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<oembed><version>1.0</version><provider_name>Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</provider_name><provider_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica</provider_url><author_name>marcos.jesus</author_name><author_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica/author/interclinica/</author_url><title>A descoloniza&#xE7;&#xE3;o da psicologia - Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="eQbRYv1205"&gt;&lt;a href="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/02/13/a-descolonizacao-da-psicologia/"&gt;A descoloniza&#xE7;&#xE3;o da psicologia&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://divulga.unila.edu.br/interclinica/2024/02/13/a-descolonizacao-da-psicologia/embed/#?secret=eQbRYv1205" width="600" height="338" title="&#x201C;A descoloniza&#xE7;&#xE3;o da psicologia&#x201D; &#x2014; Cl&#xED;nica Intercultural e da Diversidade" data-secret="eQbRYv1205" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;
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</html><description>O livro &#x201C;Decolonial psychology: toward anticolonial theories, research, training, and practice&#x201D; [Psicologia decolonial: rumo a teorias, pesquisa, treinamento e pr&#xE1;tica anti-coloniais], rec&#xE9;m-publicado pela editora da Associa&#xE7;&#xE3;o Americana de Psicologia nos Estados Unidos e organizado por Lillian Comas-D&#xED;az, Hector Y. Adames e Nayeli Y. Chavez-Due&#xF1;as, se soma aos esfor&#xE7;os envidados por in&#xFA;meros intelectuais, psic&#xF3;logos e ativistas sociais em busca de caminhos para a descoloniza&#xE7;&#xE3;o da pr&#xE1;xis psicol&#xF3;gica nas &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas. Embora o termo descoloniza&#xE7;&#xE3;o possa assumir diferentes significados, no livro ele tem o sentido de liberar a psicologia de suas premissas euroc&#xEA;ntricas, burguesas, racistas, homo/transf&#xF3;bicas e individualistas. A proposta representa um importante tensionamento da psicologia hegem&#xF4;nica que, desde seu surgimento enquanto disciplina cient&#xED;fica no s&#xE9;culo XIX, tem servido aos interesses dos grupos dominadores, contribuindo para a exclus&#xE3;o e marginaliza&#xE7;&#xE3;o de grupos sociais diversos. Embora n&#xE3;o sejam as &#xFA;nicas, Frantz Fanon, Paulo Freire e Ign&#xE1;cio Mart&#xED;n-Bar&#xF3; comparecem como figuras importantes para os projetos de descoloniza&#xE7;&#xE3;o dos saberes psi em v&#xE1;rios artigos do livro. Isso porque Fanon contribuiu com uma discuss&#xE3;o sobre os efeitos do regime colonial na produ&#xE7;&#xE3;o da subjetividade de brancos e de negros. Para o fil&#xF3;sofo martinicano, a produ&#xE7;&#xE3;o social do sentimento de inferioridade do negro &#xE9; contempor&#xE2;neo &#xE0; produ&#xE7;&#xE3;o do sentimento de superioridade do branco, tendo por consequ&#xEA;ncia o sofrimento ps&#xED;quico para o negro. Em rela&#xE7;&#xE3;o a Paulo Freire, a base dial&#xF3;gica sobre a qual seu pensamento se assenta &#xE9; revelador de como a&#xE7;&#xE3;o e reflex&#xE3;o n&#xE3;o s&#xE3;o dois universos incomunic&#xE1;veis. A a&#xE7;&#xE3;o modifica a reflex&#xE3;o e a reflex&#xE3;o ajuda a pensar a a&#xE7;&#xE3;o de uma forma inteiramente nova, enriquecendo-a. O processo de conscientiza&#xE7;&#xE3;o freiriano sup&#xF5;e que o sujeito que conscientiza se conscientiza a si mesmo no ato de conscientizar o outro. Tal