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<oembed><version>1.0</version><provider_name>Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</provider_name><provider_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica</provider_url><author_name>marcos.jesus</author_name><author_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica/author/interclinica/</author_url><title>Existem pessoas ind&#xED;genas com autismo? - Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="6A8YT223f0"&gt;&lt;a href="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/06/06/existem-pessoas-indigenas-autistas/"&gt;Existem pessoas ind&#xED;genas com autismo?&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/06/06/existem-pessoas-indigenas-autistas/embed/#?secret=6A8YT223f0" width="600" height="338" title="&#x201C;Existem pessoas ind&#xED;genas com autismo?&#x201D; &#x2014; Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade" data-secret="6A8YT223f0" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;
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Como a cultura influencia o desenvolvimento das fun&#xE7;&#xF5;es psicol&#xF3;gicas superiores tais como a mem&#xF3;ria, a linguagem, a percep&#xE7;&#xE3;o, a aten&#xE7;&#xE3;o?&#xA0;A neuropsicologia tem considerado de forma suficientemente adequada a vari&#xE1;vel cultural, sobretudo, no que diz respeito &#xE0; diferen&#xE7;a entre grupos sociais sem hierarquiza&#xE7;&#xF5;es e/ou patologiza&#xE7;&#xF5;es?&#xA0;Os processos de reabilita&#xE7;&#xE3;o neuropsicol&#xF3;gica devem ser os mesmos para todos independente das diferen&#xE7;as culturais? &#xC9; poss&#xED;vel ou mesmo desej&#xE1;vel um pluralismo terap&#xEA;utico? N&#xE3;o se pretende responder a nenhuma dessas quest&#xF5;es aqui; quer-se antes com elas revelar o qu&#xE3;o prof&#xED;cuo pode ser pensar os ditos transtornos do neurodesenvolvimento a partir de culturas e epistemologias n&#xE3;o ocidentais ou pouco ocidentalizadas. O instigante &#xE9; manter as quest&#xF5;es a um cont&#xED;nuo debate pelo qual &#xE9; poss&#xED;vel fazer emergir di&#xE1;logos frut&#xED;feros e desdobramentos fecundos. Essa parece ser uma das principais raz&#xF5;es para indicar a leitura do livro &#x201C;A pessoa autista: uma an&#xE1;lise dos princ&#xED;pios andinos da reciprocidade e da complementaridade&#x201D; de Catalina L&#xF3;pez Ch&#xE1;vez. Nele a autora busca compreender os modos pelos quais as comunidades ind&#xED;genas andinas produzem sentidos e significados em torno da pessoa autista. Em lugar de simplesmente assumir que os conhecimentos ind&#xED;genas s&#xE3;o insuficientes para lidar com o autismo, como ami&#xFA;de se faz, a autora realiza um fecundo e promissor di&#xE1;logo entre as vis&#xF5;es ind&#xED;genas sobre o autismo e os modelos explicativos ocidentais. Seu paradigma &#xE9; o da neurodiversidade como forma de evitar cair em binarismo excludentes como o do normal e do patol&#xF3;gico. O trabalho conduzido pela autora para tratar crian&#xE7;as ind&#xED;genas com autismo est&#xE1; diretamente ligado ao contato com a natureza, n&#xE3;o apenas porque a natureza promove a integra&#xE7;&#xE3;o sensorial, mas, sobretudo, porque, na cosmovis&#xE3;o andina, ela representa a m&#xE3;e-terra, Pachamama. A civiliza&#xE7;&#xE3;o andina &#xE9; essencialmente relacional e, se, como sugerem os diagn&#xF3;sticos contempor&#xE2;neos do transtorno do espectro autista desde Leo Kanner, o autismo implica um d&#xE9;ficit relacional (sic), perceber a rela&#xE7;&#xE3;o das crian&#xE7;as