{"id":13348,"date":"2026-01-12T17:26:37","date_gmt":"2026-01-12T20:26:37","guid":{"rendered":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/?p=13348"},"modified":"2026-02-03T20:08:56","modified_gmt":"2026-02-03T23:08:56","slug":"todos-os-caminhos-levam-a-integracao-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/internacional\/2026\/01\/12\/todos-os-caminhos-levam-a-integracao-regional\/","title":{"rendered":"Todos os caminhos levam \u00e0 integra\u00e7\u00e3o regional"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-4123121b51ec7d9f948800fff52fce83\">O sonho da integra\u00e7\u00e3o, na regi\u00e3o trinacional mais populosa das Am\u00e9ricas, vem percorrendo um longo caminho, composto por muitas etapas. Dois importantes momentos foram, certamente, a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Amizade (1956-1965) e a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Itaipu Binacional (1974-1984). Ambas grandiosas obras de engenharia, respondiam ao modelo de integra\u00e7\u00e3o desenvolvimentista pr\u00f3prio da \u00e9poca. Naquele per\u00edodo, tanto o Brasil como o Paraguai, sob regimes ditatoriais, visavam os aspectos econ\u00f4micos da coopera\u00e7\u00e3o, minimizando os impactos culturais, sociais e ambientais decorrentes de tais projetos.<br><br>Com o retorno da democracia, o entendimento sobre a integra\u00e7\u00e3o regional se altera e abre espa\u00e7o para novas pol\u00edticas p\u00fablicas que ampliam seu escopo e trazem a marca da coopera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e solid\u00e1ria. Quase 60 anos depois dos primeiros passos para a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Amizade e da assinatura do Tratado de Itaipu, em 2010 \u00e9 fundada, em Foz do Igua\u00e7u,&nbsp; a Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA), no local onde anteriormente viviam os barrageiros \u2013 oper\u00e1rios construtores da barragem do lado brasileiro de Itaipu. Rodeada pela biodiversidade remanescente da mata atl\u00e2ntica, com o Parque Nacional do Igua\u00e7u, a UNILA est\u00e1 localizada em uma cidade pluricultural, conectada \u00e0 Argentina pela Ponte da Fraternidade e ao Paraguai pela Ponte da Amizade e pela rec\u00e9m inaugurada Ponte da Integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-f96836dba6f18f2a0ff6f52a8bd01699\">Esta universidade, aberta para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, \u00e9 parte do sonho da integra\u00e7\u00e3o regional que anteriormente ainda n\u00e3o tinha este nome, mas j\u00e1 habitava o imagin\u00e1rio dos nossos antepassados. Basta pensar no <em>caminho de Peabiru<\/em>,\u00a0 interligando oceanos e rotas entre o mundo inca e o guarani; em <em>Nuestra Am\u00e9rica<\/em>, do cubano Jos\u00e9 Mart\u00ed ou na <em>Patria Grande<\/em>, do venezuelano Sim\u00f3n Bol\u00edvar, entre tantos outros projetos de pensadores(as), artistas e revolucion\u00e1rios(as) que cruzaram nosso continente sonhando com a integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-e262f9fdecd810229c72b85722372c7b\">Este mesmo sonho se atualiza, novamente, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, quando j\u00e1 se avistava o final da obra de constru\u00e7\u00e3o da barragem, e v\u00e1rios intelectuais, entidades civis, atores pol\u00edticos e sociais da cidade de Foz do Igua\u00e7u come\u00e7avam a se preocupar com o futuro do desenvolvimento local e a sua emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Segundo publica\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, de 25 de maio de 1982, \u201ca cria\u00e7\u00e3o de uma universidade latino-americana, com in\u00fameros cursos t\u00e9cnicos, \u00e9 a primeira ideia de empres\u00e1rios, pol\u00edticos, diplomatas e estudantes da regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u, ante a amea\u00e7a de esvaziamento econ\u00f4mico da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-0871c319fc204f95aad7625cea8bd713\">Em 28 de maio do mesmo ano, o jornal ABC Color, de Assun\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m divulgava a iniciativa e afirmava que \u201cdiversos sectores de la poblaci\u00f3n de Foz y de Presidente Stroessner (atualmente Ciudad del Este) est\u00e1n pensando llevar adelante el proyecto de creaci\u00f3n de la ciudad universitaria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-fc3efb4801f5d069b603f3917c72d6f8\">O que