{"id":13353,"date":"2026-02-02T15:13:12","date_gmt":"2026-02-02T18:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/?p=13353"},"modified":"2026-02-02T17:28:24","modified_gmt":"2026-02-02T20:28:24","slug":"geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/2026\/02\/02\/geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump\/","title":{"rendered":"Geopol\u00edtica e Ind\u00fastria Cultural: Bad Bunny x Trump"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-e3af67f8e913b3aed122a2416f2f94e6\"><strong>Estados Unidos, trumpismo e reconfigura\u00e7\u00e3o do poder global<\/strong><br>Hoje, a ideia de que os Estados Unidos s\u00e3o um agressivo imp\u00e9rio em decad\u00eancia, antes restrita a alguns c\u00edrculos acad\u00eamicos, jornal\u00edsticos ou pol\u00edticos, alcan\u00e7ou um p\u00fablico mais amplo e passou a ser objeto de reflex\u00e3o, tanto na grande m\u00eddia quanto em ve\u00edculos alternativos, especialmente ap\u00f3s os ataques \u00e0 Venezuela e as amea\u00e7as a outras na\u00e7\u00f5es latino-americanas. Em sociedades treinadas pelas narrativas apocal\u00edpticas da ind\u00fastria cultural a aguardar a salva\u00e7\u00e3o do planeta por algum caub\u00f3i \u201camericano\u201d, sempre amea\u00e7ado por todo tipo de invasores, a percep\u00e7\u00e3o da decad\u00eancia torna-se mais v\u00edvida quando esse personagem passa a ser emulado por Donald Trump. Ele encarna os desejos de exterm\u00ednio de uma parte da sociedade, que quer ver aniquilados os \u201coutros\u201d, culpabilizados por todas as mazelas produzidas pelo modo de ser do capitalismo e do conservadorismo estadunidense.<br><br>Essa percep\u00e7\u00e3o potencializa-se \u00e0 medida que a China se consolida como poderoso contraponto ao capitalismo ocidental, sem que os Estados Unidos e todos os demais pa\u00edses do <em>Otanist\u00e3o<\/em> consigam produzir qualquer alternativa para al\u00e9m da guerra eterna \u2014 condi\u00e7\u00e3o central para a extens\u00e3o da hegemonia estadunidense e para a sobrevida de sua corte europeia, hoje acostumada a alguma pompa, mas sem poder real. A redefini\u00e7\u00e3o do tabuleiro geopol\u00edtico mundial torna-se cada vez mais agressiva, e os temores em torno do uso b\u00e9lico da energia nuclear voltam a assombrar o mundo. N\u00e3o est\u00e1 descartada a possibilidade de uma fal\u00eancia generalizada das sociedades humanas, j\u00e1 projetada em nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes por algum filme de Hollywood.<br><br>A ind\u00fastria cultural estadunidense, consolidada ao longo do s\u00e9culo XX, segue no s\u00e9culo XXI moldando nossa mem\u00f3ria, nossos desejos e oferecendo sentido a um mundo cada vez mais in\u00f3spito; oferece, tamb\u00e9m, cr\u00edtica e autocr\u00edtica. Exporta seu modelo de neg\u00f3cios e \u00e9 replicada em outras partes do mundo, como na \u00cdndia ou na Coreia do Sul. Captura dissid\u00eancias, as embala, exibe e vende. \u00c0s vezes, por\u00e9m, uma das muitas vozes insubmissas que circulam em seus pr\u00f3prios circuitos apropria-se das ferramentas com as quais essa ind\u00fastria promove o apagamento daqueles que desafiam o modo de vida estadunidense. Essas vozes obrigam o mundo a reconhecer outras exist\u00eancias, outras hist\u00f3rias, outros protagonismos. \u00c9 o caso de Bad Bunny.<br><br><strong>Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos<\/strong><br>Em janeiro de 2025, o cantor porto-riquenho Bad Bunny lan\u00e7ou o \u00e1lbum <em>Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos<\/em>, com o qual interveio de in\u00fameras maneiras no debate p\u00fablico. J\u00e1 na capa, uma cena simples, mas repleta de sentidos: duas cadeiras monobloco e uma mata ao fundo, onde se v\u00ea uma bananeira; a imagem, aparentemente despretensiosa, dialoga com bilh\u00f5es de pessoas. Discutindo as \u201ccadeiras monobloco\u201d, o canal Normose publicou um v\u00eddeo no Instagram, no qual populares de diversos pa\u00edses do Sul Global olhavam a imagem do \u00e1lbum de Bad Bunny e afirmavam que tais cadeiras fazia-os lembrar dos quintais de suas casas, de momentos de confraterniza\u00e7\u00e3o, de um sentido de comunidade e afeto. J\u00e1 para os entrevistados europeus, elas nada diziam.