{"version":"1.0","provider_name":"Cl\u00ednica Intercultural e da Diversidade","provider_url":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica","author_name":"marcos.jesus","author_url":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/author\/interclinica\/","title":"A terapia cultural psico-historiogr\u00e1fica de Frederick W. Hickling - Cl\u00ednica Intercultural e da Diversidade","type":"rich","width":600,"height":338,"html":"<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"eOLmYvFWgv\"><a href=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/2024\/05\/26\/elementor-1109\/\">A terapia cultural psico-historiogr\u00e1fica de Frederick W. Hickling<\/a><\/blockquote><iframe sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/2024\/05\/26\/elementor-1109\/embed\/#?secret=eOLmYvFWgv\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;A terapia cultural psico-historiogr\u00e1fica de Frederick W. 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Hickling detalha como a utiliza\u00e7\u00e3o da terapia cultural psico-historiogr\u00e1fica tornou poss\u00edvel desinstitucionalizar pessoas com sofrimento mental grave cujo confinamento psiqui\u00e1trico ainda hoje \u00e9 a express\u00e3o de s\u00e9culos de opress\u00e3o resultante da \u201cmiss\u00e3o civilizat\u00f3ria\u201d europeia e de sua ci\u00eancia iniciada em 1492 com a invas\u00e3o da Am\u00e9rica. A experi\u00eancia de realizar s\u00f3cio-drama e escrever poesias sobre o processo de coloniza\u00e7\u00e3o por parte daqueles sobre quem pesa o estigma da loucura revelam a import\u00e2ncia que a recupera\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria tem ou pode ter na produ\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental no contexto das sociedades p\u00f3s-coloniais quando transformada em produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, um momento expressivo de apropria\u00e7\u00e3o coletiva e singular. Na obra, psiquiatria, psicologia, hist\u00f3ria, etnologia e arte se unem em busca de referenciais capazes de gerar outras modalidades de la\u00e7os sociais cuja teleologia n\u00e3o passe pela hierarquiza\u00e7\u00e3o da humanidade, mas pelo reconhecimento de humanos (e n\u00e3o-humanos) plurais e diversos.\u00a0 Hoje mais do que nunca precisamos de uma terapia cultural psico-historiogr\u00e1fica, n\u00e3o apenas porque ainda vivemos num mundo marcado por aquilo que An\u00edbal Quijano designou como colonialidade, mas tamb\u00e9m porque o contempor\u00e2neo insta o sujeito a denegar seus rastros hist\u00f3ricos. Para diz\u00ea-lo de outro modo, o individualismo como uma ideologia pr\u00f3pria \u00e0 l\u00f3gica de vida imposta pela burguesia instituiu o mito do \u201cself-made man\u201d, do sujeito empreendedor de si.\u00a0 Nessa sociedade, a maioria se torna uma esp\u00e9cie de Robinson Cruso\u00e9 no sentido de ter que criar para si a ilus\u00e3o de que deve construir sua pr\u00f3pria vida como se essa n\u00e3o estivesse em rela\u00e7\u00e3o de interdepend\u00eancia \u00e0s demais, e que o sucesso ou o fracasso depende exclusivamente de escolhas individuais. Muitas culturas de povos afro-diasp\u00f3ricas insistem na import\u00e2ncia da ancestralidade e isso \u00e9, sem d\u00favida alguma, uma forma de resist\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tentativa de apagamento da coletividade como suporte necess\u00e1rio para um ser\/estar no mundo digno. A ideia de ancestralidade lembra que somos sujeitos em falta, de que h\u00e1 uma d\u00edvida simb\u00f3lica de uma gera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outra que n\u00e3o se paga, produzindo um elo de liga\u00e7\u00e3o e de sentido para al\u00e9m do aqui\/agora. No semin\u00e1rio 17, intitulado \u201cO avesso da psican\u00e1lise\u201d, Jacques Lacan conta, bastante surpreso, sua experi\u00eancia de an\u00e1lise com tr\u00eas jovens de Togo. Sua surpresa estava relacionada ao fato de que, apesar dos jovens terem vivido sua inf\u00e2ncia em seu pa\u00eds de origem, o inconsciente deles pareciam funcionar segundo a l\u00f3gica do \u00c9dipo europeu. Suas lembran\u00e7as de inf\u00e2ncia n\u00e3o traziam as cren\u00e7as e valores de sua cultura, pois pareciam encobertas pela l\u00f3gica familialista imposta pelo imperialismo franc\u00eas. Quando narravam as experi\u00eancias\u00a0 de seu grupo social de origem, o faziam como um etn\u00f3grafo, de forma objetiva e distante, sem o investimento libidinal que ami\u00fade acompanham as narrativas da inf\u00e2ncia. Seus inconscientes estavam edipianizados, colonizados pelo discurso do mestre, imposto a ferro e fogo, como s\u00f3i acontecer no colonialismo. A terapia cultural psico-historiogr\u00e1fica de Frederick W. Hickling teria um papel muito interessante a desempenhar nesse contexto, j\u00e1 que favorece a apropria\u00e7\u00e3o de suas hist\u00f3rias n\u00e3o como no relato jornal\u00edstico ou antropol\u00f3gico, mas pelas modalidades de gozo pr\u00f3prio ao universo simb\u00f3lico em que nasceram e cresceram, operando uma descoloniza\u00e7\u00e3o pela sa\u00edda do cativeiro ed\u00edpico-colonial. Por Marcos de Jesus Oliveira (26.05.2024)","thumbnail_url":"http:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/05\/Decolonization-of-psychiatry-in-Jamaica-1.jpeg"}