{"id":1033,"date":"2024-04-16T18:14:43","date_gmt":"2024-04-16T21:14:43","guid":{"rendered":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/?p=1033"},"modified":"2024-04-18T12:06:09","modified_gmt":"2024-04-18T15:06:09","slug":"pele-negra-vermelha-marrom-mascaras-brancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/2024\/04\/16\/pele-negra-vermelha-marrom-mascaras-brancas\/","title":{"rendered":"Pele negra, vermelha, marrom&#8230;, m\u00e1scaras brancas!"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1033\" class=\"elementor elementor-1033\">\n\t\t\t\t<div class=\"has_eae_slider elementor-element elementor-element-5ac6acb6 e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-equal-height-no e-con e-parent\" data-eae-slider=\"24970\" data-id=\"5ac6acb6\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-79c9fbbe elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"79c9fbbe\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1035\" style=\"width:299px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-300x300.jpg 300w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-150x150.jpg 150w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-768x768.jpg 768w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-40x40.jpg 40w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-275x275.jpg 275w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-205x205.jpg 205w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-480x480.jpg 480w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-144x144.jpg 144w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177-982x982.jpg 982w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/04\/1000038177.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"has_eae_slider elementor-element elementor-element-140fc19 e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-equal-height-no e-con e-parent\" data-eae-slider=\"5456\" data-id=\"140fc19\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2447d97 elementor-drop-cap-yes elementor-drop-cap-view-default elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2447d97\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;drop_cap&quot;:&quot;yes&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div>\n<div style=\"text-align: right\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cPele negra, m\u00e1scaras brancas\u201d [1952] de Frantz Fanon se tornou um cl\u00e1ssico para os debates sobre a constru\u00e7\u00e3o de uma \u201cpsicologia p\u00f3s e\/ou decolonial\u201d. O motivo para tanto se deve \u00e0 agudeza das elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas do fil\u00f3sofo e psiquiatra martinicano. Ningu\u00e9m antes dele parece ter descrito com tanta min\u00facia os meandros estruturais, econ\u00f4micos, sociais e psicol\u00f3gicos presentes nos processos de domina\u00e7\u00e3o colonial e de racializa\u00e7\u00e3o. Partindo de tr\u00eas autores consagrados pelo chamado pensamento ocidental, a saber, Hegel, Marx e Freud, Fanon mostrar\u00e1 o quanto a dimens\u00e3o material-econ\u00f4mica da domina\u00e7\u00e3o n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 simb\u00f3lico-psicol\u00f3gica, pois as duas est\u00e3o intimamente entrela\u00e7adas a tal ponto de que uma n\u00e3o existe sem a outra. Essas dimens\u00f5es est\u00e3o coladas pela ideia de ra\u00e7a, uma tecnologia do poder que torna poss\u00edvel expor um determinado sujeito, notadamente o sujeito de pele negra, \u00e0 amea\u00e7a de morte, seja ela f\u00edsica ou simb\u00f3lica, assim como \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de seu trabalho corporal e mental, e ao gozo de sua pot\u00eancia libidinal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">S\u00e3o in\u00fameros os trabalhos que se inspiraram e se inspiram em Frantz Fanon, n\u00e3o apenas no campo da psicologia, mas tamb\u00e9m nas chamadas ci\u00eancias sociais e nas humanidades em geral. Glean Sean Coulthard escreveu \u201cPele vermelha, m\u00e1scaras brancas\u201d, em 2014, para pensar os dilemas enfrentados pelas comunidades ind\u00edgenas na sociedade canadense. Embora as duas obras guardem uma dist\u00e2ncia no tempo e sejam diferentes por tomar como modelo sociedades distintas, elas t\u00eam em comum o m\u00e9rito de n\u00e3o abrir m\u00e3o da