autistas com a natureza torna, no m&#xED;nimo, problem&#xE1;tica essa suposi&#xE7;&#xE3;o. Em sociedades antropoc&#xEA;ntricas como as ocidentais, h&#xE1; uma suposi&#xE7;&#xE3;o de que seres humanos estabelecem v&#xED;nculos apenas com outros seres humanos. Por outro lado, em v&#xE1;rias cosmovis&#xF5;es ind&#xED;genas, os seres humanos n&#xE3;o se vinculam apenas a outros seres humanos, mas igualmente ao mundo n&#xE3;o-humano que, para eles, tamb&#xE9;m s&#xE3;o humanos no sentido de serem dotados daquilo que os ocidentais v&#xEA;em como exclusivo da humanidade. Na perspectiva andina, segundo a autora, o autismo &#xE9; resultado de um desequil&#xED;brio cosmog&#xF4;nico por conta da destrui&#xE7;&#xE3;o da m&#xE3;e natureza e, de modo simult&#xE2;neo, um presente dos c&#xE9;us como express&#xE3;o da diversidade pr&#xF3;pria ao ser humano e, por isso, devem ser tratados com compreens&#xE3;o e considera&#xE7;&#xE3;o. Por essa raz&#xE3;o, eu diria, o tratamento do autismo envolve um cuidado com a natureza, pois tudo est&#xE1; relacionado. Quando cuidamos da natureza, estamos cuidando dos seres humanos porque um est&#xE1; diretamente conectado ao outro. A no&#xE7;&#xE3;o andina de vincularidad expressa a rela&#xE7;&#xE3;o que os seres humanos mant&#xEA;m com seu territ&#xF3;rio e com a natureza. Nas comunidades, as intera&#xE7;&#xF5;es se d&#xE3;o a partir do dar, do receber e do devolver. Quando a natureza me d&#xE1; algo como o alimento, eu recebo e lhe devolvo algo como, por exemplo, um ato de cuidado para que ela se regenere e flores&#xE7;a. Por isso, as crian&#xE7;as s&#xE3;o, desde muito cedo, incentivadas a desenvolver um &#x201C;eu-comunit&#xE1;rio&#x201D;. Em uma entrevista, Catalina Ch&#xE1;vez chega mesmo a se perguntar, de forma provocadora, se o transtorno de d&#xE9;ficit de aten&#xE7;&#xE3;o e hiperatividade existe ou se o que as crian&#xE7;as ditas hiperativas t&#xEA;m &#xE9; um &#x201C;transtorno d&#xE9;ficit de contato com a natureza&#x201D;. Muito se especula sobre as causas do autismo e dos transtornos do neurodesenvolvimento. A oposi&#xE7;&#xE3;o entre organog&#xEA;nese e psicog&#xEA;nese parece j&#xE1; superada e &#xE9; mais comum admitir que os transtornos do neurodesenvolvimento s&#xE3;o resultado da intera&#xE7;&#xE3;o entre biologia e ambiente. A vis&#xE3;o andina agrega um elemento a mais, a espiritualidade. A espiritualidade tem a ver com o que Sigmund Freud descreveu como o &#x201C;sentimento oce&#xE2;nico&#x201D;. O avan&#xE7;o t&#xE9;cnico e a instrumentaliza&#xE7;&#xE3;o da natureza permitem cada vez menos &#xE0;s pessoas ocidentais o sentimento de conex&#xE3;o oce&#xE2;nica com o cosmos. E nisso est&#xE1; um d&#xE9;ficit de relacionalidade dos ocidentais. Ora, e se us&#xE1;ssemos essa &#x201C;medida ind&#xED;gena&#x201D; como medida para diagnosticar o autismo, n&#xE3;o ter&#xED;amos um aumento na contabilidade de casos entre os ocidentais? Se us&#xE1;ssemos o d&#xE9;ficit relacional com a natureza como crit&#xE9;rio, certamente o leitor deste texto seria considerado autista caso n&#xE3;o o seja. Por mais que a ci&#xEA;ncia se esforce por subtrair a dimens&#xE3;o da conting&#xEA;ncia para supostamente ver o universal, &#xE9; o movimento oposto que parece mais razo&#xE1;vel, isto &#xE9;, o que &#xE9; necessariamente universal &#xE9; a conting&#xEA;ncia. Por Marcos de Jesus Oliveira (28.05.24)</description><thumbnail_url>http://divulga.unila.edu.br/interclinica/wp-content/uploads/sites/39/2024/05/Publicacion-La-persona-autista.jpeg</thumbnail_url></oembed>
