{"version":"1.0","provider_name":"Cl\u00ednica Intercultural e da Diversidade","provider_url":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica","author_name":"marcos.jesus","author_url":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/author\/interclinica\/","title":"A escuta cl\u00ednica do mundo mais-que-humano - Cl\u00ednica Intercultural e da Diversidade","type":"rich","width":600,"height":338,"html":"<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"y6zqLuvMlp\"><a href=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/2024\/02\/13\/a-escuta-clinica-do-mundo-mais-que-humano\/\">A escuta cl\u00ednica do mundo mais-que-humano<\/a><\/blockquote><iframe sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/2024\/02\/13\/a-escuta-clinica-do-mundo-mais-que-humano\/embed\/#?secret=y6zqLuvMlp\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;A escuta cl\u00ednica do mundo mais-que-humano&#8221; &#8212; Cl\u00ednica Intercultural e da Diversidade\" data-secret=\"y6zqLuvMlp\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" class=\"wp-embedded-content\"><\/iframe><script type=\"text\/javascript\">\n\/* <![CDATA[ *\/\n\/*! This file is auto-generated *\/\n!function(d,l){\"use strict\";l.querySelector&&d.addEventListener&&\"undefined\"!=typeof URL&&(d.wp=d.wp||{},d.wp.receiveEmbedMessage||(d.wp.receiveEmbedMessage=function(e){var t=e.data;if((t||t.secret||t.message||t.value)&&!\/[^a-zA-Z0-9]\/.test(t.secret)){for(var s,r,n,a=l.querySelectorAll('iframe[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),o=l.querySelectorAll('blockquote[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),c=new RegExp(\"^https?:$\",\"i\"),i=0;i<o.length;i++)o[i].style.display=\"none\";for(i=0;i<a.length;i++)s=a[i],e.source===s.contentWindow&&(s.removeAttribute(\"style\"),\"height\"===t.message?(1e3<(r=parseInt(t.value,10))?r=1e3:~~r<200&&(r=200),s.height=r):\"link\"===t.message&&(r=new URL(s.getAttribute(\"src\")),n=new URL(t.value),c.test(n.protocol))&&n.host===r.host&&l.activeElement===s&&(d.top.location.href=t.value))}},d.addEventListener(\"message\",d.wp.receiveEmbedMessage,!1),l.addEventListener(\"DOMContentLoaded\",function(){for(var e,t,s=l.querySelectorAll(\"iframe.wp-embedded-content\"),r=0;r<s.length;r++)(t=(e=s[r]).getAttribute(\"data-secret\"))||(t=Math.random().toString(36).substring(2,12),e.src+=\"#?secret=\"+t,e.setAttribute(\"data-secret\",t)),e.contentWindow.postMessage({message:\"ready\",secret:t},\"*\")},!1)))}(window,document);\n\/\/# sourceURL=https:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-includes\/js\/wp-embed.min.js\n\/* ]]> *\/\n<\/script>\n","description":"O livro \u201cPsicologia do antropoceno: ser humano em um mundo mais-que-humano\u201d de Matthew Adams \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o interessante a uma psicologia preocupada em contemplar a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e n\u00e3o-humanos de forma n\u00e3o-hier\u00e1rquica e n\u00e3o-antropoc\u00eantrica, j\u00e1 que tradicionalmente a psicologia dita moderna tomou o indiv\u00edduo como centro de sua an\u00e1lise e elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, seguindo a tend\u00eancia amplamente compartilhada pelas humanidades e pelas ci\u00eancias sociais da \u00e9poca. Adams inicia a obra com a discuss\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o que a psicologia experimental manteve com os animais a partir dos c\u00e3es do fisiologista russo Ivan Pavlov, comumente conhecido como o descobridor dos reflexos condicionados e como um dos precursores da escola comportamentalista em psicologia. Seu esfor\u00e7o se encaminha no sentido de imaginar uma outra rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel entre o \u201cpesquisador\u201d e os \u201canimais pesquisados\u201d com destaque \u00e0s suas m\u00fatuas influ\u00eancias e