dimens\u00e3o material e simb\u00f3lica para a compreens\u00e3o dos processos de domina\u00e7\u00e3o e de racializa\u00e7\u00e3o. Coulthard retoma a no\u00e7\u00e3o marxista de \u201cacumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d para evidenciar que esta n\u00e3o \u00e9 uma etapa vencida pela suposta fase \u201cpr\u00e9-capitalista\u201d do capital, mas a condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e permanente \u00e0 explora\u00e7\u00e3o das sociedades e grupos contempor\u00e2neos. Por essa raz\u00e3o, as comunidades ind\u00edgenas canadenses continuam a viver processos de expropria\u00e7\u00e3o e de espolia\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica de reconhecimento no marco do Estado liberal canadense n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o a tentativa de ocultar uma pol\u00edtica violenta de assimila\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas para que suas terras possam servir aos interesses da acumula\u00e7\u00e3o capitalista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em \u201cPele marrom, m\u00e1scaras brancas\u201d, publicada em 2011, Hamid Dabashi atualiza a problem\u00e1tica fanoniana da ra\u00e7a para entend\u00ea-la n\u00e3o mais na sua rela\u00e7\u00e3o com o colonialismo, mas em seu exerc\u00edcio do poder imperial no mundo contempor\u00e2neo. Para seguir adiante com seu projeto imperial de domina\u00e7\u00e3o, o governo estadunidense alicia pessoas de origem \u00e1rabe para levar a cabo seus interesses anti-\u00e1rabes. Assim, in\u00fameros intelectuais iraquianos imigrantes foram usados para representar de forma negativa seu pa\u00eds de origem, contribuindo para a produ\u00e7\u00e3o de uma narrativa que justificasse a invas\u00e3o do Iraque em 2003. O retrato produzido por Dabashi \u00e9 muito diferente da fratura produzida pelo \u201cex\u00edlio intelectual\u201d naqueles que, como Edward Said, souberam fazer dessa situa\u00e7\u00e3o um locus de enuncia\u00e7\u00e3o que permitisse uma cr\u00edtica dura e bastante consistente ao imp\u00e9rio sem perder de vista os problemas de suas pr\u00f3prias sociedades de origem. O \u201cinformante nativo\u201d serve de correia de transmiss\u00e3o dos interesses do imp\u00e9rio e revela as m\u00faltiplas faces que os processos de racializa\u00e7\u00e3o podem assumir.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Finalmente, em \u201cPele marrom, mentes brancas\u201d, de 2013, E. J. R. David aborda os processos hist\u00f3ricos que conformaram e ainda conformam a internaliza\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o racial pelos filipinos e pelos filipino-americanos. Assujeitadas \u00e0s coloniza\u00e7\u00f5es espanhola e estadunidense, as Filipinas sofreram um processo de domina\u00e7\u00e3o violento pelo qual a marca da inferioridade se inscreveu na subjetividade daquele pa\u00eds. Como descreveu Fanon, o colonialismo implica a ocupa\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio, a imposi\u00e7\u00e3o de uma cultura, a inferioriza\u00e7\u00e3o do colonizado e a produ\u00e7\u00e3o de estruturas pol\u00edticas e econ\u00f4micas que garantam a domina\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, David n\u00e3o se preocupa apenas em descrever os mecanismos da domina\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a produzir uma psicologia da liberta\u00e7\u00e3o, uma pr\u00e1xis voltada para a supera\u00e7\u00e3o desse sentimento de inferioridade. O autor desenvolveu a \u201cEscala de Mentalidade Colonial\u201d pela qual busca aferir o grau de internaliza\u00e7\u00e3o do sentimento de inferioridade cujas consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas s\u00e3o in\u00fameras, tais como a produ\u00e7\u00e3o de sintomas depressivos, ansiosos, psicossom\u00e1ticos e confus\u00f5es de identidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Talvez a injun\u00e7\u00e3o de que se deve colocar \u201cm\u00e1scaras brancas\u201d sob peles n\u00e3o-brancas seja o solo comum dos universos sociais e hist\u00f3ricos t\u00e3o heterog\u00eaneos destacados por Fanon, Coulthard, Dabashi e David. Apesar de distantes no tempo e no espa\u00e7o, os autores revelam que a ra\u00e7a \u00e9 e continua sendo o operador central do mundo moderno\/colonial. Vivemos num mundo racializado a despeito do fato de que as din\u00e2micas raciais ganham fei\u00e7\u00f5es espec\u00edficas a depender de processos sociais e hist\u00f3ricos singulares. Diante de tantos \u201ccondenados da terra\u201d, por que continuamos a insistir numa psicologia branca, individualista, pequena burguesa e colonial? O projeto de uma pr\u00e1xis liberat\u00f3ria continua um projeto inacabado e ainda temos muito a fazer para que o m\u00ednimo de dignidade seja conferido \u00e0s grandes parcelas da popula\u00e7\u00e3o destitu\u00eddas de sua humanidade.