{"id":2417,"date":"2024-11-29T17:16:11","date_gmt":"2024-11-29T20:16:11","guid":{"rendered":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/?p=2417"},"modified":"2026-02-02T17:42:14","modified_gmt":"2026-02-02T20:42:14","slug":"sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/2024\/11\/29\/sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia\/","title":{"rendered":"Sou migrante e esta \u00e9 um pouco da minha hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu sou Djenika Senatus, haitiana, tenho 29 anos, formada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Integra\u00e7\u00e3o e atualmente mestranda na mesma \u00e1rea. Sou membra da C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello (CSVM) e, por mais de um ano, atuei como tutora no programa de tutoria para estudantes haitianos na Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA). Pesquiso migra\u00e7\u00e3o e direitos humanos, dedicando minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica e pessoal a entender e questionar as injusti\u00e7as que afetam os migrantes. Vivendo no Brasil h\u00e1 quase seis anos, trago este relato para dizer que mesmo qualificada, com toda minha forma\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o, sinto diariamente os desafios e as dores de ser uma mulher preta e migrante em um sistema que insiste em nos reduzir \u00e0 m\u00e3o de obra barata. Compartilho aqui minha viv\u00eancia como migrante, com a esperan\u00e7a de que cada palavra desperte no cora\u00e7\u00e3o de quem acolhe esta hist\u00f3ria a empatia necess\u00e1ria para sentir as lutas, as dores e os sonhos de quem, com coragem e sacrif\u00edcio, deixa tudo para tr\u00e1s, cruzando fronteiras em busca de dignidade e um futuro melhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lei de migra\u00e7\u00e3o no Brasil, aprovada em 2017, representou diversos avan\u00e7os e um dos pontos refor\u00e7ada por ela \u00e9 a n\u00e3o criminaliza\u00e7\u00e3o dos migrantes. Contudo, apesar de n\u00e3o ser crime migrar, fica claro que o Brasil ainda precisa avan\u00e7ar em \u00e1reas como a integra\u00e7\u00e3o e cidadania plena dos\/as migrantes. Dificuldades para a revalida\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos e acesso ao Ensino Superior, o n\u00e3o direito ao voto, a aus\u00eancia de programas de ensino e promo\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, a quase inexist\u00eancia de centros de refer\u00eancia para migrantes fazem com que a vida de um\/a migrante n\u00e3o seja nada f\u00e1cil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grande fluxo de migrantes venezuelanos a partir de 2017 e a cria\u00e7\u00e3o de programas como a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, revelam alguma preocupa\u00e7\u00e3o \u00ab humanit\u00e1rio \u00bb por parte do Estado brasileiro, por\u00e9m com um vi\u00e9s quase que exclusivamente assistencialista, pois busca resolver o \u00ab problema \u00bb da migra\u00e7\u00e3o encaminhando as pessoas para locais onde h\u00e1 trabalho, como se ao migrantes coubesse apenas o lugar de m\u00e3o-de-obra barata. Contudo, n\u00e3o vemos uma a\u00e7\u00e3o integrada do Estado brasileiro com os munic\u00edpios que recebem esses migrantes. Ser uma \u00ab cidade acolhedora \u00bb faz de um munic\u00edpio um p\u00f3lo receptor de migrantes, por\u00e9m muitas cidades ainda carecem \u2013 de fato \u2013 de pol\u00edticas p\u00fablicas que integrem essa popula\u00e7\u00e3o nos aparelhos do sistema municipal e federal e que capacitem servidores e agentes p\u00fablicos para receber esses migrantes. Assim, o acolhimento \u2013 muitas vezes \u2013 s\u00f3 acontece no t\u00edtulo. Essa vis\u00e3o assistencialista reflete o modo como o sistema capitalista nos enxerga n\u00e3o como pessoas capazes de contribuir em diversos setores, mas como pe\u00e7as descart\u00e1veis que atendem \u00e0s necessidades imediatas do mercado de trabalho. Isso n\u00e3o s\u00f3 invisibiliza nossas hist\u00f3rias, mas tamb\u00e9m nos faz sentir como se nunca f\u00f4ssemos realmente aceitos. \u00c9 um sentimento de exclus\u00e3o constante, como se nossas contribui\u00e7\u00f5es intelectuais e culturais n\u00e3o fossem importantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu maior sonho \u00e9 trabalhar no ACNUR, uma organiza\u00e7\u00e3o que admiro