\u00a0<br><br>No contexto do \u00e1lbum, a imagem tamb\u00e9m remete \u00e0 aus\u00eancia, j\u00e1 que as cadeiras est\u00e3o vazias, as pessoas se foram. Tais temas s\u00e3o tratados em <em>DTMF<\/em>, faixa-t\u00edtulo do \u00e1lbum, que soa como um lamento arrependido de quem ficou e n\u00e3o expressou suficientemente seu afeto, desejando mais registros de um tempo vivido em comum com quem partiu.\u00a0<br><br>Um segundo aspecto a ser destacado no \u00e1lbum foi o lan\u00e7amento, em 4 de julho de 2025 (dia em que se comemora a independ\u00eancia dos EUA), do videoclipe da can\u00e7\u00e3o <em>NUEVAYoL<\/em>. A certa altura do v\u00eddeo, um grupo de pessoas aparece reunido em torno de um r\u00e1dio em que Donald Trump pede desculpas e afirma que \u201ceste pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 nada sem os imigrantes\u201d. Pouco tempo depois, o cantor foi convidado para fazer o show do intervalo no Super Bowl, em 2026, um dos mais importantes eventos do calend\u00e1rio esportivo estadunidense. Trump, por sua vez, reagiu a isso, dizendo que \u201cNunca ouvi falar dele. Eu n\u00e3o sei quem ele \u00e9. Eu n\u00e3o sei por que est\u00e3o fazendo isso, \u00e9 uma loucura (&#8230;)\u201d. J\u00e1 Corey Lewandowski, assessor do Departamento de Seguran\u00e7a, qualificou como \u201cvergonhosa\u201d a escolha do artista porto-riquenho e amea\u00e7ou os migrantes: \u201cN\u00e3o existe nenhum lugar onde se possa oferecer ref\u00fagio a pessoas que est\u00e3o neste pa\u00eds ilegalmente \u2014 nem no Super Bowl, nem em qualquer outro lugar. N\u00f3s vamos encontrar voc\u00eas. N\u00f3s vamos prend\u00ea-los. N\u00f3s vamos coloc\u00e1-los em um centro de deten\u00e7\u00e3o e n\u00f3s vamos deport\u00e1-los.\u201d<br><br>Os Estados Unidos foram exclu\u00eddos da turn\u00ea mundial de <em>Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos<\/em>, n\u00e3o apenas como resposta \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de Trump e Lewandowski, mas visando impedir que o p\u00fablico migrante eventualmente seja capturado pelo ICE (<em>Immigration and Customs Enforcement<\/em>), cujas imagens das batidas em massa em locais de trabalho e bairros populares ficaram famosas na <em>Internet<\/em>. Esse \u00f3rg\u00e3o promove cada vez mais pris\u00f5es de pessoas sem antecedentes e deporta\u00e7\u00f5es, protagonizando grotescos espet\u00e1culos da xenofobia imperial. O efeito colateral da exclus\u00e3o dos EUA foi o incremento dos shows em Porto Rico, que\u00a0 tiveram um efeito importante sobre o turismo na ilha. Segundo a Rolling Stone Brasil, a turn\u00ea de Bad Bunny gerou centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares em receitas diretas e indiretas, em um per\u00edodo de baixa temporada, al\u00e9m de reposicionar San Juan como palco de grandes eventos culturais internacionais. O gr\u00e1fico a seguir demonstra o chamado \u201cefeito Bad Bunny\u201d:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"608\" src=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2026\/01\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13356\" srcset=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2026\/01\/image.png 1000w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2026\/01\/image-300x182.png 300w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2026\/01\/image-768x467.png 768w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2026\/01\/image-205x125.png 205w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2026\/01\/image-480x292.png 480w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Busca de voos para Porto Rico ap\u00f3s an\u00fancio da turn\u00ea de Bad Bunny<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-2f0255cbfc022d50ae55cba199e287e6\">A retirada dos Estados Unidos do roteiro da turn\u00ea como resposta \u00e0 viol\u00eancia institucional que paira sobre uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o que habita os Estados Unidos, seja ela migrante ou n\u00e3o, teve como efeito \u201ccolateral\u201d trazer visibilidade \u00e0 Porto Rico, incrementando o turismo.