aconteceria com as in\u00fameras estruturas e edifica\u00e7\u00f5es levantadas dos dois lados da fronteira, para erguimento da Usina? Como a rec\u00e9m-criada hidrel\u00e9trica poderia chegar a compensar os danos ambientais e sociais causados pela sua constru\u00e7\u00e3o? Como seria poss\u00edvel minimizar seus \u201creflexos negativos\u201d para a popula\u00e7\u00e3o local? Uma ideia que prosperou foi, justamente, a de utilizar as edifica\u00e7\u00f5es que ficariam esvaziadas para abrigar uma cidade universit\u00e1ria em ambos os lados da fronteira, unida pela Ponte da Amizade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-2a418c91422c470ea7a8f59ba1b73c33\">Em agosto de 1981, a Folha do Oeste do Paran\u00e1 divulgava a proposta, apresentada em Curitiba em uma \u201creuni\u00e3o de alto n\u00edvel\u201d, de transformar a Vila A, em Foz do Igua\u00e7u, em uma cidade universit\u00e1ria, \u201conde abrigaria estudantes do Brasil \u2013 Argentina \u2013 Paraguai e outros pa\u00edses. A ideia seria atrair milhares e milhares de estudantes de toda a Am\u00e9rica para preencher o vazio que teremos ap\u00f3s o t\u00e9rmino da obra.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-644af256935004d24afe966d4e3665bc\">A partir desta apresenta\u00e7\u00e3o em Curitiba, uma comiss\u00e3o de trabalho foi formada e a ideia foi sendo ampliada e ganhando ades\u00e3o em diversos setores da sociedade local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-2bb415e8a72fb73e71c8274434f5222b\">Naquele momento, o projeto ent\u00e3o denominado \u201cUniversidade Latino-Americana\u201d, \u201cCentro Interamericano de Estudos e Pesquisas\u201d ou \u201cCentro Tecnol\u00f3gico Latino-Americano\u201d, pela Comiss\u00e3o Provis\u00f3ria composta por atores brasileiros e paraguaios, d\u00e1 o pontap\u00e9 inicial a um longo processo que levaria muito mais do que dez anos, na verdade quase 30 anos, para se concretizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-c090cd7b43ed440661075e79819520b1\">A C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Brasil-Paraguai foi uma inst\u00e2ncia importante na circula\u00e7\u00e3o dessas ideias, inclusive na tentativa de envolvimento do lado paraguaio, buscando apoio junto ao Governador do Alto Paran\u00e1 e, posteriormente, em 1996, junto ao pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica do Paraguai, para a implanta\u00e7\u00e3o em Hernandarias de uma cidade universit\u00e1ria, instigando o poder paraguaio a seguir na mesma dire\u00e7\u00e3o: o aproveitamento das edifica\u00e7\u00f5es utilizadas durante o processo de constru\u00e7\u00e3o de Itaipu. Para Hernandarias a proposta visava a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cCentro Latino-Americano de Cultura\u201d, denominado de \u201cCasa de Roa Bastos\u201d, projetando, de forma muito contundente, uma vincula\u00e7\u00e3o marcada pela complementaridade entre ambos os espa\u00e7os \u2013 Hernandarias e Foz do Igua\u00e7u \u2013\u00a0 para a cria\u00e7\u00e3o da \u201cUniversidade das Am\u00e9ricas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-01aece038a9b05902778caf2bd1196ba\">Em 09\/08\/96, a Itaipu Binacional publica, por meio de sua assessoria de imprensa, a not\u00edcia de que doaria 14 alqueires para a constru\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o chamada \u201cUniversidade das Am\u00e9ricas\u201d, para que o governo do Estado do Paran\u00e1 executasse a sua instala\u00e7\u00e3o: \u201cO complexo formado por alojamentos, dois refeit\u00f3rios, lavanderia e parque esportivo, al\u00e9m de uma \u00e1rea de treinamento, utilizado pelos oper\u00e1rios que trabalharam na constru\u00e7\u00e3o da Usina.\u201d O an\u00fancio termina dizendo que \u201ccom a Universidade das Am\u00e9ricas, o governo do Estado pretende criar um centro de excel\u00eancia voltado para o desenvolvimento cient\u00edfico-cultural do Mercosul.