profundamente por sua miss\u00e3o de ajudar pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, como eu. Mas esse sonho parece cada vez mais distante, n\u00e3o apenas pelas barreiras de mercado, mas tamb\u00e9m pela falta de oportunidade para os migrantes. Empregos para migrantes \u00e9 visto em setores espec\u00edficos do mercado e pensado para grupos espec\u00edficos de migrantes. Sou graduada e poliglota :falo franc\u00eas, espanhol, crioulo haitiano, portugu\u00eas e ingl\u00eas e apesar disso, barreiras impostas pelo sistema de recrutamento, at\u00e9 mesmo em organiza\u00e7\u00f5es como ACNUR ou OIM, tornam o caminho ainda mais dif\u00edcil. Falta uma pol\u00edtica de a\u00e7\u00f5es afirmativas que abra espa\u00e7o para migrantes qualificados, permitindo que possamos contribuir com nossa viv\u00eancia e experi\u00eancia. Migrantes qualificados t\u00eam muito a oferecer, tanto na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas quanto no atendimento a outros migrantes. No entanto, somos constantemente relegados a pap\u00e9is passivos, tratados apenas como receptores de ajuda, nunca como agentes de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma barreira cr\u00edtica. Muitos migrantes chegam ao Brasil sem saber quais direitos possuem : desde o acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos at\u00e9 mesmo locais ajuda\/ informa\u00e7\u00e3o. O artigo 15 da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira garante a igualdade de tratamento para todos, mas, na pr\u00e1tica, enfrentamos barreiras que outros n\u00e3o enfrentam. A exclus\u00e3o \u00e9 sentida em cada detalhe da vida cotidiana, desde a dificuldade de encontrar emprego at\u00e9 o acesso a servi\u00e7os essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser mulher preta e migrante \u00e9 carregar o peso de m\u00faltiplas discrimina\u00e7\u00f5es que se cruzam, limitando nossas oportunidades e perpetuando um ciclo de desigualdade. N\u00e3o \u00e9 apenas o fato de ser migrante; \u00e9 ser vista como algu\u00e9m que precisa provar duplamente suas capacidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de todos esses por\u00e9ns, a lei brasileira de migra\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 uma das mais avan\u00e7adas no mundo e o engajamento da sociedade civil faz com que os direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o migrante seja permanentemente lembrada e colocada em evid\u00eancia. Luta-se pelo avan\u00e7o das pol\u00edticas de inclus\u00e3o e da valoriza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o migrante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> O Brasil tem potencial para ser um modelo global de acolhimento, mas para isso precisa avan\u00e7ar muito. Somos mais do que m\u00e3o-de-obra barata. Temos capacidades e sonhos que podem enriquecer a sociedade onde vivemos. Mas precisamos de oportunidades reais, de a\u00e7\u00f5es afirmativas e de pol\u00edticas que nos permitam ocupar espa\u00e7os dignos e qualificados. Queremos contribuir, transformar e participar ativamente da sociedade e n\u00e3o apenas ser tratados como ferramentas descart\u00e1veis. Construir pol\u00edticas que pensem e integrem os\/as migrantes \u00e9 avan\u00e7ar rumo ao fortalecimento de sociedades democr\u00e1ticas, inclusivas e promotoras dos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Djenika Senatus (C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello), Laura Janaina Dias Amato e Karen Hon\u00f3rio (Professoras da Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu sou Djenika Senatus, haitiana, tenho 29 anos, formada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Integra\u00e7\u00e3o e atualmente mestranda na mesma \u00e1rea. Sou membra da C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello (CSVM) e, por mais de um ano, atuei como tutora no programa de tutoria para estudantes haitianos na Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA). Pesquiso migra\u00e7\u00e3o e direitos humanos, dedicando minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica e pessoal a entender e questionar as injusti\u00e7as que afetam os migrantes. Vivendo no Brasil h\u00e1 quase seis anos, trago este relato para dizer que mesmo qualificada, com toda minha forma\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o, sinto