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<oembed><version>1.0</version><provider_name>Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</provider_name><provider_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica</provider_url><author_name>marcos.jesus</author_name><author_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica/author/interclinica/</author_url><title>Por uma psicologia ind&#xED;gena - Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="mcIYqfhPTR"&gt;&lt;a href="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/02/13/por-uma-psicologia-indigena/"&gt;Por uma psicologia ind&#xED;gena&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/02/13/por-uma-psicologia-indigena/embed/#?secret=mcIYqfhPTR" width="600" height="338" title="&#x201C;Por uma psicologia ind&#xED;gena&#x201D; &#x2014; Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade" data-secret="mcIYqfhPTR" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;
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</html><description>Como nas outras resenhas, n&#xE3;o se pretende aqui resumir uma obra t&#xE3;o densa e interessante como &#xE9; &#x201C;Dialogical multiplication: principles for an indigenous psychology&#x201D; de Danilo Silva Guimar&#xE3;es. Trata-se antes de apresentar uma breve leitura a partir daquilo que mais me chamou a aten&#xE7;&#xE3;o como forma de despertar o interesse do leitor pela obra. Um dos aspectos mais interessantes da discuss&#xE3;o proposta pelo autor que &#xE9; ind&#xED;gena e professor no Instituto de Psicologia da Universidade de S&#xE3;o Paulo se refere a sua cr&#xED;tica &#xE0;s pretens&#xF5;es de universalidade da psicologia moderna e de como a psicologia ind&#xED;gena vai produzindo um conhecimento nas bordas dos saberes psicol&#xF3;gicos hegem&#xF4;nicos. Isso porque, de modo geral, a psicologia tem elidido a dimens&#xE3;o cultural de suas indaga&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;rico-conceituais com a ilus&#xE3;o de que assim conseguir&#xE1; produzir um conhecimento que transcende o contexto onde &#xE9; produzido, sendo v&#xE1;lido em qualquer tempo ou lugar. Toda psicologia &#xE9; ind&#xED;gena, defende Guimar&#xE3;es. Afinal, ind&#xED;gena se refere &#xE0;quelas pessoas que s&#xE3;o origin&#xE1;rias de um determinado territ&#xF3;rio. Toda psicologia trar&#xE1; as marcas do lugar em que foi forjada. Tal perspectiva tensiona o eurocentrismo que faz crer que o conhecimento psicol&#xF3;gico moderno transcende as coordenadas do tempo e do espa&#xE7;o em que foi teorizado. &#xC9; comum se usar o termo &#x201C;etnopsicologia&#x201D; para se referir aos povos n&#xE3;o-ocidentais como se os ocidentais tamb&#xE9;m n&#xE3;o fossem um &#x201C;etno&#x201D;, um grupo culturalmente espec&#xED;fico. O &#x201C;etno&#x201D; s&#xE3;o sempre os outros tratados como o &#x201C;particular&#x201D;. A psicologia ocidental tamb&#xE9;m &#xE9; uma etnopsicologia porque suas elabora&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;rico-conceituais nasceram para dar conta da no&#xE7;&#xE3;o de pessoa pr&#xF3;pria a seu contexto hist&#xF3;rico-cultural. E, conforme j&#xE1; demonstrou extensivamente a antropologia, a no&#xE7;&#xE3;o de pessoa varia de cultura para cultura. A psicologia cultural est&#xE1; interessada em entender como os processos de media&#xE7;&#xE3;o semi&#xF3;tico-cultural estabelecem refer&#xEA;ncias pelas quais o sujeito se relaciona consigo mesmo, com o outro e com o mundo. Se, em um determinado grupo social, o que comumente chamamos de natureza &#xE9; tido como tendo alma, consci&#xEA;ncia e/ou vontade e, para outro grupo social, essa &#x201C;mesma natureza&#x201D; &#xE9; tida como um mero recurso a servi&#xE7;o da satisfa&#xE7;&#xE3;o de suas necessidades, isso acontece porque as refer&#xEA;ncias semi&#xF3;tico-culturais s&#xE3;o diferentes para os dois grupos sociais em quest&#xE3;o. Assim, o psic&#xF3;logo n&#xE3;o pode prescindir da compreens&#xE3;o de como determinado sujeito medeia sua rela&#xE7;&#xE3;o consigo mesmo, com o outro e com o mundo em seus processos de interven&#xE7;&#xE3;o sob o risco de que, se n&#xE3;o o fizer, tender&#xE1; a ser etnoc&#xEA;ntrico, isto &#xE9;, impor seus pr&#xF3;prios padr&#xF5;es referenciais a algu&#xE9;m que n&#xE3;o os compartilha.O di&#xE1;logo entre culturas n&#xE3;o &#xE9; uma tarefa f&#xE1;cil ou simples como sup&#xF4;s uma larga tradi&#xE7;&#xE3;o do pensamento ocidental que creu poder objetivar o outro. O di&#xE1;logo inter&#xE9;tnico envolve equ&#xED;vocos, tentativas falhas de tradu&#xE7;&#xE3;o, al&#xE9;m de rela&#xE7;&#xF5;es de ambival&#xEA;ncia em decorr&#xEA;ncia do choque cultural causado pelo encontro com a alteridade. Nesse sentido, a tarefa fundamental do psic&#xF3;logo &#xE9; estar atento &#xE0; parcialidade das perspectivas, de maneira a n&#xE3;o colonizar o outro com suas pretens&#xF5;es de verdade. O outro &#xE9;, na tradi&#xE7;&#xE3;o da &#xE9;tica de Emmanuel L&#xE9;vinas, o que impede que o eu seja id&#xEA;ntico a si mesmo, tendo por consequ&#xEA;ncia a impossibilidade de um saber total ou absoluto. O desafio &#xE9; atravessar os &#x201C;muros semi&#xF3;ticos&#x201D; (semiotic walls) pelos quais uma cultura produz ativamente a incapacidade de dialogar com outra cultura. A psicologia ind&#xED;gena n&#xE3;o &#xE9; uma psicologia sobre os ind&#xED;genas, mas uma resposta ao encontro dos ind&#xED;genas com o colonizador pela qual se busca a produ&#xE7;&#xE3;o de um conhecimento complexo e fronteiri&#xE7;o. Tal conhecimento busca oferecer estrat&#xE9;gias de resist&#xEA;ncia e de resili&#xEA;ncia diante das viol&#xEA;ncias f&#xED;sicas, materiais e simb&#xF3;licas que afligem as comunidades ind&#xED;genas ainda hoje. O equ&#xED;voco que os europeus produziram e ainda produzem sobre os n&#xE3;o-europeus pode ser ressignificado desde que se compreenda que o conhecimento n&#xE3;o se faz apenas por um gesto de reflex&#xE3;o solit&#xE1;ria em que a raz&#xE3;o seria o seu agente fiador, como no caso da tradi&#xE7;&#xE3;o cartesiana. Muitas culturas ind&#xED;genas entendem que a compreens&#xE3;o m&#xFA;tua s&#xF3; &#xE9; poss&#xED;vel quando corporalidades distintas compartilham experi&#xEA;ncias sensitivas comuns que criam compartilhamentos extra-verbais, isto &#xE9;, n&#xE3;o alcan&#xE7;ados pela raz&#xE3;o, pr&#xF3;ximo do que intelectuais decoloniais chamam de &#x201C;corpo-pol&#xED;tica&#x201D;. Por Marcos de Jesus (13.02.2024)</description><thumbnail_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica/wp-content/uploads/sites/39/2024/02/1000027976.jpg</thumbnail_url></oembed>
