar dos avan\u00e7os institucionais e pedag\u00f3gicos, o fato do projeto universit\u00e1rio ter sido dirigido pelo Brasil e por acad\u00eamicos brasileiros pode impor barreiras pol\u00edticas e epistemol\u00f3gicas relacionadas ao provincianismo e nacionalismo metodol\u00f3gico, tendo em vista a cultura acad\u00eamica burocratizada e elitista existente no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o aumento das rela\u00e7\u00f5es entre a comunidade cient\u00edfica e a regi\u00e3o trinacional tem o potencial de promover o trip\u00e9 universit\u00e1rio e a populariza\u00e7\u00e3o das agendas de ensino, pesquisa e extens\u00e3o, fortalecendo a constru\u00e7\u00e3o de parcerias acad\u00eamicas entre as novas universidades de fronteira e a sociedade civil estabelecida neste territ\u00f3rio complexo e fluido, fortalecendo a articula\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria com os atores desses espa\u00e7os transfronteiri\u00e7os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o frequente no debate interno da universidade, trata sobre como evitar o esvaziamento sutil e gradual do projeto de funda\u00e7\u00e3o da UNILA, com destaque para os eixos do Ciclo Comum de Estudos que abordam quest\u00f5es de \u201cAm\u00e9rica Latina e Caribe, Filosofia e L\u00ednguas &#8211; Portugu\u00eas e Espanhol<sup>5<\/sup>\u201d, tendo em vista que a institui\u00e7\u00e3o foi criada para promover a integra\u00e7\u00e3o latino-americana, com foco no Mercosul. Mas, curiosamente, a universidade acaba desenvolvendo menos projetos de pesquisa e extens\u00e3o alinhados com sua miss\u00e3o internacional. Esse cen\u00e1rio controverso na implementa\u00e7\u00e3o de seu projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico, nos imp\u00f5e uma contradi\u00e7\u00e3o que refor\u00e7a, em v\u00e1rios aspectos, o temor de que a UNILA possa se transformar, paulatinamente, numa c\u00f3pia de universidades existentes nos centros tradicionais do continente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, tanto pela sua natureza inovadora quanto pela sua localiza\u00e7\u00e3o geoestrat\u00e9gica, a UNILA \u00e9 criada como um marco tem\u00e1tico, pedag\u00f3gico e institucional ao fomentar os processos de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a integra\u00e7\u00e3o latino-americana. Dessa forma, devido \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o internacional, e considerando que a UNILA abriu caminho para novas experi\u00eancias de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre o regionalismo, a institui\u00e7\u00e3o pode e deve desempenhar um papel central na articula\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de comunidades epist\u00eamicas. Embora a Am\u00e9rica Latina, &#8220;una e diversa&#8221;, exiba uma configura\u00e7\u00e3o plural e dispersa de grupos, a regi\u00e3o ainda carece de meios perenes capazes de apoiar comunidades epist\u00eamicas voltadas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais especificamente, o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Integra\u00e7\u00e3o Contempor\u00e2nea da Am\u00e9rica Latina (PPG-ICAL), vinculado \u00e0 \u00e1rea de Ci\u00eancia Pol\u00edtica e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e credenciado pela CAPES na \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o em Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana, foi criado com o objetivo de refor\u00e7ar a miss\u00e3o institucional da UNILA. De natureza interdisciplinar, o ICAL busca mobilizar diversas \u00e1reas do conhecimento para enfrentar os desafios envolvidos no campo de estudo do regionalismo, que justificaram a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o da universidade. Sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 caracterizada pelo foco em regi\u00f5es de fronteira, com uma voca\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 pesquisa, ao interc\u00e2mbio acad\u00eamico e \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria entre os pa\u00edses do Mercosul e demais na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. Em 2023, ap\u00f3s uma d\u00e9cada de contribui\u00e7\u00f5es significativas \u00e0 miss\u00e3o universit\u00e1ria, o programa alcan\u00e7ou um marco importante com a aprova\u00e7\u00e3o de sua primeira turma de doutorado, consolidando os esfor\u00e7os empreendidos na produ\u00e7\u00e3o de pensamento sobre a integra\u00e7\u00e3o latino-americana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essencial investigar minuciosamente a produ\u00e7\u00e3o intelectual da UNILA, com o objetivo de avaliar seu potencial de transitar de um espa\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o para uma comunidade epist\u00eamica com novas perspectivas para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre o regionalismo latino-americano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o projeto de pesquisa Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana: Mapeamento e Difus\u00e3o Cient\u00edfica em curso na universidade, parte da premissa de que o conceito de comunidades epist\u00eamicas poderia ser uma ferramenta \u00fatil para an\u00e1lise do vasto conjunto de iniciativas regionais respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o, dissemina\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de ideias integracionistas na regi\u00e3o. Nesse contexto, a pesquisa tem buscado mapear trabalhos de conclus\u00e3o de curso de gradua\u00e7\u00e3o, especializa\u00e7\u00e3o, mestrado e doutorado, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es de extens\u00e3o relacionadas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica, educacional, cultural e de infraestrutura (como energia, transporte e comunica\u00e7\u00f5es), incluindo an\u00e1lises comparativas entre pa\u00edses e rela\u00e7\u00f5es de fronteira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, os dados dos trabalhos (como t\u00edtulo, resumo, palavra-chave, orientador\/a, ano) ser\u00e3o analisados de modo a identificar a frequ\u00eancia de palavras-chave, padr\u00f5es e tend\u00eancias tem\u00e1ticas ao longo do tempo, possibilitando tanto uma an\u00e1lise quantitativa quanto qualitativa, revelando \u00e1reas de maior interesse e lacunas do saber.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fornecer um diagn\u00f3stico da produ\u00e7\u00e3o intelectual da universidade, a pesquisa poder\u00e1 contribuir para a formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias institucionais que fortale\u00e7am o trip\u00e9 ensino, pesquisa e extens\u00e3o com foco na integra\u00e7\u00e3o regional. Considerando uma estimativa aproximada de 4.000 trabalhos defendidos na gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da UNILA, trabalha-se com a hip\u00f3tese de que 10% desses trabalhos abordem aspectos multidimensionais da integra\u00e7\u00e3o regional, o que corresponderia a cerca de 400 teses e disserta\u00e7\u00f5es. Caso os resultados sejam promissores, o projeto de pesquisa poder\u00e1 se consolidar como uma ferramenta de an\u00e1lise da produ\u00e7\u00e3o intelectual no \u00e2mbito nacional e latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00c9rico Massoli Ticianel Pereira<br>Administrador no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Integra\u00e7\u00e3o Contempor\u00e2nea da Am\u00e9rica Latina e professor substituto do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Integra\u00e7\u00e3o da UNILA <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator alignfull has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>\u00b9 Informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicaocompilado.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicaocompilado.htm<\/a>. Acesso em 07\/12\/2024.<br>&nbsp;\u00b2 Lei 12.189, de 12 de janeiro de 2010.<br>&nbsp;\u00b3 Informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/portal.unila.edu.br\/institucional\">https:\/\/portal.unila.edu.br\/institucional<\/a>. Acesso em 07\/12\/2024.<br>&nbsp;<sup>4<\/sup> Informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/portal.unila.edu.br\/institucional\">https:\/\/portal.unila.edu.br\/institucional<\/a>. Acesso em 07\/12\/2024.<br><sup> 5<\/sup>&nbsp;Informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/portal.unila.edu.br\/prograd\/daciclo\/ciclo-comum-de-estudos\">https:\/\/portal.unila.edu.br\/prograd\/daciclo\/ciclo-comum-de-estudos<\/a>. Acesso em 07\/12\/2024.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ADLER, Emanuel. <strong>The Emergence of Cooperation<\/strong>: National Epistemic Communities and the International. International Organization, v. 46, n. 1, p. 101\u2013145, 1992.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>ADLER, Emanuel y HAAS, Peter. <strong>Las Comunidades Epist\u00e9micas<\/strong>, el orden mundial y la creaci\u00f3n de un programa de investigaci\u00f3n reflectivo. Revista International Organization, vol. 46, p. 367-390, 1992, traducido por la editorial MIT Press.<\/p>\n\n\n\n<p>ANTONIADES, Andreas. <strong>Epistemic Communities<\/strong>, Epistemes and the Construction of (World) Politics. Global Society, v.17, n.1, p.21\u201338, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>BARROS, F. L. de, TAVOLARO, L. G. <strong>Latino-Americanismos<\/strong>, Campos de Produ\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o de Conhecimento e Informa\u00e7\u00e3o sobre a \u201cAm\u00e9rica Latina\u201d, e Mapeamento preliminar do caso brasileiro. Realis, v.7, n. 01, Jan-Jun. ISSN 2179-7501, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. <strong>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong> (1988). Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicaocompilado.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicaocompilado.htm<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>BRICE\u00d1O-RUIZ, Jos\u00e9; PUNTIGLIANO, Andr\u00e9s Rivarola; GRAGEA, \u00c1ngel M. C. In: <strong>Integraci\u00f3n Latinoamericana y Caribe\u00f1a<\/strong>: Pol\u00edtica y econom\u00eda. 316 Madrid: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, p. 17-26, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>CABALLERO, Sergio. <strong>Comunidades epist\u00e9micas en el proceso de integraci\u00f3n regional sudamericana.<\/strong> Cuadernos sobre Relaciones Internacionales, Regionalismo y Desarrollo\/vol. 4, n. 8, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>CASTRO-G\u00d3MEZ, Satiago. <strong>Decolonizar la Universidad<\/strong>: La hybris del punto cero y el di\u00e1logo de saberes. In: Santiago Castro-G\u00f3mez y Ram\u00f3n Grosfoguel (Orgs). El giro decolonial: Reflexiones para una diversidad epist\u00e9mica m\u00e1s all\u00e1 del capitalismo global. Bogot\u00e1, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>DAVIS CROSS, Mai\u2019a K. <strong>Rethinking epistemic communities twenty years later<\/strong>. Review of International Studies, v.39, n.1, p.137\u2013160, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>HAAS, Peter M. <strong>Introduction<\/strong>: Epistemic Communities and International Policy Coordination. International Organization, v. 46, n.1, p.1\u201335, 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>MASSOLI, \u00c9rico T. P.\u00a0<strong>Comunidades epist\u00eamicas da integra\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre o regionalismo latinoamericano<\/strong>. 2022. Tese (Doutorado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais) \u2013 Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>QUIJANO, Anibal. <strong>Colonialidade do poder<\/strong>, eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina. In: A 320 colonialidade do saber: eurocentrismo e ci\u00eancias sociais. Clacso, Buenos Aires, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, Boaventura de S. e MENESES, Maria Paula (orgs). <strong>Epistemologias do Sul<\/strong>. Coimbra: 2 ed., Almedina, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>RIUNILA, <strong>Reposit\u00f3rio Institucional<\/strong>. Foz do Igua\u00e7u: dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/dspace.unila.edu.br\/home\">https:\/\/dspace.unila.edu.br\/home<\/a>. SOUZA, Nilson Ara\u00fajo de. <strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>: as ondas da integra\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Revista Oikos, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>UNILA, <strong>Miss\u00e3o Institucional<\/strong>. Foz do Igua\u00e7u: dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/portal.unila.edu.br\/institucional\">https:\/\/portal.unila.edu.br\/institucional<\/a>. UNILA. <strong>Ciclo Comum de Estudos<\/strong>. Foz do Igua\u00e7u: dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/portal.unila.edu.br\/prograd\/daciclo\/ciclo-comum-de-estudos\">https:\/\/portal.unila.edu.br\/prograd\/daciclo\/ciclo-comum-de-estudos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um Breve Hist\u00f3rico do Regionalismo Latino-Americano A Am\u00e9rica Latina possui uma longa tradi\u00e7\u00e3o no debate sobre o regionalismo, promovendo reflex\u00f5es originais no processo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos e saberes relacionados \u00e0 integra\u00e7\u00e3o latino-americana. Esse acervo plural e diverso permite analisar a relev\u00e2ncia da circula\u00e7\u00e3o de certas ideias nos processos de integra\u00e7\u00e3o regional, desenvolvidos em ciclos marcados por avan\u00e7os e retrocessos h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos.&nbsp; Desde 1948, a hist\u00f3ria da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEPAL) se confunde com o debate do regionalismo no continente, tendo em vista que sua cria\u00e7\u00e3o representou um marco no debate sobre a integra\u00e7\u00e3o regional, ao sistematizar em termos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos o rico acervo latino-americano. Embora n\u00e3o tenha surgido uma teoria genuinamente latino-americana sobre a integra\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XIX e na primeira metade do s\u00e9culo XX, h\u00e1 importantes contribui\u00e7\u00f5es em torno dos princ\u00edpios unionistas relacionados \u00e0 ideia de \u201cP\u00e1tria Grande\u201d e de \u201cNuestra Am\u00e9rica\u201d. Essas ideias, profundamente enraizadas no imagin\u00e1rio americano e imbu\u00eddas de um sentido pr\u00e1tico, tornaram-se fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a formula\u00e7\u00e3o