diariamente os desafios e as dores de ser uma mulher preta e migrante em um sistema que insiste em nos reduzir \u00e0 m\u00e3o de obra barata. Compartilho aqui minha viv\u00eancia como migrante, com a esperan\u00e7a de que cada palavra desperte no cora\u00e7\u00e3o de quem acolhe esta hist\u00f3ria a empatia necess\u00e1ria para sentir as lutas, as dores e os sonhos de quem, com coragem e sacrif\u00edcio, deixa tudo para tr\u00e1s, cruzando fronteiras em busca de dignidade e um futuro melhor. A lei de migra\u00e7\u00e3o no Brasil, aprovada em 2017, representou diversos avan\u00e7os e um dos pontos refor\u00e7ada por ela \u00e9 a n\u00e3o criminaliza\u00e7\u00e3o dos migrantes. Contudo, apesar de n\u00e3o ser crime migrar, fica claro que o Brasil ainda precisa avan\u00e7ar em \u00e1reas como a integra\u00e7\u00e3o e cidadania plena dos\/as migrantes. Dificuldades para a revalida\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos e acesso ao Ensino Superior, o n\u00e3o direito ao voto, a aus\u00eancia de programas de ensino e promo\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, a quase inexist\u00eancia de centros de refer\u00eancia para migrantes fazem com que a vida de um\/a migrante n\u00e3o seja nada f\u00e1cil. O grande fluxo de migrantes venezuelanos a partir de 2017 e a cria\u00e7\u00e3o de programas como a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, revelam alguma preocupa\u00e7\u00e3o \u00ab humanit\u00e1rio \u00bb por parte do Estado brasileiro, por\u00e9m com um vi\u00e9s quase que exclusivamente assistencialista, pois busca resolver o \u00ab problema \u00bb da migra\u00e7\u00e3o encaminhando as pessoas para locais onde h\u00e1 trabalho, como se ao migrantes coubesse apenas o lugar de m\u00e3o-de-obra barata. Contudo, n\u00e3o vemos uma a\u00e7\u00e3o integrada do Estado brasileiro com os munic\u00edpios que recebem esses migrantes. Ser uma \u00ab cidade acolhedora \u00bb faz de um munic\u00edpio um p\u00f3lo receptor de migrantes, por\u00e9m muitas cidades ainda carecem \u2013 de fato \u2013 de pol\u00edticas p\u00fablicas que integrem essa popula\u00e7\u00e3o nos aparelhos do sistema municipal e federal e que capacitem servidores e agentes p\u00fablicos para receber esses migrantes. Assim, o acolhimento \u2013 muitas vezes \u2013 s\u00f3 acontece no t\u00edtulo. Essa vis\u00e3o assistencialista reflete o modo como o sistema capitalista nos enxerga n\u00e3o como pessoas capazes de contribuir em diversos setores, mas como pe\u00e7as descart\u00e1veis que atendem \u00e0s necessidades imediatas do mercado de trabalho. Isso n\u00e3o s\u00f3 invisibiliza nossas hist\u00f3rias, mas tamb\u00e9m nos faz sentir como se nunca f\u00f4ssemos realmente aceitos. \u00c9 um sentimento de exclus\u00e3o constante, como se nossas contribui\u00e7\u00f5es intelectuais e culturais n\u00e3o fossem importantes. Meu maior sonho \u00e9 trabalhar no ACNUR, uma organiza\u00e7\u00e3o que admiro profundamente por sua miss\u00e3o de ajudar pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, como eu. Mas esse sonho parece cada vez mais distante, n\u00e3o apenas pelas barreiras de mercado, mas tamb\u00e9m pela falta de oportunidade para os migrantes. Empregos para migrantes \u00e9 visto em setores espec\u00edficos do mercado e pensado para grupos espec\u00edficos de migrantes. Sou graduada e poliglota :falo franc\u00eas, espanhol, crioulo haitiano, portugu\u00eas e ingl\u00eas e apesar disso, barreiras impostas pelo sistema de recrutamento, at\u00e9 mesmo em organiza\u00e7\u00f5es como ACNUR ou OIM, tornam o caminho ainda mais dif\u00edcil. Falta uma pol\u00edtica de a\u00e7\u00f5es afirmativas que abra espa\u00e7o para migrantes qualificados, permitindo que possamos contribuir com nossa viv\u00eancia e experi\u00eancia. Migrantes qualificados t\u00eam muito a oferecer, tanto na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas quanto no atendimento a outros migrantes. No entanto, somos constantemente relegados a pap\u00e9is passivos, tratados apenas como receptores de ajuda, nunca como agentes de transforma\u00e7\u00e3o. A falta de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma barreira cr\u00edtica. Muitos migrantes chegam ao Brasil sem saber quais direitos possuem : desde o acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos at\u00e9 mesmo locais