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-614847173888804786d1104597133f0e\">Foi necess\u00e1rio esperar d\u00e9cadas para que a UNILA fosse criada, em 2010, no segundo governo do Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. O projeto de cria\u00e7\u00e3o da UNILA, por um lado, integrava as pol\u00edticas de amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior do Governo Federal; por outro, se constitu\u00eda como uma pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o inovadora, baseada na emancipa\u00e7\u00e3o cultural, cient\u00edfica, pol\u00edtica e econ\u00f4mica da regi\u00e3o. Voltada n\u00e3o apenas ao desenvolvimento econ\u00f4mico, a UNILA idealizada naquele momento unia a interioriza\u00e7\u00e3o e a internacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior ao car\u00e1ter popular e cr\u00edtico de uma nova vis\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o regional vinculada \u00e0 fronteira nacional. Portanto, em 2010 a universidade finalmente deixa de ser uma boa ideia e passa a ser realidade para a sociedade local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-a25d9f914ee97ba9ae22dcb7b03ed576\">Revisitar essa hist\u00f3ria demonstra que a UNILA \u00e9 fruto de um longo caminho, composto por muitas fases e pavimentado por muitas pessoas, movimentos e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Foram muitas mentes e cora\u00e7\u00f5es embalando este sonho, para que ele se tornasse realidade. Foi necess\u00e1ria muita vontade pol\u00edtica e disponibiliza\u00e7\u00e3o de recursos financeiros para dar forma a um projeto t\u00e3o inovador e ousado. E esta forma, moldada pelas m\u00e3os do c\u00e9lebre arquiteto Oscar Niemeyer \u2013 tamb\u00e9m ele um sonhador da integra\u00e7\u00e3o dos povos latino-americanos \u2013 j\u00e1 desponta no horizonte de Foz do Igua\u00e7u, contribuindo para a consolida\u00e7\u00e3o da universidade e trazendo in\u00fameros benef\u00edcios para a economia, a cultura e a educa\u00e7\u00e3o local e regional. Vale lembrar que o investimento nesta obra, nosso Campus Arandu, expressa o reconhecimento e a valoriza\u00e7\u00e3o do papel social da universidade p\u00fablica e demonstra a import\u00e2ncia geopol\u00edtica de Foz do Igua\u00e7u e regi\u00e3o trinacional, pois certamente ser\u00e1 um atrativo tur\u00edstico e cultural para mobilizar ainda mais a sua voca\u00e7\u00e3o de \u201ccora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-9803a6d7c67293ff3445c2514d072d82\">Hoje a UNILA tem mais de cinco mil estudantes, de mais de trinta nacionalidades, e vive um momento de consolida\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o de suas atividades de ensino, pesquisa, extens\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. Com a retomada das pol\u00edticas voltadas ao projeto de integra\u00e7\u00e3o regional, dentro e fora da universidade, a UNILA confirma a voca\u00e7\u00e3o desta regi\u00e3o fronteiri\u00e7a, de ser um cora\u00e7\u00e3o pulsando conhecimento, cultura e tecnologia para toda a Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-07fee598203c3013327d201a992cf5ac\">A UNILA \u00e9 parte fundamental da hist\u00f3ria de Foz do Igua\u00e7u e da fronteira trinacional. E vem para projet\u00e1-la ainda mais como espa\u00e7o de trocas e interc\u00e2mbios, de sinergia e inova\u00e7\u00e3o, de coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade. Esta universidade, reconhecida como pol\u00edtica p\u00fablica para a integra\u00e7\u00e3o regional em duas c\u00fapulas da CELAC (em 2011 pela Presidenta Dilma Rousseff e em 2025 por Lucia Pellanda, representando o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o) vem para estabelecer um novo paradigma educacional, voltado ao fortalecimento da soberania do bloco e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma cidadania regional.\u00a0 Nos \u00faltimos anos, a UNILA vem ocupando seu lugar de pol\u00edtica p\u00fablica educacional para a integra\u00e7\u00e3o regional e o bem comum dos povos latino-americanos e caribenhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-palette-color-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-352ead4ed7bfd9e1b242a0f7c56121e4\"><strong>Por Diana Araujo Pereira<br>Professora e Reitora da Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sonho da integra\u00e7\u00e3o, na regi\u00e3o trinacional mais populosa das Am\u00e9ricas, vem percorrendo um longo caminho, composto por muitas etapas. Dois importantes momentos foram, certamente, a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Amizade (1956-1965) e a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Itaipu Binacional (1974-1984). Ambas grandiosas obras de engenharia, respondiam ao modelo de integra\u00e7\u00e3o desenvolvimentista pr\u00f3prio da \u00e9poca. Naquele per\u00edodo, tanto o Brasil como o Paraguai, sob regimes ditatoriais, visavam