<\/span><\/p>\n<br style=\"font-weight: 400\" \/><br style=\"font-weight: 400\" \/>Por Marcos de Jesus Oliveira (17.04.2024)<\/div>\n<\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<a class=\"synved-social-button synved-social-button-follow synved-social-size-48 synved-social-resolution-single synved-social-provider-facebook nolightbox\" data-provider=\"facebook\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\" title=\"Follow us on Facebook\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/facebook\" style=\"font-size: 0px;width:48px;height:48px;margin:0;margin-bottom:5px;margin-right:5px\"><img decoding=\"async\" alt=\"Facebook\" title=\"Follow us on Facebook\" class=\"synved-share-image synved-social-image 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O motivo para tanto se deve \u00e0 agudeza das elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas do fil\u00f3sofo e psiquiatra martinicano. Ningu\u00e9m antes dele parece ter descrito com tanta min\u00facia os meandros estruturais, econ\u00f4micos, sociais e psicol\u00f3gicos presentes nos processos de domina\u00e7\u00e3o colonial e de racializa\u00e7\u00e3o. Partindo de tr\u00eas autores consagrados pelo chamado pensamento ocidental, a saber, Hegel, Marx e Freud, Fanon mostrar\u00e1 o quanto a dimens\u00e3o material-econ\u00f4mica da domina\u00e7\u00e3o n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 simb\u00f3lico-psicol\u00f3gica, pois as duas est\u00e3o intimamente entrela\u00e7adas a tal ponto de que uma n\u00e3o existe sem a outra. Essas dimens\u00f5es est\u00e3o coladas pela ideia de ra\u00e7a, uma tecnologia do poder que torna poss\u00edvel expor um determinado sujeito, notadamente o sujeito de pele negra, \u00e0 amea\u00e7a de morte, seja ela f\u00edsica ou simb\u00f3lica, assim como \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de seu trabalho corporal e mental, e ao gozo de sua pot\u00eancia libidinal. S\u00e3o in\u00fameros os trabalhos que se inspiraram e se inspiram em Frantz Fanon, n\u00e3o apenas no campo da psicologia, mas tamb\u00e9m nas chamadas ci\u00eancias sociais e nas humanidades em geral. Glean Sean Coulthard escreveu \u201cPele vermelha, m\u00e1scaras brancas\u201d, em 2014, para pensar os dilemas enfrentados pelas comunidades ind\u00edgenas na sociedade canadense. Embora as duas obras guardem uma dist\u00e2ncia no tempo e sejam diferentes por tomar como modelo sociedades distintas, elas t\u00eam em comum o m\u00e9rito de n\u00e3o abrir m\u00e3o da dimens\u00e3o material e simb\u00f3lica para a compreens\u00e3o dos processos de domina\u00e7\u00e3o e de racializa\u00e7\u00e3o. Coulthard retoma a no\u00e7\u00e3o marxista de \u201cacumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d para evidenciar que esta n\u00e3o \u00e9 uma etapa vencida pela suposta fase \u201cpr\u00e9-capitalista\u201d do capital, mas a condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e permanente \u00e0 explora\u00e7\u00e3o das sociedades e grupos contempor\u00e2neos. Por essa raz\u00e3o, as comunidades ind\u00edgenas canadenses continuam a viver processos de expropria\u00e7\u00e3o e de espolia\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica de reconhecimento no marco do Estado liberal canadense n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o a tentativa de ocultar uma pol\u00edtica violenta de assimila\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas para que suas terras possam servir aos interesses da acumula\u00e7\u00e3o capitalista. Em \u201cPele marrom, m\u00e1scaras brancas\u201d, publicada em 2011, Hamid Dabashi atualiza a problem\u00e1tica fanoniana da ra\u00e7a para entend\u00ea-la n\u00e3o mais na sua rela\u00e7\u00e3o com o colonialismo, mas