ajuda\/ informa\u00e7\u00e3o. O artigo 15 da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira garante a igualdade de tratamento para todos, mas, na pr\u00e1tica, enfrentamos barreiras que outros n\u00e3o enfrentam. A exclus\u00e3o \u00e9 sentida em cada detalhe da vida cotidiana, desde a dificuldade de encontrar emprego at\u00e9 o acesso a servi\u00e7os essenciais. Ser mulher preta e migrante \u00e9 carregar o peso de m\u00faltiplas discrimina\u00e7\u00f5es que se cruzam, limitando nossas oportunidades e perpetuando um ciclo de desigualdade. N\u00e3o \u00e9 apenas o fato de ser migrante; \u00e9 ser vista como algu\u00e9m que precisa provar duplamente suas capacidades. Apesar de todos esses por\u00e9ns, a lei brasileira de migra\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 uma das mais avan\u00e7adas no mundo e o engajamento da sociedade civil faz com que os direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o migrante seja permanentemente lembrada e colocada em evid\u00eancia. Luta-se pelo avan\u00e7o das pol\u00edticas de inclus\u00e3o e da valoriza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o migrante. O Brasil tem potencial para ser um modelo global de acolhimento, mas para isso precisa avan\u00e7ar muito. Somos mais do que m\u00e3o-de-obra barata. Temos capacidades e sonhos que podem enriquecer a sociedade onde vivemos. Mas precisamos de oportunidades reais, de a\u00e7\u00f5es afirmativas e de pol\u00edticas que nos permitam ocupar espa\u00e7os dignos e qualificados. Queremos contribuir, transformar e participar ativamente da sociedade e n\u00e3o apenas ser tratados como ferramentas descart\u00e1veis. Construir pol\u00edticas que pensem e integrem os\/as migrantes \u00e9 avan\u00e7ar rumo ao fortalecimento de sociedades democr\u00e1ticas, inclusivas e promotoras dos direitos humanos. Por Djenika Senatus (C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello), Laura Janaina Dias Amato e Karen Hon\u00f3rio (Professoras da Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA)<\/p>\n","protected":false},"author":130,"featured_media":6626,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[177],"tags":[183],"class_list":["post-2417","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-imigracao-pt","tag-catedra-sergio-vieira-de-mello-pt"],"blocksy_meta":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.0 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Sou migrante e esta \u00e9 um pouco da minha hist\u00f3ria - Portal Internacional: a internacionaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior na Unila<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/2024\/11\/29\/sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Sou migrante e esta \u00e9 um pouco da minha hist\u00f3ria - Portal Internacional: a internacionaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior na Unila\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Eu sou Djenika Senatus, haitiana, tenho 29 anos, formada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Integra\u00e7\u00e3o e atualmente mestranda na mesma \u00e1rea. 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Compartilho aqui minha viv\u00eancia como migrante, com a esperan\u00e7a de que cada palavra desperte no cora\u00e7\u00e3o de quem acolhe esta hist\u00f3ria a empatia necess\u00e1ria para sentir as lutas, as dores e os sonhos de quem, com coragem e sacrif\u00edcio, deixa tudo para tr\u00e1s, cruzando fronteiras em busca de dignidade e um futuro melhor. A lei de migra\u00e7\u00e3o no Brasil, aprovada em 2017, representou diversos avan\u00e7os e um dos pontos refor\u00e7ada por ela \u00e9 a n\u00e3o criminaliza\u00e7\u00e3o dos migrantes. Contudo, apesar de n\u00e3o ser crime migrar, fica claro que o Brasil ainda precisa avan\u00e7ar em \u00e1reas como a integra\u00e7\u00e3o e cidadania plena dos\/as migrantes. Dificuldades para a revalida\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos e acesso ao Ensino Superior, o n\u00e3o direito ao voto, a aus\u00eancia de programas de ensino e promo\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, a quase inexist\u00eancia de centros de refer\u00eancia para migrantes fazem com que a vida de um\/a migrante n\u00e3o seja nada f\u00e1cil. O grande fluxo de migrantes venezuelanos a partir de 2017 e a cria\u00e7\u00e3o de programas como a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, revelam alguma preocupa\u00e7\u00e3o \u00ab humanit\u00e1rio \u00bb por parte do Estado brasileiro, por\u00e9m com um vi\u00e9s quase que exclusivamente assistencialista, pois busca resolver o \u00ab problema \u00bb da migra\u00e7\u00e3o encaminhando as pessoas para locais onde h\u00e1 trabalho, como se ao migrantes coubesse apenas o lugar de m\u00e3o-de-obra barata. Contudo, n\u00e3o vemos uma a\u00e7\u00e3o integrada do Estado brasileiro com os munic\u00edpios que recebem esses migrantes. 