{"version":"1.0","provider_name":"Cl\u00ednica Intercultural e da Diversidade","provider_url":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica","author_name":"marcos.jesus","author_url":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/author\/interclinica\/","title":"Existem pessoas ind\u00edgenas com autismo? - Cl\u00ednica Intercultural e da Diversidade","type":"rich","width":600,"height":338,"html":"<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"lC9YHwYiOb\"><a href=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/2024\/06\/06\/existem-pessoas-indigenas-autistas\/\">Existem pessoas ind\u00edgenas com autismo?<\/a><\/blockquote><iframe sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/2024\/06\/06\/existem-pessoas-indigenas-autistas\/embed\/#?secret=lC9YHwYiOb\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Existem pessoas ind\u00edgenas com autismo?&#8221; &#8212; Cl\u00ednica Intercultural e da Diversidade\" data-secret=\"lC9YHwYiOb\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" class=\"wp-embedded-content\"><\/iframe><script type=\"text\/javascript\">\n\/* <![CDATA[ *\/\n\/*! This file is auto-generated *\/\n!function(d,l){\"use strict\";l.querySelector&&d.addEventListener&&\"undefined\"!=typeof URL&&(d.wp=d.wp||{},d.wp.receiveEmbedMessage||(d.wp.receiveEmbedMessage=function(e){var t=e.data;if((t||t.secret||t.message||t.value)&&!\/[^a-zA-Z0-9]\/.test(t.secret)){for(var s,r,n,a=l.querySelectorAll('iframe[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),o=l.querySelectorAll('blockquote[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),c=new RegExp(\"^https?:$\",\"i\"),i=0;i<o.length;i++)o[i].style.display=\"none\";for(i=0;i<a.length;i++)s=a[i],e.source===s.contentWindow&&(s.removeAttribute(\"style\"),\"height\"===t.message?(1e3<(r=parseInt(t.value,10))?r=1e3:~~r<200&&(r=200),s.height=r):\"link\"===t.message&&(r=new URL(s.getAttribute(\"src\")),n=new URL(t.value),c.test(n.protocol))&&n.host===r.host&&l.activeElement===s&&(d.top.location.href=t.value))}},d.addEventListener(\"message\",d.wp.receiveEmbedMessage,!1),l.addEventListener(\"DOMContentLoaded\",function(){for(var e,t,s=l.querySelectorAll(\"iframe.wp-embedded-content\"),r=0;r<s.length;r++)(t=(e=s[r]).getAttribute(\"data-secret\"))||(t=Math.random().toString(36).substring(2,12),e.src+=\"#?secret=\"+t,e.setAttribute(\"data-secret\",t)),e.contentWindow.postMessage({message:\"ready\",secret:t},\"*\")},!1)))}(window,document);\n\/\/# sourceURL=https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-includes\/js\/wp-embed.min.js\n\/* ]]> *\/\n<\/script>\n","description":"\/*! elementor &#8211; v3.21.0 &#8211; 26-05-2024 *\/ .elementor-widget-image{text-align:center}.elementor-widget-image a{display:inline-block}.elementor-widget-image a img[src$=&#8221;.svg&#8221;]{width:48px}.elementor-widget-image img{vertical-align:middle;display:inline-block} O autismo \u00e9 uma categoria diagn\u00f3stica aplic\u00e1vel apenas \u00e0s pessoas ocidentais ou est\u00e1 presente em todas as culturas? Quais s\u00e3o as concep\u00e7\u00f5es que grupos ind\u00edgenas, por exemplo, t\u00eam sobre o autismo? \u00c9 poss\u00edvel um di\u00e1logo intercultural sobre o autismo em que a vis\u00e3o biom\u00e9dica ocidental ent\u00e3o hegem\u00f4nica n\u00e3o se imponha a outras compreens\u00f5es? Como a cultura influencia o desenvolvimento das fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas superiores tais como a mem\u00f3ria, a linguagem, a percep\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o?\u00a0A neuropsicologia tem considerado de forma suficientemente adequada a vari\u00e1vel cultural, sobretudo, no que diz respeito \u00e0 diferen\u00e7a entre grupos sociais sem hierarquiza\u00e7\u00f5es e\/ou patologiza\u00e7\u00f5es?\u00a0Os processos de reabilita\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica devem ser os mesmos para todos independente das diferen\u00e7as culturais? \u00c9 poss\u00edvel ou mesmo desej\u00e1vel um pluralismo terap\u00eautico? N\u00e3o se pretende responder a nenhuma dessas quest\u00f5es aqui; quer-se antes com elas revelar o qu\u00e3o prof\u00edcuo pode ser pensar os ditos transtornos do neurodesenvolvimento a partir de culturas e epistemologias n\u00e3o ocidentais ou pouco ocidentalizadas. O instigante \u00e9 manter as quest\u00f5es a um cont\u00ednuo debate pelo qual \u00e9 poss\u00edvel fazer emergir di\u00e1logos frut\u00edferos e desdobramentos fecundos. Essa parece ser uma das principais raz\u00f5es para indicar a leitura do livro \u201cA pessoa autista: uma an\u00e1lise dos princ\u00edpios andinos da reciprocidade e da complementaridade\u201d de Catalina L\u00f3pez Ch\u00e1vez. Nele