de teorias e projetos de desenvolvimento regional. A partir da\u00ed, o pensamento cepalino impulsionou reflex\u00f5es inovadoras sobre novos modelos de integra\u00e7\u00e3o que, simultaneamente, favorecesse a industrializa\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de um mercado comum, a supera\u00e7\u00e3o do sistema centro-periferia, com foco em um processo constru\u00eddo \u201cde dentro para fora\u201d como um estrat\u00e9gia para enfrentar o subdesenvolvimento e a depend\u00eancia estrutural da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Nesse contexto, pode-se afirmar que o protagonismo da CEPAL e de seu projeto foi determinante para a Am\u00e9rica Latina ganhar destaque, desempenhando um papel in\u00e9dito na mobiliza\u00e7\u00e3o de intelectuais, governantes e ideias voltadas ao desenvolvimento, \u00e0 integra\u00e7\u00e3o e \u00e0 autonomia dos pa\u00edses latino-americanos. De certo modo, as primeiras publica\u00e7\u00f5es da CEPAL no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950 deram in\u00edcio ao per\u00edodo moderno de teoriza\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o, tornando-se, nesse cen\u00e1rio, a principal refer\u00eancia internacional na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a realidade econ\u00f4mica e social latino-americana, sendo a \u00fanica \u201ccomunidade epist\u00eamica\u201d da regi\u00e3o a formular uma abordagem t\u00e9cnica e original, influenciando o debate regional por quase meio s\u00e9culo. A contribui\u00e7\u00e3o veio do foco nas particularidades locais e regionais, evitando a importa\u00e7\u00e3o de teorias universalistas que pouco ajudaram nas aspira\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. Sob a lideran\u00e7a do economista Ra\u00fal Prebisch e de Celso Furtado, a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica ajudou a consolidar uma vis\u00e3o cr\u00edtica do sistema centro-periferia, que fez frente \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o hemisf\u00e9rica idealizada pelos EUA. Ao articular de forma pioneira diversos grupos de especialistas (intelectuais, acad\u00eamicos, pol\u00edticos e tecnocratas) e institui\u00e7\u00f5es (governamentais, universidades e think tanks) respons\u00e1veis por formular, difundir e implementar conhecimentos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, a CEPAL alcan\u00e7ou uma capacidade \u00fanica de influenciar as pol\u00edticas p\u00fablicas e os tomadores de decis\u00e3o na regi\u00e3o. Entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1980, surgiram poucas, mas influentes institui\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, como a CEPAL, que, em seu auge, atingiu o status de uma &#8220;comunidade epist\u00eamica&#8221; latino-americana. Apesar de n\u00e3o ser uma institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, a CEPAL se destacou pela capacidade de produzir e disseminar o pensamento cepalino, al\u00e9m de oferecer suporte t\u00e9cnico e intelectual aos projetos de desenvolvimento nacional, coordenando os processos de integra\u00e7\u00e3o regional que culminaram na crescente diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre e para a \u201cAm\u00e9rica Latina\u201d desde meados do s\u00e9culo XX.&nbsp; Nos anos 1970, no entanto, a institui\u00e7\u00e3o passou por um decl\u00ednio em sua capacidade de gerar e disseminar ideias, devido a uma combina\u00e7\u00e3o de crises econ\u00f4micas e incertezas pol\u00edticas que culminaram, em 1973, no golpe de estado no Chile, descontinuando a atua\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o em meio a emerg\u00eancia de uma nova ortodoxia global. Foi a partir da\u00ed, que se passou a analisar a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de novos grupos de especialistas latino-americanos na coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas internacionais na regi\u00e3o. A partir da redemocratiza\u00e7\u00e3o nos anos 1980, da reorganiza\u00e7\u00e3o do sistema internacional e da transi\u00e7\u00e3o para uma nova ordem unipolar, marcada pelo fim da Guerra Fria e pela consolida\u00e7\u00e3o do Consenso de Washington, os processos de integra\u00e7\u00e3o regional ganharam uma forte tra\u00e7\u00e3o comercial. Esse per\u00edodo foi caracterizado tanto pela cria\u00e7\u00e3o de novos tratados e organismos regionais quanto pela reestrutura\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes. Al\u00e9m disso, a mudan\u00e7a conjuntural trouxe uma transforma\u00e7\u00e3o de paradigma, substituindo blocos de perfil predominantemente ideol\u00f3gico por iniciativas voltadas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e comercial, tanto em n\u00edvel intra-regional quanto inter-regional. Assim, desde a cria\u00e7\u00e3o da CEPAL em 1948, \u00e9 poss\u00edvel identificar