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Migrantes qualificados t\u00eam muito a oferecer, tanto na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas quanto no atendimento a outros migrantes. No entanto, somos constantemente relegados a pap\u00e9is passivos, tratados apenas como receptores de ajuda, nunca como agentes de transforma\u00e7\u00e3o. A falta de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma barreira cr\u00edtica. Muitos migrantes chegam ao Brasil sem saber quais direitos possuem : desde o acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos at\u00e9 mesmo locais ajuda\/ informa\u00e7\u00e3o. O artigo 15 da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira garante a igualdade de tratamento para todos, mas, na pr\u00e1tica, enfrentamos barreiras que outros n\u00e3o enfrentam. A exclus\u00e3o \u00e9 sentida em cada detalhe da vida cotidiana, desde a dificuldade de encontrar emprego at\u00e9 o acesso a servi\u00e7os essenciais. Ser mulher preta e migrante \u00e9 carregar o peso de m\u00faltiplas discrimina\u00e7\u00f5es que se cruzam, limitando nossas oportunidades e perpetuando um ciclo de desigualdade. N\u00e3o \u00e9 apenas o fato de ser migrante; \u00e9 ser vista como algu\u00e9m que precisa provar duplamente suas capacidades. Apesar de todos esses por\u00e9ns, a lei brasileira de migra\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 uma das mais avan\u00e7adas no mundo e o engajamento da sociedade civil faz com que os direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o migrante seja permanentemente lembrada e colocada em evid\u00eancia. Luta-se pelo avan\u00e7o das pol\u00edticas de inclus\u00e3o e da valoriza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o migrante. O Brasil tem potencial para ser um modelo global de acolhimento, mas para isso precisa avan\u00e7ar muito. Somos mais do que m\u00e3o-de-obra barata. Temos capacidades e sonhos que podem enriquecer a sociedade onde vivemos. 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Por Djenika Senatus (C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello), Laura Janaina Dias Amato e Karen Hon\u00f3rio (Professoras da Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA)\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/2024\/11\/29\/sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal Internacional: a internacionaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior na Unila\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-11-29T20:16:11+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-02-02T20:42:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2024\/11\/Sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia-1.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"799\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"533\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"editorial\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"editorial\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"5 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2024\\\/11\\\/29\\\/sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2024\\\/11\\\/29\\\/sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"editorial\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/878ec25d928b80883702c7a57253cf1e\"},\"headline\":\"Sou migrante e esta \u00e9 um pouco da minha