a autora busca compreender os modos pelos quais as comunidades ind\u00edgenas andinas produzem sentidos e significados em torno da pessoa autista. Em lugar de simplesmente assumir que os conhecimentos ind\u00edgenas s\u00e3o insuficientes para lidar com o autismo, como ami\u00fade se faz, a autora realiza um fecundo e promissor di\u00e1logo entre as vis\u00f5es ind\u00edgenas sobre o autismo e os modelos explicativos ocidentais. Seu paradigma \u00e9 o da neurodiversidade como forma de evitar cair em binarismo excludentes como o do normal e do patol\u00f3gico. O trabalho conduzido pela autora para tratar crian\u00e7as ind\u00edgenas com autismo est\u00e1 diretamente ligado ao contato com a natureza, n\u00e3o apenas porque a natureza promove a integra\u00e7\u00e3o sensorial, mas, sobretudo, porque, na cosmovis\u00e3o andina, ela representa a m\u00e3e-terra, Pachamama. A civiliza\u00e7\u00e3o andina \u00e9 essencialmente relacional e, se, como sugerem os diagn\u00f3sticos contempor\u00e2neos do transtorno do espectro autista desde Leo Kanner, o autismo implica um d\u00e9ficit relacional (sic), perceber a rela\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as autistas com a natureza torna, no m\u00ednimo, problem\u00e1tica essa suposi\u00e7\u00e3o. Em sociedades antropoc\u00eantricas como as ocidentais, h\u00e1 uma suposi\u00e7\u00e3o de que seres humanos estabelecem v\u00ednculos apenas com outros seres humanos. Por outro lado, em v\u00e1rias cosmovis\u00f5es ind\u00edgenas, os seres humanos n\u00e3o se vinculam apenas a outros seres humanos, mas igualmente ao mundo n\u00e3o-humano que, para eles, tamb\u00e9m s\u00e3o humanos no sentido de serem dotados daquilo que os ocidentais v\u00eaem como exclusivo da humanidade. Na perspectiva andina, segundo a autora, o autismo \u00e9 resultado de um desequil\u00edbrio cosmog\u00f4nico por conta da destrui\u00e7\u00e3o da m\u00e3e natureza e, de modo simult\u00e2neo, um presente dos c\u00e9us como express\u00e3o da diversidade pr\u00f3pria ao ser humano e, por isso, devem ser tratados com compreens\u00e3o e considera\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, eu diria, o tratamento do autismo envolve um cuidado com a natureza, pois tudo est\u00e1 relacionado. Quando cuidamos da natureza, estamos cuidando dos seres humanos porque um est\u00e1 diretamente conectado ao outro. A no\u00e7\u00e3o andina de vincularidad expressa a rela\u00e7\u00e3o que os seres humanos mant\u00eam com seu territ\u00f3rio e com a natureza. Nas comunidades, as intera\u00e7\u00f5es se d\u00e3o a partir do dar, do receber e do devolver. Quando a natureza me d\u00e1 algo como o alimento, eu recebo e lhe devolvo algo como, por exemplo, um ato de cuidado para que ela se regenere e flores\u00e7a. Por isso, as crian\u00e7as s\u00e3o, desde muito cedo, incentivadas a desenvolver um \u201ceu-comunit\u00e1rio\u201d. Em uma entrevista, Catalina Ch\u00e1vez chega mesmo a se perguntar, de forma provocadora, se o transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade existe ou se o que as crian\u00e7as ditas hiperativas t\u00eam \u00e9 um \u201ctranstorno d\u00e9ficit de contato com a natureza\u201d. Muito se especula sobre as causas do autismo e dos transtornos do neurodesenvolvimento. A oposi\u00e7\u00e3o entre organog\u00eanese e psicog\u00eanese parece j\u00e1 superada e \u00e9 mais comum admitir que os transtornos do neurodesenvolvimento s\u00e3o resultado da intera\u00e7\u00e3o entre biologia e ambiente. A vis\u00e3o andina agrega um elemento a mais, a espiritualidade. A espiritualidade tem a ver com o que Sigmund Freud descreveu como o \u201csentimento oce\u00e2nico\u201d. O avan\u00e7o t\u00e9cnico e a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da natureza permitem cada vez menos \u00e0s pessoas ocidentais o sentimento de conex\u00e3o oce\u00e2nica com o cosmos. E nisso est\u00e1 um d\u00e9ficit de relacionalidade dos ocidentais. Ora, e se us\u00e1ssemos essa \u201cmedida ind\u00edgena\u201d como medida para diagnosticar o autismo, n\u00e3o ter\u00edamos um aumento na contabilidade de casos entre os ocidentais? Se us\u00e1ssemos o d\u00e9ficit relacional com a natureza como crit\u00e9rio, certamente o leitor deste texto seria considerado autista caso n\u00e3o o seja. Por mais que a ci\u00eancia se esforce por subtrair a dimens\u00e3o da conting\u00eancia para supostamente ver o universal, \u00e9 o movimento oposto que parece mais razo\u00e1vel, isto \u00e9, o que \u00e9 necessariamente universal \u00e9 a conting\u00eancia. Por Marcos de Jesus Oliveira (28.05.24)","thumbnail_url":"http:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/05\/Publicacion-La-persona-autista.jpeg"}