pelo menos tr\u00eas fases distintas do regionalismo latino-americano. A primeira, conhecida como regionalismo fechado, esteve fortemente influenciada pela perspectiva cepalina e vigorou at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980. Nessa fase, o foco recaiu sobre a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com base em um modelo desenvolvimentista, marcado pelo rigor no planejamento estatal, pol\u00edticas protecionistas e o est\u00edmulo \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o. Na d\u00e9cada de 1990, emergiu o regionalismo aberto, caracterizado por uma abordagem neoliberal que priorizava o estado m\u00ednimo e a primazia do mercado, promovendo o livre com\u00e9rcio como eixo central da integra\u00e7\u00e3o comercial. Posteriormente, apesar da crise do novo regionalismo na Am\u00e9rica Latina, houve uma reorienta\u00e7\u00e3o da agenda de integra\u00e7\u00e3o regional, que passou a ser vista como instrumento pol\u00edtico de resgate da autonomia e inser\u00e7\u00e3o internacional, retomando elementos do desenvolvimentismo com maior participa\u00e7\u00e3o social. Esse movimento abriu caminho para o regionalismo p\u00f3s-liberal e p\u00f3s-hegem\u00f4nico dos anos 2000, desafiando parcialmente o paradigma comercialista vigente. Em outras palavras, o &#8220;consenso progressista&#8221; estimulou novas experi\u00eancias institucionais e revitalizou a agenda de pesquisa, estimulando a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica voltada para a pol\u00edtica externa e promovendo a cria\u00e7\u00e3o de novos grupos de experts latino-americanos de perfil transnacional, capazes de articular simultaneamente espa\u00e7os nacionais e regionais.&nbsp; A partir da crise financeira global de 2008 e do fim do &#8220;superciclo das commodities&#8221; em 2015, que deu evid\u00eancia ao processo de reprimariza\u00e7\u00e3o e desindustrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses de maior porte da Am\u00e9rica Latina, o cen\u00e1rio pol\u00edtico passou por uma significativa reconfigura\u00e7\u00e3o, muito pela ascens\u00e3o das novas direitas anti-globalistas do hemisf\u00e9rio Norte, que resultou em uma paulatina desarticula\u00e7\u00e3o na governan\u00e7a regional. 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Esse acervo plural e diverso permite analisar a relev\u00e2ncia da circula\u00e7\u00e3o de certas ideias nos processos de integra\u00e7\u00e3o regional, desenvolvidos em ciclos marcados por avan\u00e7os e retrocessos h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos.&nbsp; Desde 1948, a hist\u00f3ria da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEPAL) se confunde com o debate do regionalismo no continente, tendo em vista que sua cria\u00e7\u00e3o representou um marco no debate sobre a integra\u00e7\u00e3o regional, ao sistematizar em termos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos o rico acervo latino-americano. Embora n\u00e3o tenha surgido uma teoria genuinamente latino-americana sobre a integra\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XIX e na primeira metade do s\u00e9culo XX, h\u00e1 importantes contribui\u00e7\u00f5es em torno dos princ\u00edpios unionistas relacionados \u00e0 ideia de \u201cP\u00e1tria Grande\u201d e de \u201cNuestra Am\u00e9rica\u201d. Essas ideias, profundamente enraizadas no imagin\u00e1rio americano e imbu\u00eddas de um sentido pr\u00e1tico, tornaram-se fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a formula\u00e7\u00e3o de teorias e projetos de desenvolvimento regional. A partir da\u00ed, o pensamento cepalino impulsionou reflex\u00f5es inovadoras sobre novos modelos de integra\u00e7\u00e3o que, simultaneamente, favorecesse a industrializa\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de um mercado comum, a supera\u00e7\u00e3o do sistema centro-periferia, com foco em um processo constru\u00eddo \u201cde dentro para fora\u201d como um estrat\u00e9gia para enfrentar o subdesenvolvimento e a depend\u00eancia estrutural da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Nesse contexto, pode-se afirmar que o protagonismo da CEPAL e de seu projeto foi determinante para a Am\u00e9rica Latina ganhar destaque, desempenhando um papel in\u00e9dito na mobiliza\u00e7\u00e3o de intelectuais, governantes e ideias voltadas ao desenvolvimento, \u00e0 integra\u00e7\u00e3o e \u00e0 autonomia dos pa\u00edses latino-americanos. De certo modo, as primeiras publica\u00e7\u00f5es da CEPAL no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950 deram in\u00edcio ao per\u00edodo moderno de teoriza\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o, tornando-se, nesse cen\u00e1rio, a principal refer\u00eancia internacional na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a realidade econ\u00f4mica e social latino-americana, sendo