\u00a0<br><br><strong>Bad Bunny e a resist\u00eancia cultural caribenha<\/strong><br>Bad Bunny \u00e9 o primeiro artista porto-riquenho da gera\u00e7\u00e3o Z a alcan\u00e7ar o status de estrela global, fazendo sua entrada em cena profundamente conectado \u00e0s formas de comunica\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI. Antes de se tornar presen\u00e7a constante nas r\u00e1dios e na televis\u00e3o convencionais, construiu sua proje\u00e7\u00e3o a partir das plataformas digitais, alcan\u00e7ando grande circula\u00e7\u00e3o, inicialmente no iCloud e em redes de compartilhamento online, em uma trajet\u00f3ria marcada pelo uso de novos circuitos de difus\u00e3o cultural. Sua apari\u00e7\u00e3o e performances questionam\u00a0 o estere\u00f3tipo de uma gera\u00e7\u00e3o ap\u00e1tica e alienada, consolidando-se como autor de uma obra que difunde e atualiza os dilemas da exist\u00eancia insular em torno do imp\u00e9rio, onde est\u00e3o articuladas experi\u00eancia cotidiana, colonialidade e pertencimento. Sua performance n\u00e3o se dissocia do que enuncia em suas can\u00e7\u00f5es, mantendo coer\u00eancia entre a obra e a persona p\u00fablica.<br><br>Como visto com suas performances, o artista porto-riquenho vai muito al\u00e9m da m\u00fasica, expressando uma forma complexa de resist\u00eancia cultural. Mas, al\u00e9m das dimens\u00f5es mencionadas neste texto, o fundamental da obra, as can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum DTMF, divulgam a hist\u00f3ria de Porto Rico em perspectiva cr\u00edtica, refletido sobre mem\u00f3rias, perdas, deslocamentos, viol\u00eancias e resist\u00eancias, em letras que abordam o turismo predat\u00f3rio, a gentrifica\u00e7\u00e3o, a migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, a viol\u00eancia colonial e a precariza\u00e7\u00e3o da vida sob o neoliberalismo. Esses temas \u00e0s vezes\u00a0 s\u00e3o abordados de forma direta e, em outras, por meio de met\u00e1foras, quase sempre dialogando\u00a0 com processos vividos em outras partes da Am\u00e9rica Latina. Trata-se de uma obra que ajuda a compreender os dilemas presentes do povo latino-americano,\u00a0 pelas lentes e ouvidos caribenhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Patricia Mechi<br>Professora da Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias<br><a href=\"https:\/\/www.bloomberglinea.com.br\/estilo-de-vida\/efeito-bad-bunny-turne-movimenta-us-181-milhoes-e-aquece-turismo-em-porto-rico\/\">https:\/\/www.bloomberglinea.com.br\/estilo-de-vida\/efeito-bad-bunny-turne-movimenta-us-181-milhoes-e-aquece-turismo-em-porto-rico\/<\/a><br><a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/quanto-dinheiro-os-shows-de-bad-bunny-realmente-geraram-para-porto-rico\/\">https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/quanto-dinheiro-os-shows-de-bad-bunny-realmente-geraram-para-porto-rico\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estados Unidos, trumpismo e reconfigura\u00e7\u00e3o do poder globalHoje, a ideia de que os Estados Unidos s\u00e3o um agressivo imp\u00e9rio em decad\u00eancia, antes restrita a alguns c\u00edrculos acad\u00eamicos, jornal\u00edsticos ou pol\u00edticos, alcan\u00e7ou um p\u00fablico mais amplo e passou a ser objeto de reflex\u00e3o, tanto na grande m\u00eddia quanto em ve\u00edculos alternativos, especialmente ap\u00f3s os ataques \u00e0 Venezuela e as amea\u00e7as a outras