<?xml version="1.0"?>
<oembed><version>1.0</version><provider_name>Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</provider_name><provider_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica</provider_url><author_name>marcos.jesus</author_name><author_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica/author/interclinica/</author_url><title>Pele negra, vermelha, marrom..., m&#xE1;scaras brancas! - Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="SUyVm7ub9E"&gt;&lt;a href="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/04/16/pele-negra-vermelha-marrom-mascaras-brancas/"&gt;Pele negra, vermelha, marrom&#x2026;, m&#xE1;scaras brancas!&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/04/16/pele-negra-vermelha-marrom-mascaras-brancas/embed/#?secret=SUyVm7ub9E" width="600" height="338" title="&#x201C;Pele negra, vermelha, marrom&#x2026;, m&#xE1;scaras brancas!&#x201D; &#x2014; Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade" data-secret="SUyVm7ub9E" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;
/* &lt;![CDATA[ */
/*! This file is auto-generated */
!function(d,l){"use strict";l.querySelector&amp;&amp;d.addEventListener&amp;&amp;"undefined"!=typeof URL&amp;&amp;(d.wp=d.wp||{},d.wp.receiveEmbedMessage||(d.wp.receiveEmbedMessage=function(e){var t=e.data;if((t||t.secret||t.message||t.value)&amp;&amp;!/[^a-zA-Z0-9]/.test(t.secret)){for(var s,r,n,a=l.querySelectorAll('iframe[data-secret="'+t.secret+'"]'),o=l.querySelectorAll('blockquote[data-secret="'+t.secret+'"]'),c=new RegExp("^https?:$","i"),i=0;i&lt;o.length;i++)o[i].style.display="none";for(i=0;i&lt;a.length;i++)s=a[i],e.source===s.contentWindow&amp;&amp;(s.removeAttribute("style"),"height"===t.message?(1e3&lt;(r=parseInt(t.value,10))?r=1e3:~~r&lt;200&amp;&amp;(r=200),s.height=r):"link"===t.message&amp;&amp;(r=new URL(s.getAttribute("src")),n=new URL(t.value),c.test(n.protocol))&amp;&amp;n.host===r.host&amp;&amp;l.activeElement===s&amp;&amp;(d.top.location.href=t.value))}},d.addEventListener("message",d.wp.receiveEmbedMessage,!1),l.addEventListener("DOMContentLoaded",function(){for(var e,t,s=l.querySelectorAll("iframe.wp-embedded-content"),r=0;r&lt;s.length;r++)(t=(e=s[r]).getAttribute("data-secret"))||(t=Math.random().toString(36).substring(2,12),e.src+="#?secret="+t,e.setAttribute("data-secret",t)),e.contentWindow.postMessage({message:"ready",secret:t},"*")},!1)))}(window,document);
//# sourceURL=https://divulga.unila.edu.br/interclinica/wp-includes/js/wp-embed.min.js
/* ]]&gt; */
&lt;/script&gt;
</html><description>&#x201C;Pele negra, m&#xE1;scaras brancas&#x201D; [1952] de Frantz Fanon se tornou um cl&#xE1;ssico para os debates sobre a constru&#xE7;&#xE3;o de uma &#x201C;psicologia p&#xF3;s e/ou decolonial&#x201D;. O motivo para tanto se deve &#xE0; agudeza das elabora&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas do fil&#xF3;sofo e psiquiatra martinicano. Ningu&#xE9;m antes dele parece ter descrito com tanta min&#xFA;cia os meandros estruturais, econ&#xF4;micos, sociais e psicol&#xF3;gicos presentes nos processos de domina&#xE7;&#xE3;o colonial e de racializa&#xE7;&#xE3;o. Partindo de tr&#xEA;s autores consagrados pelo chamado pensamento ocidental, a saber, Hegel, Marx e Freud, Fanon mostrar&#xE1; o quanto a dimens&#xE3;o material-econ&#xF4;mica da domina&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o se op&#xF5;e &#xE0; simb&#xF3;lico-psicol&#xF3;gica, pois as duas est&#xE3;o intimamente entrela&#xE7;adas a tal ponto de que uma n&#xE3;o existe sem a outra. Essas dimens&#xF5;es est&#xE3;o coladas pela ideia de ra&#xE7;a, uma tecnologia do poder que torna poss&#xED;vel expor um determinado sujeito, notadamente o sujeito de pele negra, &#xE0; amea&#xE7;a de morte, seja ela f&#xED;sica ou simb&#xF3;lica, assim como &#xE0; explora&#xE7;&#xE3;o de seu trabalho corporal e mental, e ao gozo de sua pot&#xEA;ncia libidinal. S&#xE3;o in&#xFA;meros os trabalhos que se inspiraram e se inspiram em Frantz Fanon, n&#xE3;o apenas no campo da psicologia, mas tamb&#xE9;m nas chamadas ci&#xEA;ncias sociais e nas humanidades em geral. Glean Sean Coulthard escreveu &#x201C;Pele vermelha, m&#xE1;scaras brancas&#x201D;, em 2014, para pensar os dilemas enfrentados pelas comunidades ind&#xED;genas na sociedade canadense. Embora as duas obras guardem uma dist&#xE2;ncia no tempo e sejam diferentes por tomar como modelo sociedades distintas, elas t&#xEA;m em comum o m&#xE9;rito de n&#xE3;o abrir m&#xE3;o da dimens&#xE3;o material e simb&#xF3;lica para a compreens&#xE3;o dos processos de domina&#xE7;&#xE3;o e de racializa&#xE7;&#xE3;o. Coulthard