os aspectos econ\u00f4micos da coopera\u00e7\u00e3o, minimizando os impactos culturais, sociais e ambientais decorrentes de tais projetos. Com o retorno da democracia, o entendimento sobre a integra\u00e7\u00e3o regional se altera e abre espa\u00e7o para novas pol\u00edticas p\u00fablicas que ampliam seu escopo e trazem a marca da coopera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e solid\u00e1ria. Quase 60 anos depois dos primeiros passos para a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Amizade e da assinatura do Tratado de Itaipu, em 2010 \u00e9 fundada, em Foz do Igua\u00e7u,&nbsp; a Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA), no local onde anteriormente viviam os barrageiros \u2013 oper\u00e1rios construtores da barragem do lado brasileiro de Itaipu. Rodeada pela biodiversidade remanescente da mata atl\u00e2ntica, com o Parque Nacional do Igua\u00e7u, a UNILA est\u00e1 localizada em uma cidade pluricultural, conectada \u00e0 Argentina pela Ponte da Fraternidade e ao Paraguai pela Ponte da Amizade e pela rec\u00e9m inaugurada Ponte da Integra\u00e7\u00e3o. Esta universidade, aberta para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, \u00e9 parte do sonho da integra\u00e7\u00e3o regional que anteriormente ainda n\u00e3o tinha este nome, mas j\u00e1 habitava o imagin\u00e1rio dos nossos antepassados. Basta pensar no caminho de Peabiru,\u00a0 interligando oceanos e rotas entre o mundo inca e o guarani; em Nuestra Am\u00e9rica, do cubano Jos\u00e9 Mart\u00ed ou na Patria Grande, do venezuelano Sim\u00f3n Bol\u00edvar, entre tantos outros projetos de pensadores(as), artistas e revolucion\u00e1rios(as) que cruzaram nosso continente sonhando com a integra\u00e7\u00e3o. Este mesmo sonho se atualiza, novamente, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, quando j\u00e1 se avistava o final da obra de constru\u00e7\u00e3o da barragem, e v\u00e1rios intelectuais, entidades civis, atores pol\u00edticos e sociais da cidade de Foz do Igua\u00e7u come\u00e7avam a se preocupar com o futuro do desenvolvimento local e a sua emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Segundo publica\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, de 25 de maio de 1982, \u201ca cria\u00e7\u00e3o de uma universidade latino-americana, com in\u00fameros cursos t\u00e9cnicos, \u00e9 a primeira ideia de empres\u00e1rios, pol\u00edticos, diplomatas e estudantes da regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u, ante a amea\u00e7a de esvaziamento econ\u00f4mico da regi\u00e3o\u201d. Em 28 de maio do mesmo ano, o jornal ABC Color, de Assun\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m divulgava a iniciativa e afirmava que \u201cdiversos sectores de la poblaci\u00f3n de Foz y de Presidente Stroessner (atualmente Ciudad del Este) est\u00e1n pensando llevar adelante el proyecto de creaci\u00f3n de la ciudad universitaria.\u201d O que aconteceria com as in\u00fameras estruturas e edifica\u00e7\u00f5es levantadas dos dois lados da fronteira, para erguimento da Usina? Como a rec\u00e9m-criada hidrel\u00e9trica poderia chegar a compensar os danos ambientais e sociais causados pela sua constru\u00e7\u00e3o? Como seria poss\u00edvel minimizar seus \u201creflexos negativos\u201d para a popula\u00e7\u00e3o local? Uma ideia que prosperou foi, justamente, a de utilizar as edifica\u00e7\u00f5es que ficariam esvaziadas para abrigar uma cidade universit\u00e1ria em ambos os lados da fronteira, unida pela Ponte da Amizade. Em agosto de 1981, a Folha do Oeste do Paran\u00e1 divulgava a proposta, apresentada em Curitiba em uma \u201creuni\u00e3o de alto n\u00edvel\u201d, de transformar a Vila A, em Foz do Igua\u00e7u, em uma cidade universit\u00e1ria, \u201conde abrigaria estudantes do Brasil \u2013 Argentina \u2013 Paraguai e outros pa\u00edses. A ideia seria atrair milhares e milhares de estudantes de toda a Am\u00e9rica para preencher o vazio que teremos ap\u00f3s o t\u00e9rmino da obra.