na\u00e7\u00f5es latino-americanas. Em sociedades treinadas pelas narrativas apocal\u00edpticas da ind\u00fastria cultural a aguardar a salva\u00e7\u00e3o do planeta por algum caub\u00f3i \u201camericano\u201d, sempre amea\u00e7ado por todo tipo de invasores, a percep\u00e7\u00e3o da decad\u00eancia torna-se mais v\u00edvida quando esse personagem passa a ser emulado por Donald Trump. Ele encarna os desejos de exterm\u00ednio de uma parte da sociedade, que quer ver aniquilados os \u201coutros\u201d, culpabilizados por todas as mazelas produzidas pelo modo de ser do capitalismo e do conservadorismo estadunidense. 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A ind\u00fastria cultural estadunidense, consolidada ao longo do s\u00e9culo XX, segue no s\u00e9culo XXI moldando nossa mem\u00f3ria, nossos desejos e oferecendo sentido a um mundo cada vez mais in\u00f3spito; oferece, tamb\u00e9m, cr\u00edtica e autocr\u00edtica. Exporta seu modelo de neg\u00f3cios e \u00e9 replicada em outras partes do mundo, como na \u00cdndia ou na Coreia do Sul. Captura dissid\u00eancias, as embala, exibe e vende. \u00c0s vezes, por\u00e9m, uma das muitas vozes insubmissas que circulam em seus pr\u00f3prios circuitos apropria-se das ferramentas com as quais essa ind\u00fastria promove o apagamento daqueles que desafiam o modo de vida estadunidense. Essas vozes obrigam o mundo a reconhecer outras exist\u00eancias, outras hist\u00f3rias, outros protagonismos. \u00c9 o caso de Bad Bunny. Deb\u00ed Tirar M\u00e1s FotosEm janeiro de 2025, o cantor porto-riquenho Bad Bunny lan\u00e7ou o \u00e1lbum Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos, com o qual interveio de in\u00fameras maneiras no debate p\u00fablico. J\u00e1 na capa, uma cena simples, mas repleta de sentidos: duas cadeiras monobloco e uma mata ao fundo, onde se v\u00ea uma bananeira; a imagem, aparentemente despretensiosa, dialoga com bilh\u00f5es de pessoas. Discutindo as \u201ccadeiras monobloco\u201d, o canal Normose publicou um v\u00eddeo no Instagram, no qual populares de diversos pa\u00edses do Sul Global olhavam a imagem do \u00e1lbum de Bad Bunny e afirmavam que tais cadeiras fazia-os lembrar dos quintais de suas casas, de momentos de confraterniza\u00e7\u00e3o, de um sentido de comunidade e afeto. J\u00e1 para os entrevistados europeus, elas nada diziam.\u00a0 No contexto do \u00e1lbum, a imagem tamb\u00e9m remete \u00e0 aus\u00eancia, j\u00e1 que as cadeiras est\u00e3o vazias, as pessoas se foram. Tais temas s\u00e3o tratados em DTMF, faixa-t\u00edtulo do \u00e1lbum, que soa como um lamento arrependido de quem ficou e n\u00e3o expressou suficientemente seu afeto, desejando mais registros de um tempo vivido em comum com quem partiu.\u00a0 Um segundo aspecto a ser destacado no \u00e1lbum foi o lan\u00e7amento, em 4 de julho de 2025 (dia em que se comemora a independ\u00eancia dos EUA), do videoclipe da can\u00e7\u00e3o NUEVAYoL. A certa altura do v\u00eddeo, um grupo de pessoas aparece reunido em torno de um r\u00e1dio em que Donald Trump pede desculpas e afirma que \u201ceste pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 nada sem os imigrantes\u201d. Pouco tempo depois, o cantor foi convidado para fazer o show do intervalo no Super Bowl, em 2026, um dos mais importantes eventos do calend\u00e1rio esportivo estadunidense. Trump, por sua vez, reagiu a isso, dizendo que \u201cNunca ouvi falar dele. Eu n\u00e3o sei quem ele \u00e9. 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Deb\u00ed Tirar M\u00e1s FotosEm janeiro de 2025, o cantor porto-riquenho Bad Bunny lan\u00e7ou o \u00e1lbum Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos, com o qual interveio de in\u00fameras maneiras no debate p\u00fablico. J\u00e1 na capa, uma cena simples, mas repleta de sentidos: duas cadeiras monobloco e uma mata ao fundo, onde se v\u00ea uma bananeira; a imagem, aparentemente despretensiosa, dialoga com bilh\u00f5es de pessoas. Discutindo as \u201ccadeiras monobloco\u201d, o canal Normose publicou um v\u00eddeo no Instagram, no qual populares de diversos pa\u00edses do Sul Global olhavam a imagem do \u00e1lbum de Bad Bunny e afirmavam que tais cadeiras fazia-os lembrar dos quintais de suas casas, de momentos de confraterniza\u00e7\u00e3o, de um sentido de comunidade e afeto. J\u00e1 para os entrevistados europeus, elas nada diziam.