implica\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas, rompendo com a cis\u00e3o antropoc\u00eantrica segundo a qual o pesquisador tem pleno controle sobre o \u201cobjeto\u201d em seu trabalho no laborat\u00f3rio. Dito de forma resumida, os animais n\u00e3o s\u00e3o seres passivos, mas tamb\u00e9m possuem ag\u00eancia. O livro tamb\u00e9m apresenta as experi\u00eancias de pessoas que se alimentam de animais e aquelas que n\u00e3o se alimentam com o intuito de refletir sobre os aspectos cognitivos, comportamentais e emocionais a\u00ed envolvidos. Quando o ato de matar um animal \u00e9 tido como uma a\u00e7\u00e3o pela qual o ser humano se serve de um \u201crecurso natural\u201d para satisfazer sua fome, apaga-se qualquer possibilidade de reconhecimento de sua responsabilidade frente ao matar. Adams busca ensaiar uma \u00e9tica relacional que, apoiada em Donna Haraway, diferencia o \u201cmatar\u201d do \u201ctornar mat\u00e1vel\u201d como forma de imaginar outros futuros alimentares. H\u00e1 ainda um importante debate sobre o mal-estar manifestado por pessoas que vivem em lugares impactados por transforma\u00e7\u00f5es ambientais. Solastalgia \u00e9 o nome dado ao estresse e ao luto desencadeados em pessoas que t\u00eam que lidar com a perda de suas conex\u00f5es (apego) com o lugar em que vivem em virtude de mudan\u00e7as ambientais. Os encontros multi-esp\u00e9cies, comuns em sociedades ind\u00edgenas, sobretudo, as de tend\u00eancias animista, \u00e9 o ponto mais interessante do livro, com elementos fundamentais \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de uma escuta sens\u00edvel \u00e0 fase geol\u00f3gica atual do planeta terra em que o impacto humano, sobretudo, os advindos dos pa\u00edses do Norte global em decorr\u00eancia do sistema moderno\/colonial capitalista, conhecida como antropoceno ou capitaloceno, tem gerado transforma\u00e7\u00f5es ambientais de propor\u00e7\u00f5es inimagin\u00e1veis. Nessa escuta, o universo n\u00e3o-humano subjacente \u00e0s narrativas das pessoas, notadamente os ind\u00edgenas, mas n\u00e3o apenas eles, suas rela\u00e7\u00f5es com animais, plantas, rochas, montanhas, objetos encantados, lugares sagrados, entidades espirituais etc., \u00e9 t\u00e3o digno de aten\u00e7\u00e3o, considera\u00e7\u00e3o e respeito como o universo de rela\u00e7\u00f5es entre seres humanos. \u00c9 uma sa\u00edda para a famosa escuta psicol\u00f3gica centrada no papai\/mam\u00e3e em busca dos \u201coutros significativos\u201d que podem ser humanos ou n\u00e3o-humanos, numa afirma\u00e7\u00e3o de mundos materiais comp\u00f3sitos e plurais que n\u00e3o se deixam colonizar pela ideia de que tudo \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social ou lingu\u00edstica. A obra \u00e9 indubitavelmente um convite para refletir sobre a rela\u00e7\u00e3o que os seres humanos mant\u00eam com o mundo mais-que-humano, esse outro enigm\u00e1tico, na maioria das vezes, subalterno, que n\u00e3o fala, como o gato que observa Jacques Derrida enquanto se despe, fazendo-o se indagar se os felinos t\u00eam ou n\u00e3o pudor e se deveria sentir vergonha diante daquele cujo olhar atento quanto obstinado se apresenta n\u00e3o como um mist\u00e9rio a ser solucionado, mas como aquilo que mant\u00e9m a impossibilidade de qualquer certeza final ou absoluta. Trata-se de um gesto pelo qual se tenta manter a alteridade do outro sem coloniz\u00e1-lo com conceitos, ideias e pensamentos pr\u00e9-concebidos. Para diz\u00ea-lo de outro modo, \u00e9 uma chance para rever responsabilidades [response-abilities], e o impacto da a\u00e7\u00e3o humana na terra com vistas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de uma nova subjetividade e, obviamente, de uma nova psicologia. Por Marcos de Jesus (14.01.2024).","thumbnail_url":"http:\/\/divulga.unila.edu.br\/interclinica\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2024\/02\/images.jpeg"}