\u201d A partir desta apresenta\u00e7\u00e3o em Curitiba, uma comiss\u00e3o de trabalho foi formada e a ideia foi sendo ampliada e ganhando ades\u00e3o em diversos setores da sociedade local. Naquele momento, o projeto ent\u00e3o denominado \u201cUniversidade Latino-Americana\u201d, \u201cCentro Interamericano de Estudos e Pesquisas\u201d ou \u201cCentro Tecnol\u00f3gico Latino-Americano\u201d, pela Comiss\u00e3o Provis\u00f3ria composta por atores brasileiros e paraguaios, d\u00e1 o pontap\u00e9 inicial a um longo processo que levaria muito mais do que dez anos, na verdade quase 30 anos, para se concretizar. A C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Brasil-Paraguai foi uma inst\u00e2ncia importante na circula\u00e7\u00e3o dessas ideias, inclusive na tentativa de envolvimento do lado paraguaio, buscando apoio junto ao Governador do Alto Paran\u00e1 e, posteriormente, em 1996, junto ao pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica do Paraguai, para a implanta\u00e7\u00e3o em Hernandarias de uma cidade universit\u00e1ria, instigando o poder paraguaio a seguir na mesma dire\u00e7\u00e3o: o aproveitamento das edifica\u00e7\u00f5es utilizadas durante o processo de constru\u00e7\u00e3o de Itaipu. Para Hernandarias a proposta visava a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cCentro Latino-Americano de Cultura\u201d, denominado de \u201cCasa de Roa Bastos\u201d, projetando, de forma muito contundente, uma vincula\u00e7\u00e3o marcada pela complementaridade entre ambos os espa\u00e7os \u2013 Hernandarias e Foz do Igua\u00e7u \u2013\u00a0 para a cria\u00e7\u00e3o da \u201cUniversidade das Am\u00e9ricas\u201d. Em 09\/08\/96, a Itaipu Binacional publica, por meio de sua assessoria de imprensa, a not\u00edcia de que doaria 14 alqueires para a constru\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o chamada \u201cUniversidade das Am\u00e9ricas\u201d, para que o governo do Estado do Paran\u00e1 executasse a sua instala\u00e7\u00e3o: \u201cO complexo formado por alojamentos, dois refeit\u00f3rios, lavanderia e parque esportivo, al\u00e9m de uma \u00e1rea de treinamento, utilizado pelos oper\u00e1rios que trabalharam na constru\u00e7\u00e3o da Usina.\u201d O an\u00fancio termina dizendo que \u201ccom a Universidade das Am\u00e9ricas, o governo do Estado pretende criar um centro de excel\u00eancia voltado para o desenvolvimento cient\u00edfico-cultural do Mercosul.\u201d Foi necess\u00e1rio esperar d\u00e9cadas para que a UNILA fosse criada, em 2010, no segundo governo do Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. O projeto de cria\u00e7\u00e3o da UNILA, por um lado, integrava as pol\u00edticas de amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior do Governo Federal; por outro, se constitu\u00eda como uma pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o inovadora, baseada na emancipa\u00e7\u00e3o cultural, cient\u00edfica, pol\u00edtica e econ\u00f4mica da regi\u00e3o. Voltada n\u00e3o apenas ao desenvolvimento econ\u00f4mico, a UNILA idealizada naquele momento unia a interioriza\u00e7\u00e3o e a internacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior ao car\u00e1ter popular e cr\u00edtico de uma nova vis\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o regional vinculada \u00e0 fronteira nacional. 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Dois importantes momentos foram, certamente, a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Amizade (1956-1965) e a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Itaipu Binacional (1974-1984). Ambas grandiosas obras de engenharia, respondiam ao modelo de integra\u00e7\u00e3o desenvolvimentista pr\u00f3prio da \u00e9poca. Naquele per\u00edodo, tanto o Brasil como o Paraguai, sob regimes ditatoriais, visavam os aspectos econ\u00f4micos da coopera\u00e7\u00e3o, minimizando os impactos culturais, sociais e ambientais decorrentes de tais projetos. Com o retorno da democracia, o entendimento sobre a integra\u00e7\u00e3o regional se altera e abre espa\u00e7o para novas pol\u00edticas p\u00fablicas que ampliam seu escopo e trazem a marca da coopera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e solid\u00e1ria. Quase 60 anos depois dos primeiros passos para a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Amizade e da assinatura do Tratado de Itaipu, em 2010 \u00e9 fundada, em Foz do Igua\u00e7u,&nbsp; a Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA), no local onde anteriormente viviam os barrageiros \u2013 oper\u00e1rios construtores da barragem do lado brasileiro de Itaipu. Rodeada pela biodiversidade remanescente da mata atl\u00e2ntica, com o Parque Nacional do Igua\u00e7u, a UNILA est\u00e1 localizada em uma cidade pluricultural, conectada \u00e0 Argentina pela Ponte da Fraternidade e ao Paraguai pela Ponte