\u00a0 No contexto do \u00e1lbum, a imagem tamb\u00e9m remete \u00e0 aus\u00eancia, j\u00e1 que as cadeiras est\u00e3o vazias, as pessoas se foram. Tais temas s\u00e3o tratados em DTMF, faixa-t\u00edtulo do \u00e1lbum, que soa como um lamento arrependido de quem ficou e n\u00e3o expressou suficientemente seu afeto, desejando mais registros de um tempo vivido em comum com quem partiu.\u00a0 Um segundo aspecto a ser destacado no \u00e1lbum foi o lan\u00e7amento, em 4 de julho de 2025 (dia em que se comemora a independ\u00eancia dos EUA), do videoclipe da can\u00e7\u00e3o NUEVAYoL. A certa altura do v\u00eddeo, um grupo de pessoas aparece reunido em torno de um r\u00e1dio em que Donald Trump pede desculpas e afirma que \u201ceste pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 nada sem os imigrantes\u201d. Pouco tempo depois, o cantor foi convidado para fazer o show do intervalo no Super Bowl, em 2026, um dos mais importantes eventos do calend\u00e1rio esportivo estadunidense. Trump, por sua vez, reagiu a isso, dizendo que \u201cNunca ouvi falar dele. Eu n\u00e3o sei quem ele \u00e9. Eu n\u00e3o sei por que est\u00e3o fazendo isso, \u00e9 uma loucura (&#8230;)\u201d. J\u00e1 Corey Lewandowski, assessor do Departamento de Seguran\u00e7a, qualificou como \u201cvergonhosa\u201d a escolha do artista porto-riquenho e amea\u00e7ou os migrantes: \u201cN\u00e3o existe nenhum lugar onde se possa oferecer ref\u00fagio a pessoas que est\u00e3o neste pa\u00eds ilegalmente \u2014 nem no Super Bowl, nem em qualquer outro lugar. N\u00f3s vamos encontrar voc\u00eas. N\u00f3s vamos prend\u00ea-los. N\u00f3s vamos coloc\u00e1-los em um centro de deten\u00e7\u00e3o e n\u00f3s vamos deport\u00e1-los.\u201d Os Estados Unidos foram exclu\u00eddos da turn\u00ea mundial de Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos, n\u00e3o apenas como resposta \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de Trump e Lewandowski, mas visando impedir que o p\u00fablico migrante eventualmente seja capturado pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement), cujas imagens das batidas em massa em locais de trabalho e bairros populares ficaram famosas na Internet. Esse \u00f3rg\u00e3o promove cada vez mais pris\u00f5es de pessoas sem antecedentes e deporta\u00e7\u00f5es, protagonizando grotescos espet\u00e1culos da xenofobia imperial. O efeito colateral da exclus\u00e3o dos EUA foi o incremento dos shows em Porto Rico, que\u00a0 tiveram um efeito importante sobre o turismo na ilha. Segundo a Rolling Stone Brasil, a turn\u00ea de Bad Bunny gerou centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares em receitas diretas e indiretas, em um per\u00edodo de baixa temporada, al\u00e9m de reposicionar San Juan como palco de grandes eventos culturais internacionais. O gr\u00e1fico a seguir demonstra o chamado \u201cefeito Bad Bunny\u201d: A retirada dos Estados Unidos do roteiro da turn\u00ea como resposta \u00e0 viol\u00eancia institucional que paira sobre uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o que habita os Estados Unidos, seja ela migrante ou n\u00e3o, teve como efeito \u201ccolateral\u201d trazer visibilidade \u00e0 Porto Rico, incrementando o turismo.