hist\u00f3ria\",\"datePublished\":\"2024-11-29T20:16:11+00:00\",\"dateModified\":\"2026-02-02T20:42:14+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2024\\\/11\\\/29\\\/sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia\\\/\"},\"wordCount\":1041,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2024\\\/11\\\/29\\\/sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/wp-content\\\/uploads\\\/sites\\\/48\\\/2024\\\/11\\\/Sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia-1.png\",\"keywords\":[\"C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello\"],\"articleSection\":[\"Imigra\u00e7\u00e3o\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2024\\\/11\\\/29\\\/sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2024\\\/11\\\/29\\\/sou-migrante-e-esta-e-um-pouco-da-minha-historia\\\/\",\"name\":\"Sou migrante e esta \u00e9 um pouco da minha hist\u00f3ria - 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Sou membra da C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello (CSVM) e, por mais de um ano, atuei como tutora no programa de tutoria para estudantes haitianos na Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA). Pesquiso migra\u00e7\u00e3o e direitos humanos, dedicando minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica e pessoal a entender e questionar as injusti\u00e7as que afetam os migrantes. Vivendo no Brasil h\u00e1 quase seis anos, trago este relato para dizer que mesmo qualificada, com toda minha forma\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o, sinto diariamente os desafios e as dores de ser uma mulher preta e migrante em um sistema que insiste em nos reduzir \u00e0 m\u00e3o de obra barata. Compartilho aqui minha viv\u00eancia como migrante, com a esperan\u00e7a de que cada palavra desperte no cora\u00e7\u00e3o de quem acolhe esta hist\u00f3ria a empatia necess\u00e1ria para sentir as lutas, as dores e os sonhos de quem, com coragem e sacrif\u00edcio, deixa tudo para tr\u00e1s, cruzando fronteiras em busca de dignidade e um futuro melhor. A lei de migra\u00e7\u00e3o no Brasil, aprovada em 2017, representou diversos avan\u00e7os e um dos pontos refor\u00e7ada por ela \u00e9 a n\u00e3o criminaliza\u00e7\u00e3o dos migrantes. Contudo, apesar de n\u00e3o ser crime migrar, fica claro que o Brasil ainda precisa avan\u00e7ar em \u00e1reas como a integra\u00e7\u00e3o e cidadania plena dos\/as migrantes. Dificuldades para a revalida\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos e acesso ao Ensino Superior, o n\u00e3o direito ao voto, a aus\u00eancia de programas de ensino e promo\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, a quase inexist\u00eancia de centros de refer\u00eancia para migrantes fazem com que a vida de um\/a migrante n\u00e3o seja nada f\u00e1cil. O grande fluxo de migrantes venezuelanos a partir de 2017 e a cria\u00e7\u00e3o de programas como a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, revelam alguma preocupa\u00e7\u00e3o \u00ab humanit\u00e1rio \u00bb por parte do Estado brasileiro, por\u00e9m com um vi\u00e9s quase que exclusivamente assistencialista, pois busca resolver o \u00ab problema \u00bb da migra\u00e7\u00e3o encaminhando as pessoas para locais onde h\u00e1 trabalho, como se ao migrantes coubesse apenas o lugar de m\u00e3o-de-obra barata. Contudo, n\u00e3o vemos uma a\u00e7\u00e3o integrada do Estado brasileiro com os munic\u00edpios que recebem esses migrantes. Ser uma \u00ab cidade acolhedora \u00bb faz de um munic\u00edpio um p\u00f3lo receptor de migrantes, por\u00e9m muitas cidades ainda carecem \u2013 de fato \u2013 de pol\u00edticas p\u00fablicas que integrem essa popula\u00e7\u00e3o nos aparelhos do sistema municipal e federal e que capacitem servidores e agentes p\u00fablicos para receber esses migrantes. Assim, o acolhimento \u2013 muitas vezes \u2013 s\u00f3 acontece no t\u00edtulo. Essa vis\u00e3o assistencialista reflete o modo como o sistema capitalista nos enxerga n\u00e3o como pessoas capazes de contribuir em diversos setores, mas como pe\u00e7as descart\u00e1veis que atendem \u00e0s necessidades imediatas do mercado de trabalho. Isso n\u00e3o s\u00f3 invisibiliza nossas hist\u00f3rias, mas tamb\u00e9m nos faz sentir como se nunca f\u00f4ssemos realmente aceitos. \u00c9 um sentimento de exclus\u00e3o constante, como se nossas contribui\u00e7\u00f5es intelectuais e culturais n\u00e3o fossem importantes. 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Sou membra da C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello (CSVM) e, por mais de um ano, atuei como tutora no programa de tutoria para estudantes haitianos na Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA). 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