da Amizade e pela rec\u00e9m inaugurada Ponte da Integra\u00e7\u00e3o. Esta universidade, aberta para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, \u00e9 parte do sonho da integra\u00e7\u00e3o regional que anteriormente ainda n\u00e3o tinha este nome, mas j\u00e1 habitava o imagin\u00e1rio dos nossos antepassados. Basta pensar no caminho de Peabiru,\u00a0 interligando oceanos e rotas entre o mundo inca e o guarani; em Nuestra Am\u00e9rica, do cubano Jos\u00e9 Mart\u00ed ou na Patria Grande, do venezuelano Sim\u00f3n Bol\u00edvar, entre tantos outros projetos de pensadores(as), artistas e revolucion\u00e1rios(as) que cruzaram nosso continente sonhando com a integra\u00e7\u00e3o. Este mesmo sonho se atualiza, novamente, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, quando j\u00e1 se avistava o final da obra de constru\u00e7\u00e3o da barragem, e v\u00e1rios intelectuais, entidades civis, atores pol\u00edticos e sociais da cidade de Foz do Igua\u00e7u come\u00e7avam a se preocupar com o futuro do desenvolvimento local e a sua emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Segundo publica\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, de 25 de maio de 1982, \u201ca cria\u00e7\u00e3o de uma universidade latino-americana, com in\u00fameros cursos t\u00e9cnicos, \u00e9 a primeira ideia de empres\u00e1rios, pol\u00edticos, diplomatas e estudantes da regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u, ante a amea\u00e7a de esvaziamento econ\u00f4mico da regi\u00e3o\u201d. Em 28 de maio do mesmo ano, o jornal ABC Color, de Assun\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m divulgava a iniciativa e afirmava que \u201cdiversos sectores de la poblaci\u00f3n de Foz y de Presidente Stroessner (atualmente Ciudad del Este) est\u00e1n pensando llevar adelante el proyecto de creaci\u00f3n de la ciudad universitaria.\u201d O que aconteceria com as in\u00fameras estruturas e edifica\u00e7\u00f5es levantadas dos dois lados da fronteira, para erguimento da Usina? Como a rec\u00e9m-criada hidrel\u00e9trica poderia chegar a compensar os danos ambientais e sociais causados pela sua constru\u00e7\u00e3o? Como seria poss\u00edvel minimizar seus \u201creflexos negativos\u201d para a popula\u00e7\u00e3o local? Uma ideia que prosperou foi, justamente, a de utilizar as edifica\u00e7\u00f5es que ficariam esvaziadas para abrigar uma cidade universit\u00e1ria em ambos os lados da fronteira, unida pela Ponte da Amizade. Em agosto de 1981, a Folha do Oeste do Paran\u00e1 divulgava a proposta, apresentada em Curitiba em uma \u201creuni\u00e3o de alto n\u00edvel\u201d, de transformar a Vila A, em Foz do Igua\u00e7u, em uma cidade universit\u00e1ria, \u201conde abrigaria estudantes do Brasil \u2013 Argentina \u2013 Paraguai e outros pa\u00edses. A ideia seria atrair milhares e milhares de estudantes de toda a Am\u00e9rica para preencher o vazio que teremos ap\u00f3s o t\u00e9rmino da obra.\u201d A partir desta apresenta\u00e7\u00e3o em Curitiba, uma comiss\u00e3o de trabalho foi formada e a ideia foi sendo ampliada e ganhando ades\u00e3o em diversos setores da sociedade local. Naquele momento, o projeto ent\u00e3o denominado \u201cUniversidade Latino-Americana\u201d, \u201cCentro Interamericano de Estudos e Pesquisas\u201d ou \u201cCentro Tecnol\u00f3gico Latino-Americano\u201d, pela Comiss\u00e3o Provis\u00f3ria composta por atores brasileiros e paraguaios, d\u00e1 o pontap\u00e9 inicial a um longo processo que levaria muito mais do que dez anos, na verdade quase 30 anos, para se concretizar. A C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Brasil-Paraguai foi uma inst\u00e2ncia importante na circula\u00e7\u00e3o dessas ideias, inclusive na tentativa de envolvimento do lado paraguaio, buscando apoio junto ao Governador do Alto Paran\u00e1 e, posteriormente, em 1996, junto ao pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica do Paraguai, para a implanta\u00e7\u00e3o em Hernandarias de uma cidade universit\u00e1ria, instigando o poder paraguaio a seguir na mesma dire\u00e7\u00e3o: o aproveitamento das edifica\u00e7\u00f5es utilizadas durante o processo de constru\u00e7\u00e3o de Itaipu. Para Hernandarias a proposta visava a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cCentro Latino-Americano de Cultura\u201d, denominado de \u201cCasa de Roa Bastos\u201d, projetando, de forma muito contundente, uma vincula\u00e7\u00e3o marcada pela complementaridade entre ambos os espa\u00e7os \u2013 Hernandarias e Foz do Igua\u00e7u \u2013\u00a0 para a cria\u00e7\u00e3o da \u201cUniversidade das Am\u00e9ricas\u201d. 