retoma a no&#xE7;&#xE3;o marxista de &#x201C;acumula&#xE7;&#xE3;o primitiva&#x201D; para evidenciar que esta n&#xE3;o &#xE9; uma etapa vencida pela suposta fase &#x201C;pr&#xE9;-capitalista&#x201D; do capital, mas a condi&#xE7;&#xE3;o necess&#xE1;ria e permanente &#xE0; explora&#xE7;&#xE3;o das sociedades e grupos contempor&#xE2;neos. Por essa raz&#xE3;o, as comunidades ind&#xED;genas canadenses continuam a viver processos de expropria&#xE7;&#xE3;o e de espolia&#xE7;&#xE3;o. A pol&#xED;tica de reconhecimento no marco do Estado liberal canadense n&#xE3;o &#xE9; outra coisa sen&#xE3;o a tentativa de ocultar uma pol&#xED;tica violenta de assimila&#xE7;&#xE3;o dos povos ind&#xED;genas para que suas terras possam servir aos interesses da acumula&#xE7;&#xE3;o capitalista. Em &#x201C;Pele marrom, m&#xE1;scaras brancas&#x201D;, publicada em 2011, Hamid Dabashi atualiza a problem&#xE1;tica fanoniana da ra&#xE7;a para entend&#xEA;-la n&#xE3;o mais na sua rela&#xE7;&#xE3;o com o colonialismo, mas em seu exerc&#xED;cio do poder imperial no mundo contempor&#xE2;neo. Para seguir adiante com seu projeto imperial de domina&#xE7;&#xE3;o, o governo estadunidense alicia pessoas de origem &#xE1;rabe para levar a cabo seus interesses anti-&#xE1;rabes. Assim, in&#xFA;meros intelectuais iraquianos imigrantes foram usados para representar de forma negativa seu pa&#xED;s de origem, contribuindo para a produ&#xE7;&#xE3;o de uma narrativa que justificasse a invas&#xE3;o do Iraque em 2003. O retrato produzido por Dabashi &#xE9; muito diferente da fratura produzida pelo &#x201C;ex&#xED;lio intelectual&#x201D; naqueles que, como Edward Said, souberam fazer dessa situa&#xE7;&#xE3;o um locus de enuncia&#xE7;&#xE3;o que permitisse uma cr&#xED;tica dura e bastante consistente ao imp&#xE9;rio sem perder de vista os problemas de suas pr&#xF3;prias sociedades de origem. O &#x201C;informante nativo&#x201D; serve de correia de transmiss&#xE3;o dos interesses do imp&#xE9;rio e revela as m&#xFA;ltiplas faces que os processos de racializa&#xE7;&#xE3;o podem assumir.&#xA0; Finalmente, em &#x201C;Pele marrom, mentes brancas&#x201D;, de 2013, E. J. R. David aborda os processos hist&#xF3;ricos que conformaram e ainda conformam a internaliza&#xE7;&#xE3;o da opress&#xE3;o racial pelos filipinos e pelos filipino-americanos. Assujeitadas &#xE0;s coloniza&#xE7;&#xF5;es espanhola e estadunidense, as Filipinas sofreram um processo de domina&#xE7;&#xE3;o violento pelo qual a marca da inferioridade se inscreveu na subjetividade daquele pa&#xED;s. Como descreveu Fanon, o colonialismo implica a ocupa&#xE7;&#xE3;o de um territ&#xF3;rio, a imposi&#xE7;&#xE3;o de uma cultura, a inferioriza&#xE7;&#xE3;o do colonizado e a produ&#xE7;&#xE3;o de estruturas pol&#xED;ticas e econ&#xF4;micas que garantam a domina&#xE7;&#xE3;o. Nesse sentido, David n&#xE3;o se preocupa apenas em descrever os mecanismos da domina&#xE7;&#xE3;o, mas tamb&#xE9;m a produzir uma psicologia da liberta&#xE7;&#xE3;o, uma pr&#xE1;xis voltada para a supera&#xE7;&#xE3;o desse sentimento de inferioridade. O autor desenvolveu a &#x201C;Escala de Mentalidade Colonial&#x201D; pela qual busca aferir o grau de internaliza&#xE7;&#xE3;o do sentimento de inferioridade cujas consequ&#xEA;ncias psicol&#xF3;gicas s&#xE3;o in&#xFA;meras, tais como a produ&#xE7;&#xE3;o de sintomas depressivos, ansiosos, psicossom&#xE1;ticos e confus&#xF5;es de identidade. Talvez a injun&#xE7;&#xE3;o de que se deve colocar &#x201C;m&#xE1;scaras brancas&#x201D; sob peles n&#xE3;o-brancas seja o solo comum dos universos sociais e hist&#xF3;ricos t&#xE3;o heterog&#xEA;neos destacados por Fanon, Coulthard, Dabashi e David. Apesar de distantes no tempo e no espa&#xE7;o, os autores revelam que a ra&#xE7;a &#xE9; e continua sendo o operador central do mundo moderno/colonial. Vivemos num mundo racializado a despeito do fato de que as din&#xE2;micas raciais ganham fei&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas a depender de processos sociais e hist&#xF3;ricos singulares. Diante de tantos &#x201C;condenados da terra&#x201D;, por que continuamos a insistir numa psicologia branca, individualista, pequena burguesa e colonial? O projeto de uma pr&#xE1;xis liberat&#xF3;ria continua um projeto inacabado e ainda temos muito a fazer para que o m&#xED;nimo de dignidade seja conferido &#xE0;s grandes parcelas da popula&#xE7;&#xE3;o destitu&#xED;das de sua humanidade. Por Marcos de Jesus Oliveira (17.04.2024)</description><thumbnail_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica/wp-content/uploads/sites/39/2024/04/1000038177-1024x1024.jpg</thumbnail_url></oembed>