a \u00fanica \u201ccomunidade epist\u00eamica\u201d da regi\u00e3o a formular uma abordagem t\u00e9cnica e original, influenciando o debate regional por quase meio s\u00e9culo. A contribui\u00e7\u00e3o veio do foco nas particularidades locais e regionais, evitando a importa\u00e7\u00e3o de teorias universalistas que pouco ajudaram nas aspira\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. Sob a lideran\u00e7a do economista Ra\u00fal Prebisch e de Celso Furtado, a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica ajudou a consolidar uma vis\u00e3o cr\u00edtica do sistema centro-periferia, que fez frente \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o hemisf\u00e9rica idealizada pelos EUA. Ao articular de forma pioneira diversos grupos de especialistas (intelectuais, acad\u00eamicos, pol\u00edticos e tecnocratas) e institui\u00e7\u00f5es (governamentais, universidades e think tanks) respons\u00e1veis por formular, difundir e implementar conhecimentos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, a CEPAL alcan\u00e7ou uma capacidade \u00fanica de influenciar as pol\u00edticas p\u00fablicas e os tomadores de decis\u00e3o na regi\u00e3o. Entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1980, surgiram poucas, mas influentes institui\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, como a CEPAL, que, em seu auge, atingiu o status de uma &#8220;comunidade epist\u00eamica&#8221; latino-americana. Apesar de n\u00e3o ser uma institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, a CEPAL se destacou pela capacidade de produzir e disseminar o pensamento cepalino, al\u00e9m de oferecer suporte t\u00e9cnico e intelectual aos projetos de desenvolvimento nacional, coordenando os processos de integra\u00e7\u00e3o regional que culminaram na crescente diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre e para a \u201cAm\u00e9rica Latina\u201d desde meados do s\u00e9culo XX.&nbsp; Nos anos 1970, no entanto, a institui\u00e7\u00e3o passou por um decl\u00ednio em sua capacidade de gerar e disseminar ideias, devido a uma combina\u00e7\u00e3o de crises econ\u00f4micas e incertezas pol\u00edticas que culminaram, em 1973, no golpe de estado no Chile, descontinuando a atua\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o em meio a emerg\u00eancia de uma nova ortodoxia global. Foi a partir da\u00ed, que se passou a analisar a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de novos grupos de especialistas latino-americanos na coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas internacionais na regi\u00e3o. A partir da redemocratiza\u00e7\u00e3o nos anos 1980, da reorganiza\u00e7\u00e3o do sistema internacional e da transi\u00e7\u00e3o para uma nova ordem unipolar, marcada pelo fim da Guerra Fria e pela consolida\u00e7\u00e3o do Consenso de Washington, os processos de integra\u00e7\u00e3o regional ganharam uma forte tra\u00e7\u00e3o comercial. Esse per\u00edodo foi caracterizado tanto pela cria\u00e7\u00e3o de novos tratados e organismos regionais quanto pela reestrutura\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes. Al\u00e9m disso, a mudan\u00e7a conjuntural trouxe uma transforma\u00e7\u00e3o de paradigma, substituindo blocos de perfil predominantemente ideol\u00f3gico por iniciativas voltadas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e comercial, tanto em n\u00edvel intra-regional quanto inter-regional. Assim, desde a cria\u00e7\u00e3o da CEPAL em 1948, \u00e9 poss\u00edvel identificar pelo menos tr\u00eas fases distintas do regionalismo latino-americano. A primeira, conhecida como regionalismo fechado, esteve fortemente influenciada pela perspectiva cepalina e vigorou at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980. Nessa fase, o foco recaiu sobre a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com base em um modelo desenvolvimentista, marcado pelo rigor no planejamento estatal, pol\u00edticas protecionistas e o est\u00edmulo \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o. Na d\u00e9cada de 1990, emergiu o regionalismo aberto, caracterizado por uma abordagem neoliberal que priorizava o estado m\u00ednimo e a primazia do mercado, promovendo o livre com\u00e9rcio como eixo central da integra\u00e7\u00e3o comercial. Posteriormente, apesar da crise do novo regionalismo na Am\u00e9rica Latina, houve uma reorienta\u00e7\u00e3o da agenda de integra\u00e7\u00e3o regional, que passou a ser vista como instrumento pol\u00edtico de resgate da autonomia e inser\u00e7\u00e3o internacional, retomando elementos do desenvolvimentismo com maior participa\u00e7\u00e3o social. Esse movimento abriu caminho para o regionalismo p\u00f3s-liberal e p\u00f3s-hegem\u00f4nico dos anos 2000, desafiando parcialmente o paradigma comercialista vigente. Em outras palavras, o &#8220;consenso progressista&#8221; estimulou novas experi\u00eancias institucionais e revitalizou a agenda de pesquisa, estimulando a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica voltada para a pol\u00edtica externa e promovendo a cria\u00e7\u00e3o de novos grupos de experts latino-americanos de perfil transnacional, capazes de articular simultaneamente espa\u00e7os nacionais e regionais.