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O projeto de cria\u00e7\u00e3o da UNILA, por um lado, integrava as pol\u00edticas de amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior do Governo Federal; por outro, se constitu\u00eda como uma pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o inovadora, baseada na emancipa\u00e7\u00e3o cultural, cient\u00edfica, pol\u00edtica e econ\u00f4mica da regi\u00e3o. Voltada n\u00e3o apenas ao desenvolvimento econ\u00f4mico, a UNILA idealizada naquele momento unia a interioriza\u00e7\u00e3o e a internacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior ao car\u00e1ter popular e cr\u00edtico de uma nova vis\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o regional vinculada \u00e0 fronteira nacional. 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Dois importantes momentos foram, certamente, a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Amizade (1956-1965) e a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Itaipu Binacional (1974-1984). Ambas grandiosas obras de engenharia, respondiam ao modelo de integra\u00e7\u00e3o desenvolvimentista pr\u00f3prio da \u00e9poca. Naquele per\u00edodo, tanto o Brasil como o Paraguai, sob regimes ditatoriais, visavam os aspectos econ\u00f4micos da coopera\u00e7\u00e3o, minimizando os impactos culturais, sociais e ambientais decorrentes de tais projetos. Com o retorno da democracia, o entendimento sobre a integra\u00e7\u00e3o regional se altera e abre espa\u00e7o para novas pol\u00edticas p\u00fablicas que ampliam seu escopo e trazem a marca da coopera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e solid\u00e1ria. Quase 60 anos depois dos primeiros passos para a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Amizade e da assinatura do Tratado de Itaipu, em 2010 \u00e9 fundada, em Foz do Igua\u00e7u,&nbsp; a Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA), no local onde anteriormente viviam os barrageiros \u2013 oper\u00e1rios construtores da barragem do lado brasileiro de Itaipu. Rodeada pela biodiversidade remanescente da mata atl\u00e2ntica, com o Parque Nacional do Igua\u00e7u, a UNILA est\u00e1 localizada em uma cidade pluricultural, conectada \u00e0 Argentina pela Ponte da Fraternidade e ao Paraguai pela Ponte da Amizade e pela rec\u00e9m inaugurada Ponte da Integra\u00e7\u00e3o. Esta universidade, aberta para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, \u00e9 parte do sonho da integra\u00e7\u00e3o regional que anteriormente ainda n\u00e3o tinha este nome, mas j\u00e1 habitava o imagin\u00e1rio dos nossos antepassados. Basta pensar no caminho de Peabiru,\u00a0 interligando oceanos e rotas entre o mundo inca e o guarani; em Nuestra Am\u00e9rica, do cubano Jos\u00e9 Mart\u00ed ou na Patria Grande, do venezuelano Sim\u00f3n Bol\u00edvar, entre tantos outros projetos de pensadores(as), artistas e revolucion\u00e1rios(as) que cruzaram nosso continente sonhando com a integra\u00e7\u00e3o. Este mesmo sonho se atualiza, novamente, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, quando j\u00e1 se avistava o final da obra de constru\u00e7\u00e3o da barragem, e v\u00e1rios intelectuais, entidades civis, atores pol\u00edticos e sociais da cidade de Foz do Igua\u00e7u come\u00e7avam a se preocupar com o futuro do desenvolvimento local e a sua emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Segundo publica\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, de 25 de maio de 1982, \u201ca cria\u00e7\u00e3o de uma universidade latino-americana, com in\u00fameros cursos t\u00e9cnicos, \u00e9 a primeira ideia de empres\u00e1rios, pol\u00edticos, diplomatas e estudantes da regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u, ante a amea\u00e7a de esvaziamento econ\u00f4mico da regi\u00e3o\u201d. Em 28 de maio do mesmo ano, o jornal ABC Color, de Assun\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m divulgava a iniciativa e afirmava que \u201cdiversos sectores de la poblaci\u00f3n de Foz y de Presidente Stroessner (atualmente Ciudad del Este) est\u00e1n pensando llevar adelante el proyecto de creaci\u00f3n de la ciudad universitaria.