{"id":159,"date":"2023-11-03T17:27:51","date_gmt":"2023-11-03T20:27:51","guid":{"rendered":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/?p=159"},"modified":"2023-11-03T17:27:52","modified_gmt":"2023-11-03T20:27:52","slug":"viver-comer-lembrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/2023\/11\/03\/viver-comer-lembrar\/","title":{"rendered":"Viver, comer, lembrar"},"content":{"rendered":"\n<p>Cozinhar, preparar um alimento \u00e9 uma arte, dizem, n\u00e3o \u00e9 mesmo? \u00c9 uma arte que tem a ver com mistura: misturamos ingredientes, cores e, depois, sabores e emo\u00e7\u00f5es, lembran\u00e7as tamb\u00e9m.&nbsp; E quando se misturam pessoas, como \u00e9 o caso da Vila C? Ah, ent\u00e3o, \u00e9 um prato cheio! Vamos sentir um pouco do cheiro e do gostinho das comidas da Vila?<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Suzinei n\u00e3o pode deixar de lembrar: \u201cA gente tinha os costumes de comer do pernambucano: arroz, muito feij\u00e3o, carne cozida com batata, n\u00e3o \u00e9? Frango com batata!\u201d. Mas a sua vizinha, dona Matilde vem de outro lugar e, assim&#8230; \u201cEu j\u00e1 era daqui, minha descend\u00eancia \u00e9 argentina, ent\u00e3o, eu j\u00e1 cresci comendo feij\u00e3o, arroz, carne. E como era fronteira, minha av\u00f3 atravessava muito e a gente comprava mais barato na Argentina. N\u00e3o tinha a ponte ainda, era balsa. Comprava muita farinha, macarr\u00e3o, aquele queijo enlatado, queijo prato ou cheddar era em latas de dois quilos. A gente abria e pegava uma colherada de queijo, minha m\u00e3e falava que a gente ia comer tudo de uma vez, ainda tenho saudade! Ent\u00e3o s\u00e3o esses os costumes daqui mesmo j\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Que lembran\u00e7a gostosa! Mas tem outras hist\u00f3rias e dimens\u00f5es que se misturam, como conta dona Ant\u00f4nia M. Zanella: \u201cMeus h\u00e1bitos s\u00e3o normais do nosso Paran\u00e1, que \u00e9 arroz, feij\u00e3o, salada, verdura, carne, essas coisas naturais. Mas a alimenta\u00e7\u00e3o mudou bastante, antigamente talvez a gente fosse um pouco mais naturalista principalmente as crian\u00e7as, hoje eu conservo um pouco meus h\u00e1bitos de alimenta\u00e7\u00e3o, mais hoje voc\u00ea v\u00ea que as crian\u00e7as, mesmo que tenham aprendido a comer arroz, feij\u00e3o, macarr\u00e3o, coisas bem naturais de antigamente, hoje elas gostam mais de hamburguer, x-salada. Ent\u00e3o nesse sentido mudaram bastante os h\u00e1bitos alimentares, crian\u00e7as comerem mais chips do que comida\u201d. Dona Nat\u00e9rcia tem a mesma opini\u00e3o: \u201cEu creio que n\u00e3o, antigamente a gente era mais aquela comidinha caseira n\u00e9? Comia em casa, n\u00e3o tinha mesmo como ser diferente, porque a Vila C era muito longe do centro da cidade, n\u00e3o tinha tanta coisa assim que a gente pudesse sair para comer toda noite. Hoje em dia, eu observo que \u00e9 mais fast food, as pessoas n\u00e3o se alimentam tanto em casa, \u00e9 tudo aquilo mais corrido, n\u00e9? Eu mesma, eu trabalho o dia inteiro, ent\u00e3o eu pego marmita, quase n\u00e3o cozinho. Quando eu estou em casa, eu pego marmita tamb\u00e9m para n\u00e3o cozinhar; e a noite&nbsp; geralmente n\u00e3o \u00e9 mais janta, que era aquela coisa da fam\u00edlia sentar na hora do almo\u00e7o, sentar na hora da janta, agora n\u00e3o\u2026 \u00e9 lanche r\u00e1pido tamb\u00e9m, ent\u00e3o eu acho