&nbsp; A partir da crise financeira global de 2008 e do fim do &#8220;superciclo das commodities&#8221; em 2015, que deu evid\u00eancia ao processo de reprimariza\u00e7\u00e3o e desindustrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses de maior porte da Am\u00e9rica Latina, o cen\u00e1rio pol\u00edtico passou por uma significativa reconfigura\u00e7\u00e3o, muito pela ascens\u00e3o das novas direitas anti-globalistas do hemisf\u00e9rio Norte, que resultou em uma paulatina desarticula\u00e7\u00e3o na governan\u00e7a regional. 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Unila","og_description":"Um Breve Hist\u00f3rico do Regionalismo Latino-Americano A Am\u00e9rica Latina possui uma longa tradi\u00e7\u00e3o no debate sobre o regionalismo, promovendo reflex\u00f5es originais no processo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos e saberes relacionados \u00e0 integra\u00e7\u00e3o latino-americana. Esse acervo plural e diverso permite analisar a relev\u00e2ncia da circula\u00e7\u00e3o de certas ideias nos processos de integra\u00e7\u00e3o regional, desenvolvidos em ciclos marcados por avan\u00e7os e retrocessos h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos.&nbsp; Desde 1948, a hist\u00f3ria da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEPAL) se confunde com o debate do regionalismo no continente, tendo em vista que sua cria\u00e7\u00e3o representou um marco no debate sobre a integra\u00e7\u00e3o regional, ao sistematizar em termos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos o rico acervo latino-americano. Embora n\u00e3o tenha surgido uma teoria genuinamente latino-americana sobre a integra\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XIX e na primeira metade do s\u00e9culo XX, h\u00e1 importantes contribui\u00e7\u00f5es em torno dos princ\u00edpios unionistas relacionados \u00e0 ideia de \u201cP\u00e1tria Grande\u201d e de \u201cNuestra Am\u00e9rica\u201d. Essas ideias, profundamente enraizadas no imagin\u00e1rio americano e imbu\u00eddas de um sentido pr\u00e1tico, tornaram-se fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a formula\u00e7\u00e3o de teorias e projetos de desenvolvimento regional. A partir da\u00ed, o pensamento cepalino impulsionou reflex\u00f5es inovadoras sobre novos modelos de integra\u00e7\u00e3o que, simultaneamente, favorecesse a industrializa\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de um mercado comum, a supera\u00e7\u00e3o do sistema centro-periferia, com foco em um processo constru\u00eddo \u201cde dentro para fora\u201d como um estrat\u00e9gia para enfrentar o subdesenvolvimento e a depend\u00eancia estrutural da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Nesse contexto, pode-se afirmar que o protagonismo da CEPAL e de seu projeto foi determinante para a Am\u00e9rica Latina ganhar destaque, desempenhando um papel in\u00e9dito na mobiliza\u00e7\u00e3o de intelectuais, governantes e ideias voltadas ao desenvolvimento, \u00e0 integra\u00e7\u00e3o e \u00e0 autonomia dos pa\u00edses latino-americanos. De certo modo, as primeiras publica\u00e7\u00f5es da CEPAL no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950 deram in\u00edcio ao per\u00edodo moderno de teoriza\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o, tornando-se, nesse cen\u00e1rio, a principal refer\u00eancia internacional na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a realidade econ\u00f4mica e social latino-americana, sendo a \u00fanica \u201ccomunidade epist\u00eamica\u201d da regi\u00e3o a formular uma abordagem t\u00e9cnica e original, influenciando o debate regional por quase meio s\u00e9culo. A contribui\u00e7\u00e3o veio do foco nas particularidades locais e regionais, evitando a importa\u00e7\u00e3o de teorias universalistas que pouco ajudaram nas aspira\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. Sob a lideran\u00e7a do economista Ra\u00fal Prebisch e de Celso Furtado, a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica ajudou a consolidar uma vis\u00e3o cr\u00edtica do sistema centro-periferia, que fez frente \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o hemisf\u00e9rica idealizada pelos EUA. Ao articular de forma pioneira diversos grupos de especialistas (intelectuais, acad\u00eamicos, pol\u00edticos e tecnocratas) e institui\u00e7\u00f5es (governamentais, universidades e think tanks) respons\u00e1veis por formular, difundir e implementar