\u201d O que aconteceria com as in\u00fameras estruturas e edifica\u00e7\u00f5es levantadas dos dois lados da fronteira, para erguimento da Usina? Como a rec\u00e9m-criada hidrel\u00e9trica poderia chegar a compensar os danos ambientais e sociais causados pela sua constru\u00e7\u00e3o? Como seria poss\u00edvel minimizar seus \u201creflexos negativos\u201d para a popula\u00e7\u00e3o local? Uma ideia que prosperou foi, justamente, a de utilizar as edifica\u00e7\u00f5es que ficariam esvaziadas para abrigar uma cidade universit\u00e1ria em ambos os lados da fronteira, unida pela Ponte da Amizade. Em agosto de 1981, a Folha do Oeste do Paran\u00e1 divulgava a proposta, apresentada em Curitiba em uma \u201creuni\u00e3o de alto n\u00edvel\u201d, de transformar a Vila A, em Foz do Igua\u00e7u, em uma cidade universit\u00e1ria, \u201conde abrigaria estudantes do Brasil \u2013 Argentina \u2013 Paraguai e outros pa\u00edses. A ideia seria atrair milhares e milhares de estudantes de toda a Am\u00e9rica para preencher o vazio que teremos ap\u00f3s o t\u00e9rmino da obra.\u201d A partir desta apresenta\u00e7\u00e3o em Curitiba, uma comiss\u00e3o de trabalho foi formada e a ideia foi sendo ampliada e ganhando ades\u00e3o em diversos setores da sociedade local. Naquele momento, o projeto ent\u00e3o denominado \u201cUniversidade Latino-Americana\u201d, \u201cCentro Interamericano de Estudos e Pesquisas\u201d ou \u201cCentro Tecnol\u00f3gico Latino-Americano\u201d, pela Comiss\u00e3o Provis\u00f3ria composta por atores brasileiros e paraguaios, d\u00e1 o pontap\u00e9 inicial a um longo processo que levaria muito mais do que dez anos, na verdade quase 30 anos, para se concretizar. A C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Brasil-Paraguai foi uma inst\u00e2ncia importante na circula\u00e7\u00e3o dessas ideias, inclusive na tentativa de envolvimento do lado paraguaio, buscando apoio junto ao Governador do Alto Paran\u00e1 e, posteriormente, em 1996, junto ao pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica do Paraguai, para a implanta\u00e7\u00e3o em Hernandarias de uma cidade universit\u00e1ria, instigando o poder paraguaio a seguir na mesma dire\u00e7\u00e3o: o aproveitamento das edifica\u00e7\u00f5es utilizadas durante o processo de constru\u00e7\u00e3o de Itaipu. Para Hernandarias a proposta visava a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cCentro Latino-Americano de Cultura\u201d, denominado de \u201cCasa de Roa Bastos\u201d, projetando, de forma muito contundente, uma vincula\u00e7\u00e3o marcada pela complementaridade entre ambos os espa\u00e7os \u2013 Hernandarias e Foz do Igua\u00e7u \u2013\u00a0 para a cria\u00e7\u00e3o da \u201cUniversidade das Am\u00e9ricas\u201d. Em 09\/08\/96, a Itaipu Binacional publica, por meio de sua assessoria de imprensa, a not\u00edcia de que doaria 14 alqueires para a constru\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o chamada \u201cUniversidade das Am\u00e9ricas\u201d, para que o governo do Estado do Paran\u00e1 executasse a sua instala\u00e7\u00e3o: \u201cO complexo formado por alojamentos, dois refeit\u00f3rios, lavanderia e parque esportivo, al\u00e9m de uma \u00e1rea de treinamento, utilizado pelos oper\u00e1rios que trabalharam na constru\u00e7\u00e3o da Usina.\u201d O an\u00fancio termina dizendo que \u201ccom a Universidade das Am\u00e9ricas, o governo do Estado pretende criar um centro de excel\u00eancia voltado para o desenvolvimento cient\u00edfico-cultural do Mercosul.\u201d Foi necess\u00e1rio esperar d\u00e9cadas para que a UNILA fosse criada, em 2010, no segundo governo do Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. O projeto de cria\u00e7\u00e3o da UNILA, por um lado, integrava as pol\u00edticas de amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior do Governo Federal; por outro, se constitu\u00eda como uma pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o inovadora, baseada na emancipa\u00e7\u00e3o cultural, cient\u00edfica, pol\u00edtica e econ\u00f4mica da regi\u00e3o. Voltada n\u00e3o apenas ao desenvolvimento econ\u00f4mico, a UNILA idealizada naquele momento unia a interioriza\u00e7\u00e3o e a internacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior ao car\u00e1ter popular e cr\u00edtico de uma nova vis\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o regional vinculada \u00e0 fronteira nacional. 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