que teve uma mudan\u00e7a bem grande de antes para agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais mistura! Que venha, ent\u00e3o! N\u00e3o \u00e9, dona Maria Teresa? \u201c\u00c9 tudo misturado, acredito que \u00e9 um bairro\u00a0 que abrange gente diferente, alimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Por exemplo, eu amo comida \u00e1rabe, mas n\u00e3o quer dizer que seja a minha favorita, ent\u00e3o tem muito essa mistura; cada um traz sua cultura e n\u00f3s nos vamos adaptando na cultura de cada um de n\u00f3s tanto que um passa a nossa cultura para os outros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"960\" src=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2023\/11\/Captura-de-Tela-2023-11-03-as-17.26.25-1024x960.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-162\" srcset=\"https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2023\/11\/Captura-de-Tela-2023-11-03-as-17.26.25-1024x960.png 1024w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2023\/11\/Captura-de-Tela-2023-11-03-as-17.26.25-300x281.png 300w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2023\/11\/Captura-de-Tela-2023-11-03-as-17.26.25-768x720.png 768w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2023\/11\/Captura-de-Tela-2023-11-03-as-17.26.25-205x192.png 205w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2023\/11\/Captura-de-Tela-2023-11-03-as-17.26.25-480x450.png 480w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2023\/11\/Captura-de-Tela-2023-11-03-as-17.26.25-816x765.png 816w, https:\/\/divulga.unila.edu.br\/gazeta\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2023\/11\/Captura-de-Tela-2023-11-03-as-17.26.25.png 1342w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Dona Ant\u00f4nia M. Zanella<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cozinhar, preparar um alimento \u00e9 uma arte, dizem, n\u00e3o \u00e9 mesmo? \u00c9 uma arte que tem a ver com mistura: misturamos ingredientes, cores e, depois, sabores e emo\u00e7\u00f5es, lembran\u00e7as tamb\u00e9m.&nbsp; E quando se misturam pessoas, como \u00e9 o caso da Vila C? Ah, ent\u00e3o, \u00e9 um prato cheio! Vamos sentir um pouco do cheiro e do gostinho das comidas da Vila? Dona Suzinei n\u00e3o pode deixar de lembrar: \u201cA gente tinha os costumes de comer do pernambucano: arroz, muito feij\u00e3o, carne cozida com batata, n\u00e3o \u00e9? Frango com batata!\u201d. Mas a sua vizinha, dona Matilde vem de outro lugar e, assim&#8230; \u201cEu j\u00e1 era daqui, minha descend\u00eancia \u00e9 argentina, ent\u00e3o, eu j\u00e1 cresci comendo feij\u00e3o, arroz, carne. E como era fronteira, minha av\u00f3 atravessava muito e a gente comprava mais barato na Argentina. N\u00e3o tinha a ponte ainda, era balsa. Comprava muita farinha, macarr\u00e3o, aquele queijo enlatado, queijo prato ou cheddar era em latas de dois quilos. A gente abria e pegava uma colherada de queijo, minha m\u00e3e falava que a gente ia comer tudo de uma vez, ainda tenho saudade! Ent\u00e3o s\u00e3o esses os costumes daqui mesmo j\u00e1\u201d. Que lembran\u00e7a gostosa! Mas tem outras hist\u00f3rias e dimens\u00f5es que se misturam, como conta dona Ant\u00f4nia M. Zanella: \u201cMeus h\u00e1bitos s\u00e3o normais do nosso Paran\u00e1, que \u00e9 arroz, feij\u00e3o, salada, verdura, carne, essas coisas naturais. 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