em seu exerc\u00edcio do poder imperial no mundo contempor\u00e2neo. Para seguir adiante com seu projeto imperial de domina\u00e7\u00e3o, o governo estadunidense alicia pessoas de origem \u00e1rabe para levar a cabo seus interesses anti-\u00e1rabes. Assim, in\u00fameros intelectuais iraquianos imigrantes foram usados para representar de forma negativa seu pa\u00eds de origem, contribuindo para a produ\u00e7\u00e3o de uma narrativa que justificasse a invas\u00e3o do Iraque em 2003. O retrato produzido por Dabashi \u00e9 muito diferente da fratura produzida pelo \u201cex\u00edlio intelectual\u201d naqueles que, como Edward Said, souberam fazer dessa situa\u00e7\u00e3o um locus de enuncia\u00e7\u00e3o que permitisse uma cr\u00edtica dura e bastante consistente ao imp\u00e9rio sem perder de vista os problemas de suas pr\u00f3prias sociedades de origem. O \u201cinformante nativo\u201d serve de correia de transmiss\u00e3o dos interesses do imp\u00e9rio e revela as m\u00faltiplas faces que os processos de racializa\u00e7\u00e3o podem assumir.\u00a0 Finalmente, em \u201cPele marrom, mentes brancas\u201d, de 2013, E. J. R. David aborda os processos hist\u00f3ricos que conformaram e ainda conformam a internaliza\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o racial pelos filipinos e pelos filipino-americanos. Assujeitadas \u00e0s coloniza\u00e7\u00f5es espanhola e estadunidense, as Filipinas sofreram um processo de domina\u00e7\u00e3o violento pelo qual a marca da inferioridade se inscreveu na subjetividade daquele pa\u00eds. Como descreveu Fanon, o colonialismo implica a ocupa\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio, a imposi\u00e7\u00e3o de uma cultura, a inferioriza\u00e7\u00e3o do colonizado e a produ\u00e7\u00e3o de estruturas pol\u00edticas e econ\u00f4micas que garantam a domina\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, David n\u00e3o se preocupa apenas em descrever os mecanismos da domina\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a produzir uma psicologia da liberta\u00e7\u00e3o, uma pr\u00e1xis voltada para a supera\u00e7\u00e3o desse sentimento de inferioridade. O autor desenvolveu a \u201cEscala de Mentalidade Colonial\u201d pela qual busca aferir o grau de internaliza\u00e7\u00e3o do sentimento de inferioridade cujas consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas s\u00e3o in\u00fameras, tais como a produ\u00e7\u00e3o de sintomas depressivos, ansiosos, psicossom\u00e1ticos e confus\u00f5es de identidade. Talvez a injun\u00e7\u00e3o de que se deve colocar \u201cm\u00e1scaras brancas\u201d sob peles n\u00e3o-brancas seja o solo comum dos universos sociais e hist\u00f3ricos t\u00e3o heterog\u00eaneos destacados por Fanon, Coulthard, Dabashi e David. Apesar de distantes no tempo e no espa\u00e7o, os autores revelam que a ra\u00e7a \u00e9 e continua sendo o operador central do mundo moderno\/colonial. Vivemos num mundo racializado a despeito do fato de que as din\u00e2micas raciais ganham fei\u00e7\u00f5es espec\u00edficas a depender de processos sociais e hist\u00f3ricos singulares. Diante de tantos \u201ccondenados da terra\u201d, por que continuamos a insistir numa psicologia branca, individualista, pequena burguesa e colonial? O projeto de uma pr\u00e1xis liberat\u00f3ria continua um projeto inacabado e ainda temos muito a fazer para que o m\u00ednimo de dignidade seja conferido \u00e0s grandes parcelas da popula\u00e7\u00e3o destitu\u00eddas de sua humanidade. Por Marcos de Jesus Oliveira (17.04.2024)<\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1033","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"htmega_size_585x295":false,"htmega_size_1170x536":false,"htmega_size_396x360":false,"tainacan-small":false,"tainacan-medium":false,"tainacan-medium-full":false,"tainacan-large-full":false,"button-2-featured":false},"uagb_author_info":{"display_name":"marcos.jesus","author_link":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/author\/interclinica\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"\u201cPele negra, m\u00e1scaras brancas\u201d [1952] de Frantz Fanon se tornou um cl\u00e1ssico para os debates sobre a constru\u00e7\u00e3o de uma \u201cpsicologia p\u00f3s e\/ou decolonial\u201d. 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