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<oembed><version>1.0</version><provider_name>Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</provider_name><provider_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica</provider_url><author_name>marcos.jesus</author_name><author_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica/author/interclinica/</author_url><title>A dimens&#xE3;o ps&#xED;quica do fen&#xF4;meno migrat&#xF3;rio - Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="9eH0a7N9un"&gt;&lt;a href="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/04/01/a-dimensao-psiquica-do-fenomeno-migratorio/"&gt;A dimens&#xE3;o ps&#xED;quica do fen&#xF4;meno migrat&#xF3;rio&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/04/01/a-dimensao-psiquica-do-fenomeno-migratorio/embed/#?secret=9eH0a7N9un" width="600" height="338" title="&#x201C;A dimens&#xE3;o ps&#xED;quica do fen&#xF4;meno migrat&#xF3;rio&#x201D; &#x2014; Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade" data-secret="9eH0a7N9un" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;
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</html><description>A migra&#xE7;&#xE3;o tende a ser considerada um fen&#xF4;meno multicausal. Isso quer dizer que fatores econ&#xF4;micos, sociais, pol&#xED;ticos e culturais influenciam os processos migrat&#xF3;rios, condicionando sua manifesta&#xE7;&#xE3;o. H&#xE1; quem diga que fatores neurobiol&#xF3;gicos tamb&#xE9;m participam das motiva&#xE7;&#xF5;es para migrar, pois estudos j&#xE1; indicaram uma presen&#xE7;a mais significativa da dopamina, neurotransmissor ligado &#xE0; motiva&#xE7;&#xE3;o, em pessoas que migram. O livro &#x201C;Quem da p&#xE1;tria sai a si mesmo escapa? &#x2013; um estudo psicanal&#xED;tico sobre a migra&#xE7;&#xE3;o&#x201D; de Daniela Meirelles Escobari (Editora Escuta, 2009) foca nas motiva&#xE7;&#xF5;es ps&#xED;quicas que impulsionam a migra&#xE7;&#xE3;o. Ao endere&#xE7;ar a dimens&#xE3;o ps&#xED;quica do fen&#xF4;meno, a autora n&#xE3;o pretende realizar a defesa de um determinismo ps&#xED;quico no sentido de que a causa ps&#xED;quica seria preponderante &#xE0;s demais, mas de um recorte a partir da cl&#xED;nica psicanal&#xED;tica. Tampouco, se trata de reduzir as in&#xFA;meras possibilidades de causalidade ps&#xED;quica a apenas uma, mas de explor&#xE1;-las a partir do universo de sentido produzido pelos sujeitos que migram em sua experi&#xEA;ncia anal&#xED;tica. O sujeito que decide migrar se encontra diante de um impasse ps&#xED;quico cuja resolu&#xE7;&#xE3;o busca no deslocamento de um pa&#xED;s para outro, tendo uma &#x201C;crise ps&#xED;quica&#x201D; como instauradora do processo. Do ponto de vista da psican&#xE1;lise, o corpo materno (Das Ding), em sua pr&#xE1;tica de cuidado cotidiano, exerce uma atra&#xE7;&#xE3;o poderosa sobre a crian&#xE7;a que, em seu devir como sujeito, precisa se separar dele em certo momento de sua vida. No universo da pesquisa realizada pela autora, a sa&#xED;da de um pa&#xED;s para outro representa a reatualiza&#xE7;&#xE3;o da problem&#xE1;tica do afastamento do corpo materno. Uma das pacientes narradas por Escobari fala que ser estrangeira &#xE9; ser desconhecida, n&#xE3;o ter tantas cobran&#xE7;as. Sair de um pa&#xED;s para outro representa sair do universo de sentido libidinalmente investido pelo corpo materno que, &#xE0;s vezes, pode se tornar sufocante, para experienciar outros universos e, finalmente, pela separa&#xE7;&#xE3;o geogr&#xE1;fica realizar a separa&#xE7;&#xE3;o ps&#xED;quica. A explora&#xE7;&#xE3;o