\u00a0 Bad Bunny e a resist\u00eancia cultural caribenhaBad Bunny \u00e9 o primeiro artista porto-riquenho da gera\u00e7\u00e3o Z a alcan\u00e7ar o status de estrela global, fazendo sua entrada em cena profundamente conectado \u00e0s formas de comunica\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI. Antes de se tornar presen\u00e7a constante nas r\u00e1dios e na televis\u00e3o convencionais, construiu sua proje\u00e7\u00e3o a partir das plataformas digitais, alcan\u00e7ando grande circula\u00e7\u00e3o, inicialmente no iCloud e em redes de compartilhamento online, em uma trajet\u00f3ria marcada pelo uso\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/2026\/02\/02\/geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal Internacional: a internacionaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior na Unila\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-02-02T18:13:12+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-02-02T20:28:24+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2026\/01\/GEOPOLITICA-E-INDUSTRIA-CULTURAL_-BAD-BUNNY-X-TRUMP.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"799\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"533\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"editorial\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"editorial\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"7 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2026\\\/02\\\/02\\\/geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2026\\\/02\\\/02\\\/geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"editorial\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/878ec25d928b80883702c7a57253cf1e\"},\"headline\":\"Geopol\u00edtica e Ind\u00fastria Cultural: Bad Bunny x Trump\",\"datePublished\":\"2026-02-02T18:13:12+00:00\",\"dateModified\":\"2026-02-02T20:28:24+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2026\\\/02\\\/02\\\/geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump\\\/\"},\"wordCount\":1381,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2026\\\/02\\\/02\\\/geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/wp-content\\\/uploads\\\/sites\\\/48\\\/2026\\\/01\\\/GEOPOLITICA-E-INDUSTRIA-CULTURAL_-BAD-BUNNY-X-TRUMP.png\",\"keywords\":[\"Patricia Mechi\"],\"articleSection\":[\"Geopol\u00edtica\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2026\\\/02\\\/02\\\/geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/divulga.unila.edu.br\\\/internacional\\\/2026\\\/02\\\/02\\\/geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump\\\/\",\"name\":\"Geopol\u00edtica e Ind\u00fastria Cultural: Bad Bunny x Trump - 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Deb\u00ed Tirar M\u00e1s FotosEm janeiro de 2025, o cantor porto-riquenho Bad Bunny lan\u00e7ou o \u00e1lbum Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos, com o qual interveio de in\u00fameras maneiras no debate p\u00fablico. J\u00e1 na capa, uma cena simples, mas repleta de sentidos: duas cadeiras monobloco e uma mata ao fundo, onde se v\u00ea uma bananeira; a imagem, aparentemente despretensiosa, dialoga com bilh\u00f5es de pessoas. Discutindo as \u201ccadeiras monobloco\u201d, o canal Normose publicou um v\u00eddeo no Instagram, no qual populares de diversos pa\u00edses do Sul Global olhavam a imagem do \u00e1lbum de Bad Bunny e afirmavam que tais cadeiras fazia-os lembrar dos quintais de suas casas, de momentos de confraterniza\u00e7\u00e3o, de um sentido de comunidade e afeto. J\u00e1 para os entrevistados europeus, elas nada diziam.\u00a0 No contexto do \u00e1lbum, a imagem tamb\u00e9m remete \u00e0 aus\u00eancia, j\u00e1 que as cadeiras est\u00e3o vazias, as pessoas se foram. Tais temas s\u00e3o tratados em DTMF, faixa-t\u00edtulo do \u00e1lbum, que soa como um lamento arrependido de quem ficou e n\u00e3o expressou suficientemente seu afeto, desejando mais registros de um tempo vivido em comum com quem partiu.