compreens&#xE3;o rompe com a ideia de que o pensamento cr&#xED;tico &#xE9; apan&#xE1;gio apenas de intelectuais ou pessoas letradas; sujeitos subalternos tamb&#xE9;m possuem criticidade e todos podem aprender com suas perspectivas. Por sua vez, Ign&#xE1;cio Mart&#xED;n-Bar&#xF3; elaborou a chamada psicologia da liberta&#xE7;&#xE3;o pela qual propunha n&#xE3;o apenas a interven&#xE7;&#xE3;o junto ao sujeito que sofre, mas a transforma&#xE7;&#xE3;o das estruturas que o fazem o sofrer. Assim, o te&#xF3;rico ensejou uma melhor compreens&#xE3;o de que a sa&#xFA;de mental n&#xE3;o &#xE9; uma realidade puramente biol&#xF3;gica ou um ato individual, mas dependente do contexto social e hist&#xF3;rico. N&#xE3;o h&#xE1; como ser psiquicamente saud&#xE1;vel em um mundo que insiste em desumanizar, alienar e humilhar pessoas. A psicologia precisa se debru&#xE7;ar sobre a dimens&#xE3;o s&#xF3;cio-pol&#xED;tica dos sofrimentos, pois, se n&#xE3;o o fizer, estar&#xE1; contribuindo para sua produ&#xE7;&#xE3;o e para a aliena&#xE7;&#xE3;o dos sujeitos. A psicologia pode e deve aprender com os saberes das comunidades exclu&#xED;das e colonizadas, tais como ind&#xED;genas, afro-descendentes e popula&#xE7;&#xE3;o queer. E a prop&#xF3;sito dos saberes ind&#xED;genas e afro-descendentes, vale lembrar os conceitos de ancestralidade e de vincularidad, centrais em alguns dos textos do livro. A ancestralidade traz a possibilidade de conex&#xE3;o e pertencimento, favorecendo a produ&#xE7;&#xE3;o de resist&#xEA;ncia e resili&#xEA;ncia enraizadas na experi&#xEA;ncia hist&#xF3;rica e concreta dos grupos oprimidos, um processo coletivo. Pr&#xF3;pria &#xE0; cosmovis&#xE3;o ind&#xED;gena andina, a vincularidad &#xE9; essencial para pensar a constru&#xE7;&#xE3;o dos la&#xE7;os e das rela&#xE7;&#xF5;es entre os seres humanos e destes com o universo mais-que-humano tal como a natureza. O anti-antropocentrismo ind&#xED;gena &#xE9; a chave para viv&#xEA;ncias individuais e coletivas menos coloniais e mais respeitosas em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; pluralidade de seres com os quais os humanos coabitam a terra. O desenvolvimento da espiritualidade como uma dimens&#xE3;o fundamental da vida &#xE9; essencial para as experi&#xEA;ncias de sa&#xFA;de e de bem-estar, pois, atrav&#xE9;s dela, o ser humano tem a oportunidade de refletir sobre qual &#xE9; o seu lugar no cosmos junto a uma infinidade de muitos outros seres igualmente importantes. Por &#xF3;bvio que seja, &#xE9; bom salientar, os breves par&#xE1;grafos acima n&#xE3;o pretendem resumir o livro cuja envergadura exigiria muitas p&#xE1;ginas de coment&#xE1;rios. Pretendem antes convidar o leitor a se debru&#xE7;ar sobre a obra e contribuir ele mesmo e a seu pr&#xF3;prio modo para a descoloniza&#xE7;&#xE3;o dos saberes e das pr&#xE1;ticas psi. Imaginar uma psicologia em que caibam muitas psicologias &#x2013; para parafrasear o lema do movimento neozapatista &#x2013; &#xE9; tarefa fundamental do nosso tempo. Isso pode contribuir, decisivamente, para a diminui&#xE7;&#xE3;o do sofrimento decorrente dos processos de coloniza&#xE7;&#xE3;o cujos efeitos ainda se fazem presentes nas subjetividades contempor&#xE2;neas e, infelizmente, ainda geram adoecimento, morte e destrui&#xE7;&#xE3;o. Por Marcos de Jesus (25.01.2024).</description><thumbnail_url>https://divulga.unila.edu.br/interclinica/wp-content/uploads/sites/39/2024/02/1000027975.jpg</thumbnail_url></oembed>