que a autora faz da no&#xE7;&#xE3;o de &#x201C;objeu&#x201D; de Pierre F&#xE9;dida (1978) &#xE9; interessante. Na palavra &#x201C;objeu&#x201D; &#xE9; poss&#xED;vel ouvir as seguintes palavras: objet (objeto), jeu (jogo) e jet (jogar). Quando Freud (1969b) descreve seu neto lan&#xE7;ando o carretel e pronunciando a express&#xE3;o &#x201C;fort-da&#x201D;, a situa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; interpretada como um momento em que a crian&#xE7;a est&#xE1; aprendendo a lidar com a aus&#xEA;ncia/presen&#xE7;a da m&#xE3;e. Fundamental na constitui&#xE7;&#xE3;o ps&#xED;quica da crian&#xE7;a, o jogo &#x201C;fort-da&#x201D; sup&#xF5;e certa destrui&#xE7;&#xE3;o, no n&#xED;vel do fantasma, do objeto materno para que a possibilidade de uma simboliza&#xE7;&#xE3;o criativa possa emergir. Lan&#xE7;ar o carretel para longe &#xE9; uma forma de encontrar outra forma de lidar com o objeto materno, pois abre o psiquismo &#xE0; representa&#xE7;&#xE3;o da aus&#xEA;ncia pela via da alucina&#xE7;&#xE3;o negativa. O desejo surge dessa capacidade simb&#xF3;lica de prescindir do objeto materno para que sua aus&#xEA;ncia possa ser ocupada por outros objetos substitutivos. Sujeitos em processo de migra&#xE7;&#xE3;o est&#xE3;o, inconscientemente, em busca pela ruptura com a coisa materna para que a produ&#xE7;&#xE3;o simb&#xF3;lico-desejante seja poss&#xED;vel. Se a hip&#xF3;tese segundo a qual o que impulsiona o sujeito a migrar &#xE9; a necessidade de separa&#xE7;&#xE3;o do corpo materno estiver correta, ent&#xE3;o a pesquisa sobre a quest&#xE3;o do luto migrat&#xF3;rio, tema bastante investigado nos estudos de migra&#xE7;&#xE3;o, faz todo sentido. Freud (1969a) postulou que o luto e a melancolia se igualam porque ambas s&#xE3;o uma rea&#xE7;&#xE3;o a uma perda de objeto. No entanto, o que diferencia o luto da melancolia &#xE9; que esta &#xFA;ltima implica a reten&#xE7;&#xE3;o do objeto perdido na exterioridade no interior do psiquismo enquanto o primeiro implica um desligamento libidinal do objeto perdido e o investimento em novos objetos. A depress&#xE3;o, considerada um quadro cl&#xED;nico bastante frequente entre pessoas que migram, revela os impasses dessa perda. Numa chave de leitura lacaniana (LACAN, 2007), a migra&#xE7;&#xE3;o seria um esp&#xE9;cie de sinthome, uma escrita que busca ser a solu&#xE7;&#xE3;o para a dif&#xED;cil tarefa de encontrar um suporte ao real do corpo materno. Ir para um novo pa&#xED;s em que a l&#xED;ngua falada n&#xE3;o &#xE9; a materna, a l&#xED;ngua do gozo recheada de sensorialidade e experi&#xEA;ncias de prazer e desprazer, lalangue, como escreve Lacan, &#xE9; se afastar do corpo materno que, como o canto da sereia, seduz, mas tamb&#xE9;m pode levar &#xE0; morte do desejo. Refer&#xEA;ncias bibliogr&#xE1;ficas: F&#xC9;DIDA, P. &#x201C;L&#x2019;objeu: objet, jeu et enfance&#x201D;. In: L&#x2019;absence. Paris: Gallimard, 1978. FREUD, S. &#x201C;Luto e melancolia&#x201D;. In: Edi&#xE7;&#xE3;o Standard Brasileira das Obras Psicol&#xF3;gicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1969a. v. XIV. FREUD, S. Al&#xE9;m do princ&#xED;pio do prazer. In: Edi&#xE7;&#xE3;o Standard Brasileira das Obras Psicol&#xF3;gicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1969b. v. XVIII LACAN, J. O Semin&#xE1;rio, Livro 23: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. Por Marcos de Jesus Oliveira (01.04.2024)</description><thumbnail_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica/wp-content/uploads/sites/39/2024/03/1000035771.jpg</thumbnail_url></oembed>