\u00a0 Um segundo aspecto a ser destacado no \u00e1lbum foi o lan\u00e7amento, em 4 de julho de 2025 (dia em que se comemora a independ\u00eancia dos EUA), do videoclipe da can\u00e7\u00e3o NUEVAYoL. A certa altura do v\u00eddeo, um grupo de pessoas aparece reunido em torno de um r\u00e1dio em que Donald Trump pede desculpas e afirma que \u201ceste pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 nada sem os imigrantes\u201d. Pouco tempo depois, o cantor foi convidado para fazer o show do intervalo no Super Bowl, em 2026, um dos mais importantes eventos do calend\u00e1rio esportivo estadunidense. Trump, por sua vez, reagiu a isso, dizendo que \u201cNunca ouvi falar dele. Eu n\u00e3o sei quem ele \u00e9. Eu n\u00e3o sei por que est\u00e3o fazendo isso, \u00e9 uma loucura (&#8230;)\u201d. J\u00e1 Corey Lewandowski, assessor do Departamento de Seguran\u00e7a, qualificou como \u201cvergonhosa\u201d a escolha do artista porto-riquenho e amea\u00e7ou os migrantes: \u201cN\u00e3o existe nenhum lugar onde se possa oferecer ref\u00fagio a pessoas que est\u00e3o neste pa\u00eds ilegalmente \u2014 nem no Super Bowl, nem em qualquer outro lugar. N\u00f3s vamos encontrar voc\u00eas. N\u00f3s vamos prend\u00ea-los. N\u00f3s vamos coloc\u00e1-los em um centro de deten\u00e7\u00e3o e n\u00f3s vamos deport\u00e1-los.\u201d Os Estados Unidos foram exclu\u00eddos da turn\u00ea mundial de Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos, n\u00e3o apenas como resposta \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de Trump e Lewandowski, mas visando impedir que o p\u00fablico migrante eventualmente seja capturado pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement), cujas imagens das batidas em massa em locais de trabalho e bairros populares ficaram famosas na Internet. Esse \u00f3rg\u00e3o promove cada vez mais pris\u00f5es de pessoas sem antecedentes e deporta\u00e7\u00f5es, protagonizando grotescos espet\u00e1culos da xenofobia imperial. O efeito colateral da exclus\u00e3o dos EUA foi o incremento dos shows em Porto Rico, que\u00a0 tiveram um efeito importante sobre o turismo na ilha. Segundo a Rolling Stone Brasil, a turn\u00ea de Bad Bunny gerou centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares em receitas diretas e indiretas, em um per\u00edodo de baixa temporada, al\u00e9m de reposicionar San Juan como palco de grandes eventos culturais internacionais. O gr\u00e1fico a seguir demonstra o chamado \u201cefeito Bad Bunny\u201d: A retirada dos Estados Unidos do roteiro da turn\u00ea como resposta \u00e0 viol\u00eancia institucional que paira sobre uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o que habita os Estados Unidos, seja ela migrante ou n\u00e3o, teve como efeito \u201ccolateral\u201d trazer visibilidade \u00e0 Porto Rico, incrementando o turismo.\u00a0 Bad Bunny e a resist\u00eancia cultural caribenhaBad Bunny \u00e9 o primeiro artista porto-riquenho da gera\u00e7\u00e3o Z a alcan\u00e7ar o status de estrela global, fazendo sua entrada em cena profundamente conectado \u00e0s formas de comunica\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI. Antes de se tornar presen\u00e7a constante nas r\u00e1dios e na televis\u00e3o convencionais, construiu sua proje\u00e7\u00e3o a partir das plataformas digitais, alcan\u00e7ando grande circula\u00e7\u00e3o, inicialmente no iCloud e em redes de compartilhamento online, em uma trajet\u00f3ria marcada pelo uso","og_url":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/2026\/02\/02\/geopolitica-e-industria-cultural-bad-bunny-x-trump\/","og_site_name":"Portal Internacional: a internacionaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior na Unila","article_published_time":"2026-02-02T18:13:12+00:00","article_modified_time":"2026-02-02T20:28:24+00:00","og_image":[{"width":799,"height":533,"url":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2026\/01\/GEOPOLITICA-E-INDUSTRIA-CULTURAL_-BAD-BUNNY-X-TRUMP.png","type":"image\/png"}],"author":"editorial","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"editorial","Est. tempo de leitura":"7 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