conhecimentos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, a CEPAL alcan\u00e7ou uma capacidade \u00fanica de influenciar as pol\u00edticas p\u00fablicas e os tomadores de decis\u00e3o na regi\u00e3o. Entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1980, surgiram poucas, mas influentes institui\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, como a CEPAL, que, em seu auge, atingiu o status de uma &#8220;comunidade epist\u00eamica&#8221; latino-americana. Apesar de n\u00e3o ser uma institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, a CEPAL se destacou pela capacidade de produzir e disseminar o pensamento cepalino, al\u00e9m de oferecer suporte t\u00e9cnico e intelectual aos projetos de desenvolvimento nacional, coordenando os processos de integra\u00e7\u00e3o regional que culminaram na crescente diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre e para a \u201cAm\u00e9rica Latina\u201d desde meados do s\u00e9culo XX.&nbsp; Nos anos 1970, no entanto, a institui\u00e7\u00e3o passou por um decl\u00ednio em sua capacidade de gerar e disseminar ideias, devido a uma combina\u00e7\u00e3o de crises econ\u00f4micas e incertezas pol\u00edticas que culminaram, em 1973, no golpe de estado no Chile, descontinuando a atua\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o em meio a emerg\u00eancia de uma nova ortodoxia global. Foi a partir da\u00ed, que se passou a analisar a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de novos grupos de especialistas latino-americanos na coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas internacionais na regi\u00e3o. A partir da redemocratiza\u00e7\u00e3o nos anos 1980, da reorganiza\u00e7\u00e3o do sistema internacional e da transi\u00e7\u00e3o para uma nova ordem unipolar, marcada pelo fim da Guerra Fria e pela consolida\u00e7\u00e3o do Consenso de Washington, os processos de integra\u00e7\u00e3o regional ganharam uma forte tra\u00e7\u00e3o comercial. Esse per\u00edodo foi caracterizado tanto pela cria\u00e7\u00e3o de novos tratados e organismos regionais quanto pela reestrutura\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes. Al\u00e9m disso, a mudan\u00e7a conjuntural trouxe uma transforma\u00e7\u00e3o de paradigma, substituindo blocos de perfil predominantemente ideol\u00f3gico por iniciativas voltadas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e comercial, tanto em n\u00edvel intra-regional quanto inter-regional. Assim, desde a cria\u00e7\u00e3o da CEPAL em 1948, \u00e9 poss\u00edvel identificar pelo menos tr\u00eas fases distintas do regionalismo latino-americano. A primeira, conhecida como regionalismo fechado, esteve fortemente influenciada pela perspectiva cepalina e vigorou at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980. Nessa fase, o foco recaiu sobre a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com base em um modelo desenvolvimentista, marcado pelo rigor no planejamento estatal, pol\u00edticas protecionistas e o est\u00edmulo \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o. Na d\u00e9cada de 1990, emergiu o regionalismo aberto, caracterizado por uma abordagem neoliberal que priorizava o estado m\u00ednimo e a primazia do mercado, promovendo o livre com\u00e9rcio como eixo central da integra\u00e7\u00e3o comercial. Posteriormente, apesar da crise do novo regionalismo na Am\u00e9rica Latina, houve uma reorienta\u00e7\u00e3o da agenda de integra\u00e7\u00e3o regional, que passou a ser vista como instrumento pol\u00edtico de resgate da autonomia e inser\u00e7\u00e3o internacional, retomando elementos do desenvolvimentismo com maior participa\u00e7\u00e3o social. Esse movimento abriu caminho para o regionalismo p\u00f3s-liberal e p\u00f3s-hegem\u00f4nico dos anos 2000, desafiando parcialmente o paradigma comercialista vigente. Em outras palavras, o &#8220;consenso progressista&#8221; estimulou novas experi\u00eancias institucionais e revitalizou a agenda de pesquisa, estimulando a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica voltada para a pol\u00edtica externa e promovendo a cria\u00e7\u00e3o de novos grupos de experts latino-americanos de perfil transnacional, capazes de articular simultaneamente espa\u00e7os nacionais e regionais.&nbsp; A partir da crise financeira global de 2008 e do fim do &#8220;superciclo das commodities&#8221; em 2015, que deu evid\u00eancia ao processo de reprimariza\u00e7\u00e3o e desindustrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses de maior porte da Am\u00e9rica Latina, o cen\u00e1rio pol\u00edtico passou por uma significativa reconfigura\u00e7\u00e3o, muito pela ascens\u00e3o das novas direitas anti-globalistas do hemisf\u00e9rio Norte, que resultou em uma paulatina desarticula\u00e7\u00e3o na governan\u00e7a regional. 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